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Montalegre

Aldeias mais bonitas de Trás-os-Montes: 14 aldeias do Barroso ao Douro

· 14 min de leitura

Trás-os-Montes não tem uma rede de "aldeias históricas" nem de "aldeias do xisto" como a Beira. Tem centenas de aldeias pequenas, quase todas de granito, que guardam o que noutras regiões já desapareceu: o forno do povo, o boi do povo, os espigueiros, os lameiros regados à mão e, em várias delas, uma língua ou uma fala própria. Algumas recebem dezenas de milhares de pessoas por ano; outras têm pouco mais de cem habitantes.

Escolhemos catorze, agrupadas por sub-região, do Barroso ao Douro, com o que ver em cada uma, quanto tempo reservar e onde dormir perto. Três delas têm artigo próprio, para onde remetemos: Rio de Onor, as aldeias do Parque Natural de Montesinho e as aldeias vinhateiras do Douro.

As aldeias num quadro

Aldeia Concelho Porque ir Tempo de visita
Pitões das Júnias Montalegre Mosteiro, cascata, mais de 1100 m de altitude Meio dia
Tourém Montalegre Aldeia rodeada pela Galiza, forno do povo 1 a 2 horas
Vilarinho de Negrões Montalegre Casas de granito numa península do Alto Rabagão 1 hora
Vilarinho Seco Boticas Espigueiros, colmo, forno comunitário 1 hora
Rio de Onor Bragança Aldeia comunitária dividida pela fronteira 2 a 3 horas
Montesinho Bragança Granito, lameiros e o trilho do Porto Furado Meio dia com o trilho
Podence Macedo de Cavaleiros Casa do Careto e o Entrudo dos caretos 1 a 2 horas
Algoso Vimioso Castelo sobre o planalto mirandês 1 a 2 horas
Picote Miranda do Douro Mirandês nas placas e as arribas do Douro 2 horas
Lamas de Olo Vila Real Telhados de colmo e lameiros no Alvão 1 hora
Ermelo Mondim de Basto Antiga vila ao pé das Fisgas 1 hora (dia inteiro com o PR3)
Provesende Sabrosa Solares e pelourinho no planalto do Pinhão 1 a 2 horas
Ucanha Tarouca Ponte com torre de portagem medieval 1 hora
Castelo Melhor Vila Nova de Foz Côa Castelo e porta para a gravura da Penascosa 1 hora (meio dia com o Côa)

Barroso: granito, colmo e vida em comum

O Barroso, nos concelhos de Montalegre e Boticas, é um planalto alto de granito, com aldeias de casas baixas, eiras, espigueiros e baldios onde o gado pastava junto. Em Abril de 2018 a FAO reconheceu o sistema agro-silvo-pastoril do Barroso como Património Agrícola Mundial (SIPAM), o primeiro território português nessa lista. A beleza destas aldeias vem de uma maneira de trabalhar a terra que ainda não acabou.

Pitões das Júnias

A mais conhecida do Barroso fica a mais de 1100 metros de altitude, entre as fragas do Gerês e o planalto da Mourela, a cerca de meia hora de Montalegre (21 km). Num vale abaixo da aldeia estão as ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, fundado no século XII e depois cisterciense, Monumento Nacional desde 1950; um pouco mais à frente, a cascata, com a primeira queda de cerca de 30 metros. Um percurso de quatro quilómetros liga a aldeia, o mosteiro e a cascata em hora e meia. Na aldeia há ainda o Centro Interpretativo do Lobo Ibérico, aberto em 2024.

Reserve meio dia; mais pormenores no guia de Montalegre e do Barroso. Dormir: Casa de Campo Ferreira, na aldeia.

Tourém

A 20 minutos de Pitões, Tourém é a única povoação portuguesa a norte da serra do Gerês: está na margem do rio Salas e fica rodeada por aldeias galegas. Foi sede de um concelho só com uma freguesia até ao início do século XIX. Em 2021 tinha 110 habitantes.

Veja o forno comunitário, a igreja de São Pedro e o pólo do Ecomuseu de Barroso na antiga casa do boi do povo, sobre a vida de fronteira e o contrabando. Dormir: Casa dos Braganças, na aldeia.

Vilarinho de Negrões

A uns 20 minutos de Montalegre, Vilarinho de Negrões ocupa uma península estreita que entra pela albufeira do Alto Rabagão, a barragem concluída em 1964. Visto da estrada, o casario de granito parece assente na água. Na vizinha Negrões há um forno todo em granito. Vá ao fim da tarde, com a luz de lado nas casas. Dormir: Casas Avelã Brava, em Negrões, a 5 minutos.

Vilarinho Seco

Do lado de Boticas, ao pé da serra das Alturas do Barroso, Vilarinho Seco é das aldeias barrosãs mais bem conservadas: espigueiros de granito, algumas casas ainda com cobertura de colmo, um forno comunitário e, no centro, um largo com tanque, cruzeiro e capela. Fica a 25 minutos da vila de Boticas e a pouco mais de 20 de Vilarinho de Negrões: as duas fazem-se na mesma manhã. É uma aldeia de lavradores: estacione à entrada e não entre nos currais. Mais alojamento em turismo rural em Boticas.

Sirvozelo e Fafião

Vista aérea de Sirvozelo: casas de granito com telhados de telha entre grandes penedos e carvalhos, com a albufeira da Paradela ao fundo
Sirvozelo, entre penedos de granito, com a albufeira da Paradela ao fundo · Foto: Joseolgon · CC BY 4.0

No Barroso do Gerês, dentro do Parque Nacional, Sirvozelo fica perto do paredão da barragem da Paradela, a 25 minutos de Montalegre; Fafião, na freguesia de Cabril, tem o fojo do lobo, uma armadilha em granito com muros convergentes de cerca de 64 metros. Dormir: Hotel Vista Bela do Gerês, sobre a albufeira da Paradela.

Terra Fria: Montesinho e a Lombada

Rio de Onor

A aldeia que a fronteira divide ao meio e que, durante séculos, geriu em comum o forno, o moinho, a forja e o rebanho. Foi eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias em 2017, na categoria de aldeias em áreas protegidas. As casas aqui são de xisto, com lousa e varandas de madeira. Fica a meia hora de Bragança; conte com duas a três horas e leia o artigo sobre Rio de Onor. Dormir: Casa do Rio, na própria aldeia.

Montesinho

A aldeia que dá nome ao parque fica a 23 km de Bragança, perto dos mil metros, e é uma das poucas do parque construídas em granito. Daqui parte o percurso do Porto Furado (7,8 km, duas horas e meia a três). No caminho, Gimonde tem uma ponte velha de xisto com seis arcos, a 10 minutos da cidade. As outras aldeias do parque, de França a Pinheiro Novo, estão no guia das aldeias de Montesinho. Dormir: Casa da Gadanha, na aldeia.

Podence

A 10 minutos de Macedo de Cavaleiros, Podence é a aldeia dos caretos. O Entrudo Chocalheiro foi inscrito pela UNESCO em 2019 como Património Cultural Imaterial da Humanidade, e a aldeia foi finalista das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias em 2017, na categoria de aldeias autênticas. Fora do Carnaval é uma aldeia sossegada, com a igreja de Nossa Senhora da Purificação e a Casa do Careto, com fatos, máscaras e chocalhos (fecha à segunda-feira). No Carnaval conte com multidões: veja o Entrudo de Podence. A albufeira do Azibo fica ao lado. Dormir: Casa do Pombal, na aldeia.

Na Lombada, aldeias como Parada guardam as festas dos rapazes do Natal e dos Reis: veja Parada e as festas de Inverno.

Planalto Mirandês

Algoso

Torre de menagem e muralha do castelo de Algoso no alto de um penhasco, sobre encostas secas com oliveiras e um vale ao fundo
O castelo de Algoso, sobre o vale da ribeira de Angueira · Foto: Reis Quarteu · CC BY-SA 4.0

O castelo de Algoso ergue-se a 690 metros, num cabeço sobre a confluência da ribeira de Angueira com o rio Maçãs, com vista de 360 graus sobre o planalto mirandês. A primeira construção é do fim do reinado de D. Afonso Henriques; a partir de 1224 passou para a Ordem do Hospital, que lhe deu a torre de menagem gótica que hoje se vê. É Imóvel de Interesse Público desde 1955. Algoso foi vila e sede de concelho até ao início do século XIX: na aldeia ficam o pelourinho, a Igreja da Misericórdia e a ponte.

Fica a 20 minutos de Vimioso e a 40 de Miranda do Douro; suba ao castelo ao fim da tarde. Sobre o concelho, veja Vimioso e Avelanoso. Dormir: Casa dos Pimenteis, em Vale de Algoso, a 10 minutos.

Picote

Picote fica a 20 minutos de Miranda do Douro, à beira das arribas do Douro, e é das aldeias onde o mirandês se ouve e se lê: as ruas têm placas nas duas línguas. Sinalizado a partir da parte baixa da aldeia, o miradouro da Fraga do Puio abre sobre o canhão do Douro, com Espanha na outra margem. Na aldeia funciona o Ecomuseu Terra Mater, numa casa tradicional, e mais abaixo fica a barragem de Picote, de 1958, com o bairro construído para os trabalhadores da central. Conte com duas horas e junte-lhe a cidade e um passeio de barco nas arribas: veja o guia de Miranda do Douro e do Douro Internacional. Dormir: Casa de L Puio, junto ao miradouro.

Alvão: colmo e xisto

Lamas de Olo

No planalto granítico do Parque Natural do Alvão, a 15 a 20 minutos de Vila Real, Lamas de Olo ainda tem casas com telhados de colmo e canastros espalhados pela aldeia. À volta ficam os lameiros, regados por levadas com séculos, onde pasta a vaca maronesa. Uma hora chega para a aldeia; com o percurso das barragens (13,5 km) é um dia. Dormir: Quinta do Codeçal, em Lordelo, a menos de 15 minutos.

Ermelo

Do outro lado da serra, a 18 minutos de Lamas de Olo, Ermelo foi vila com foral de D. Sancho I (1196) e sede de concelho até 1853. Fica no ponto onde o granito dá lugar ao xisto, ao pé das Fisgas de Ermelo: casas de xisto e granito, pelourinho, moinhos e socalcos regados. O trilho PR3, que parte da aldeia, leva quatro a cinco horas.

Rua empedrada em Ermelo com casas baixas de xisto escuro e telhados de lousa, e encostas com arvoredo ao fundo
Casas de xisto e lousa em Ermelo, no Alvão · Foto: Joseolgon · CC BY-SA 4.0

Mais no guia do Parque Natural do Alvão e no das cascatas de Trás-os-Montes. Dormir: Casa da Caínha, em Vilar de Ferreiros, a uns 25 minutos pela serra.

Douro: solares, pontes e castelos

O projecto das Aldeias Vinhateiras do Douro, de 2001, junta seis aldeias: Provesende e Favaios, a norte do rio, e Barcos, Salzedas, Trevões e Ucanha, a sul. Têm artigo próprio; aqui ficam duas delas e uma aldeia do Douro Superior.

Provesende

No planalto acima do Pinhão (11 minutos de carro), Provesende foi sede de concelho até 1853 e tem o ar de vila que isso lhe deixou: casas brasonadas e solares, como a Casa da Calçada e a Casa do Santo, este do século XVIII, o pelourinho e a igreja de São João Baptista. Uma a duas horas chegam. Dormir: Morgadio da Calçada, numa das casas classificadas da aldeia.

Ucanha

Ucanha, no vale do Varosa, a 8 minutos de Tarouca e a 18 de Lamego, tem a ponte mais invulgar da região: uma ponte medieval com uma torre à entrada, onde se cobrava a portagem a quem entrava nas terras do mosteiro cisterciense de Salzedas. A torre é atribuída ao abade D. Fernando, em 1465; o conjunto é Monumento Nacional desde 1910. Foi aqui que nasceu, em 1858, o etnólogo José Leite de Vasconcelos. Junte-lhe o mosteiro de Salzedas, ali ao lado, e o de São João de Tarouca. Dormir: Douro Cister Hotel, entre Ucanha e Salzedas, a 8 minutos.

Castelo Melhor

No Douro Superior, a 15 minutos de Vila Nova de Foz Côa, Castelo Melhor sobe por um monte até ao castelo: uma cerca de planta circular com três cubelos, uma porta em arco quebrado e uma cisterna no interior, Imóvel de Interesse Público desde 1982. Recebeu foral de Afonso IX de Leão em 1209 e passou para Portugal com o Tratado de Alcanices, em 1297. É também daqui que partem as visitas ao núcleo de gravuras da Penascosa, no vale do Côa: veja a arte rupestre do Côa. Dormir: Casa do Rio, da Quinta do Vallado, a 20 minutos.

Há aldeias de xisto em Trás-os-Montes?

Há, mas não no sentido da rede das Aldeias do Xisto, que fica no Centro do país. Em Trás-os-Montes domina o granito, sobretudo nas terras altas (Barroso, serra de Montesinho, planalto do Alvão). O xisto aparece nas terras mais baixas: muitas aldeias do Parque de Montesinho, como Rio de Onor, são de xisto com telhados de lousa; Ermelo e as aldeias da encosta poente do Alvão são de xisto e granito; e no Douro vinhateiro o xisto está nos socalcos e nos muros. Para casas de xisto, escolha Rio de Onor e Ermelo.

E as aldeias abandonadas?

Não encontrámos em Trás-os-Montes nenhuma aldeia totalmente abandonada que se visite como tal. O que há é despovoamento: Tourém passou de 718 habitantes em 1930 para 110 em 2021, e Pitões de 501 em 1950 para 151. Em quase todas há casas em ruína ao lado de casas recuperadas. A aldeia submersa de Vilarinho da Furna fica em Terras de Bouro, no Minho.

Também não são de Trás-os-Montes outras aldeias que aparecem nas listas do Norte: Sistelo (Arcos de Valdevez, no Minho), Drave (Arouca), Castelo Rodrigo e Marialva (distrito da Guarda, na rede das Aldeias Históricas). Castelo Melhor, no mesmo distrito, entra aqui porque o concelho de Foz Côa faz parte do Douro.

Como chegar

É preciso carro: os transportes públicos para estas aldeias são escassos ou inexistentes. De carro, a partir do Porto, conte com cerca de 2 horas até Montalegre, 1h10 até Vila Real, 1h35 até ao Pinhão, 2h20 até Bragança e 3h10 até Miranda do Douro. As distâncias entre sub-regiões são grandes: de Montalegre a Bragança são mais de duas horas, e de Bragança a Miranda mais de uma. Escolha uma ou duas zonas por fim-de-semana: por exemplo, Pitões e Tourém num dia e as duas Vilarinho no seguinte; ou Montesinho e Rio de Onor, e depois Podence, Algoso e Picote, a acabar ao pôr-do-sol na Fraga do Puio. Para juntar as aldeias às cidades e ao rio, veja o roteiro de Trás-os-Montes em 3, 5 e 7 dias.

No Inverno pode haver gelo e neve em Pitões, Montesinho e Lamas de Olo. Abasteça nas vilas e leve mapas descarregados: há vales sem rede.

Onde dormir nas aldeias

Dormir numa aldeia é a melhor forma de a ver vazia, ao fim da tarde e de manhã cedo. As casas são pequenas e esgotam nos fins-de-semana de Verão e no Carnaval (Podence): reserve cedo.

Veja mais opções em turismo rural em Montalegre, turismo rural em Bragança, turismo rural em Miranda do Douro, turismo rural em Sabrosa e turismo rural em Tarouca, e nas páginas dos concelhos de Montalegre, Bragança e Miranda do Douro.

Perguntas frequentes

Quais são as aldeias mais bonitas de Trás-os-Montes?

Não há lista oficial. As mais procuradas são Pitões das Júnias e Tourém, no Barroso, Rio de Onor e Montesinho, na Terra Fria, Podence, Picote e Algoso, no Nordeste, Lamas de Olo e Ermelo, no Alvão, e Provesende e Ucanha, no Douro. Rio de Onor foi eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias em 2017.

Há aldeias de xisto em Trás-os-Montes?

Sim, embora a maioria seja de granito. Rio de Onor, muitas aldeias de Montesinho e Ermelo, no Alvão, são de xisto. A rede das Aldeias do Xisto fica no Centro do país.

Há aldeias abandonadas para visitar em Trás-os-Montes?

Não conhecemos nenhuma totalmente abandonada que se visite como tal; há aldeias muito despovoadas, como Tourém. Vilarinho da Furna, a aldeia submersa, fica no Minho.

Quais são as aldeias mais bonitas do Norte de Portugal?

Em Trás-os-Montes, as desta lista. No resto do Norte, aparecem muitas vezes Sistelo, no Minho, e Castelo Rodrigo, já no distrito da Guarda, ambas vencedoras das 7 Maravilhas – Aldeias em 2017, tal como Rio de Onor.

Quanto tempo é preciso para ver as aldeias de Trás-os-Montes?

Um fim-de-semana por sub-região: dois dias para o Barroso, dois para Montesinho e o Nordeste, um para o Alvão e um ou dois para o Douro.

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