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Bragança

Aldeias do Parque Natural de Montesinho: dez aldeias, os trilhos e onde dormir

· 12 min de leitura

O Parque Natural de Montesinho ocupa o norte dos concelhos de Bragança e Vinhais, encostado a Espanha por três lados. Quem lá vai espera uma serra e encontra, sobretudo, aldeias de granito ou de xisto, com lameiros, soutos, fornos e moinhos do povo, e uma população que diminuiu muito mas continua lá.

Este guia percorre dez aldeias, de Montesinho a Pinheiro Novo, com os percursos sinalizados, as estações, conselhos para circular e onde dormir. Para a cidade de Bragança, veja o nosso guia do que visitar em Bragança; para Rio de Onor, o artigo próprio sobre a aldeia comunitária.

O parque em números

  • Criação: Decreto-Lei n.º 355/79, de 30 de Agosto de 1979. Foi reclassificado em 1997 e tem Plano de Ordenamento desde 2008.
  • Área: cerca de 74 200 hectares (pouco mais de 740 km²), segundo o ICNF, que gere o parque.
  • Concelhos: Bragança e Vinhais, só na parte norte de cada um.
  • Altitude: dos 438 m, no vale do rio Mente, aos 1486 m, na serra de Montesinho, junto à fronteira.
  • Fauna: mais de uma centena de espécies de aves nidificantes e cerca de 70% das espécies de mamíferos terrestres do país, com uma das populações de lobo-ibérico mais importantes de Portugal, além de veado, corço e lontra.
  • Símbolo: a castanha. Os soutos são a principal cultura permanente do parque.

O clima é de Terra Fria. A temperatura média anual vai dos 8,5 °C na serra de Montesinho aos 12,8 °C na Baixa Lombada, e as geadas costumam andar entre o início de Outubro e o fim de Maio. Na chuva, Montesinho recebe perto de 1260 mm por ano e Deilão pouco mais de 800.

Casas de granito com telhados de lousa na aldeia de Montesinho, com hortas em primeiro plano
A aldeia de Montesinho, com as hortas à entrada · Foto: Miguel Vieira · CC BY 2.0

Dez aldeias para conhecer

As aldeias do parque dividem-se, grosso modo, pela pedra. Segundo o ICNF, só Montesinho, Soutelo, Moimenta, Pinheiro Novo e Pinheiro Velho são construídas em blocos de granito; nas outras domina o xisto. A casa tradicional tem dois pisos: loja do gado e adega em baixo, habitação e varanda de madeira em cima.

Montesinho

A aldeia que deu nome ao parque fica a cerca de 23 km de Bragança, já perto dos mil metros de altitude, num dos pontos mais altos e chuvosos do parque. As casas são de granito, as ruas empedradas, e há igreja, museu e núcleo interpretativo. É ponto de partida do percurso do Porto Furado, que sobe até à barragem da Serra Serrada. Pertence à freguesia de França.

França e Portelo

França fica no vale do Sabor, a uns 15 km de Bragança. A ficha que publicámos em 1997 lembrava que era terra mineira desde os romanos, com minas de ouro e estanho exploradas quase até ao início do século XX, e que a água para lavar o ouro vinha da serra de Montesinho. O orago é São Lourenço. Junto ao rio há uma zona de banhos de onde parte o caminho para o Poço Negro. Portelo, a outra aldeia anexa da freguesia, fica a poucas centenas de metros da fronteira; é aqui que começa a Grande Rota dos Moinhos e dos Lameiros.

Gimonde

A menos de 10 minutos de Bragança, Gimonde fica onde o rio Onor, que no troço final se chama Malara, se junta ao Sabor. A imagem da aldeia é a ponte velha, de xisto, com seis arcos, provavelmente medieval sobre uma base mais antiga e classificada como Imóvel de Interesse Público em 1990. Daqui parte o percurso da Malara.

Ponte velha de Gimonde, em xisto, com arcos de volta perfeita sobre o rio, e a ponte nova ao fundo
A ponte velha de Gimonde, com a ponte nova ao fundo · Foto: Vitor Oliveira · CC BY-SA 2.0

Aveleda

Aveleda está num vale pequeno, junto à ribeira a que os locais chamam rio Pepim. A antiga freguesia, com Aveleda e Varge, fica toda dentro do parque. É passagem das duas primeiras etapas da Grande Rota dos Moinhos e dos Lameiros, que segue os moinhos ao longo da ribeira e do rio Onor.

Rio de Onor

A aldeia dividida pela fronteira, com o seu passado comunitário, a Casa do Touro e a ponte sobre o rio Onor, tem artigo próprio. Conte com duas a três horas, ou com o dia inteiro se fizer o percurso PR11.

Guadramil

No extremo nordeste do concelho, a uns 30 km de Bragança, Guadramil é o fim da Grande Rota: a terceira etapa liga Rio de Onor a esta aldeia, onde se destaca o lagar comunitário. Tem um pequeno percurso da Câmara, a Rota dos Cervídeos, em zona de veados.

Deilão

Deilão fica no planalto da Alta Lombada, entre os 800 e os 900 metros, a uns 21 km de Bragança, e é a parte mais seca do parque. A ficha de 1997 falava de uma freguesia comunitária, com moinhos a funcionar, mantas e meias de lã de ovelha e um dialecto quase perdido. Tinha então 300 habitantes; em 2011 eram 168, repartidos por Deilão, Petisqueira e Vila Meã. A Lombada é terra das Festas dos Rapazes do Natal e dos Reis: veja as festas de Inverno e o artigo sobre Babe e o planalto da Lombada.

Dine

Já no concelho de Vinhais, a uns 20 minutos da vila, Dine é conhecida pela Lorga de Dine, uma gruta natural em calcário, rara nesta região de xisto, com ocupação humana desde o final do Neolítico. Está classificada como Imóvel de Interesse Público. Na aldeia há um núcleo interpretativo, com peças das escavações, e no mesmo outeiro há sete fornos de cal que trabalharam até aos anos 60.

Moimenta

Moimenta, a uns 20 minutos de Vinhais, é uma das aldeias de granito do parque, num planalto encostado à fronteira. A igreja de São Pedro é das maiores do concelho. Na antiga freguesia fica um dos contrafortes da Fraga dos Três Reinos, que marcava o encontro entre Portugal, Leão e a Galiza. Daqui parte o Percurso da Calçada.

Pinheiro Novo

É a mais afastada: meia hora a partir de Vinhais e mais de uma hora a partir de Bragança. Com Pinheiro Velho, fica na montanha granítica que o ICNF descreve como quase despovoada. Em 2011 a freguesia tinha 106 habitantes. Tem o percurso das Fragas do Pinheiro.

Para outras aldeias do concelho, como Espinhosela, Rabal ou Baçal, veja as freguesias de Bragança.

Trilhos no Parque de Montesinho

Há duas numerações a circular. Os percursos do ICNF têm numeração própria; a Câmara de Bragança homologou em Junho de 2026 os seus onze percursos "PR BGC", com outros números. Por exemplo, o Porto Furado, que o ICNF numera como PR3, não é o PR3 da lista da Câmara, que fica em Carrazedo. Procure sempre o nome do percurso. Nas pequenas rotas, siga as marcas vermelhas e amarelas; as brancas e vermelhas são das grandes rotas.

Panorâmica do planalto granítico da serra de Montesinho, com urzes, giestas e blocos de granito
A serra de Montesinho no percurso do Porto Furado · Foto: Miguel Vieira · CC BY 2.0

  • Porto Furado (PR3, ICNF). Circular, com 7,8 km e cerca de 265 m de subida acumulada, parte da aldeia de Montesinho, que é o ponto mais baixo do percurso. Sobe por lameiros e carvalhais até um planalto de granito e contorna parte da albufeira da Serra Serrada. Conte com duas horas e meia a três horas. O ICNF pede que se evitem os dias de nevoeiro, muita chuva ou neve.
  • Malara (PR8, ICNF). Circular, com 11,6 km, a partir do parque de merendas de Gimonde. Segue o rio Onor, na Baixa Lombada.
  • Ornal (PR4, ICNF). Circular, com 7,9 km, a partir de Vilarinho, na freguesia de Espinhosela, ao longo da ribeira de Ornal e do rio Baceiro. Passa por solos de rochas ultrabásicas, com plantas raras, e pelos antigos fornos de cal de Cova de Lua.
  • Tapada d'Á Ponte (PR5, ICNF). No concelho de Vinhais, a partir de Rio de Fornos: 11,4 km pela ribeira de Ladrões até Travanca, com uma variante curta, o Meiral, de 5,6 km.
  • O lado português de Rio de Onor (PR11 BGC). Circular, com 7 km, a partir do parque de campismo da aldeia.
  • Grande Rota dos Moinhos e dos Lameiros (GR 298). Três etapas, de Portelo a Aveleda, de Aveleda a Rio de Onor, e de Rio de Onor a Guadramil.
  • Em Vinhais: o Percurso da Calçada, em Moimenta (cerca de 7 km), e as Fragas do Pinheiro, em Pinheiro Novo (cerca de 12 km).

Poço Negro. A lagoa do rio Sabor a montante de França, entre penedos e amieiros, é dos sítios mais procurados do parque, mas não tem percurso sinalizado. O caminho mais usado parte da zona de banhos de França e segue por estradão ao longo do Sabor; os guias apontam cerca de 7 km para cada lado. Leve o trilho no GPS e não vá depois de chuvadas.

Quando ir: as quatro estações

  • Primavera. Lameiros verdes e urze-vermelha em flor por volta de Abril nas zonas altas. Boa época para os percursos longos e para as aves.
  • Verão. Dias longos, noites frescas e rios de águas frias, com banhos em França e Gimonde.
  • Outono. Provavelmente a melhor estação. A brama dos veados ouve-se sobretudo em Setembro, e em Outubro e Novembro os soutos e carvalhais mudam de cor. É também o tempo da castanha: a Rural Castanea de Vinhais é de 23 a 25 de Outubro de 2026 (veja as festas da castanha).
  • Inverno. Quando neva, as aldeias de granito da serra ficam brancas, mas as estradas secundárias podem fechar e os percursos não se fazem. Há lareira, fumeiro e as festas de Inverno da Lombada.

Uma nota útil: segundo o ICNF, de 15 de Agosto a 28 de Fevereiro pode haver caça em algumas zonas às quintas-feiras, fins-de-semana e feriados. Não saia dos caminhos.

Como circular no parque

Sem carro, é difícil. As aldeias ficam em estradas diferentes, que partem de Bragança e de Vinhais como os dedos de uma mão, e as ligações entre elas são poucas. Tempos aproximados a partir do centro de Bragança: Gimonde 10 minutos, França 20, Aveleda 20, Deilão 25, Montesinho 25, Rio de Onor 30 e Guadramil 35. A partir de Vinhais: Moimenta e Dine 20 a 25 minutos, Pinheiro Novo 35. Bragança e Vinhais ficam a uns 35 minutos uma da outra.

As estradas são estreitas e com curvas, e o último troço até Montesinho pede calma. Abasteça em Bragança ou Vinhais, leve mapas descarregados, porque há vales sem rede, e no Inverno confirme o estado das estradas.

A sede do parque fica em Bragança, no Parque Florestal, e há uma delegação em Vinhais.

Um roteiro de dois ou três dias

  • Dia 1: Gimonde e a ponte velha de manhã; França e Montesinho à tarde, com o Porto Furado se houver tempo. Dormir em Montesinho ou França.
  • Dia 2: Aveleda, Rio de Onor e Guadramil; Deilão, se sobrar tempo.
  • Dia 3 (lado de Vinhais): Dine e a Lorga, Moimenta e o Percurso da Calçada, e, se o dia chegar, Pinheiro Novo.

Onde dormir no Parque de Montesinho

Parques de campismo

Nas aldeias da serra

Perto de Bragança

  • O Abel Hotel Rural — três estrelas em Gimonde, com restaurante de cozinha transmontana.
  • Casa do Guieiro — agroturismo com quatro quartos na Quinta das Covas, em Gimonde.
  • Solar de Rabal — solar recuperado com piscina e jardim, em Rabal.

Do lado de Vinhais

Veja todas as opções de turismo rural em Bragança, turismo rural em Vinhais e os parques de campismo, e mais sugestões nas páginas de Bragança e Vinhais.

Perguntas frequentes

Quanto tempo é preciso para visitar o Parque Natural de Montesinho?

Um fim-de-semana chega para Montesinho, França, Gimonde e Rio de Onor. Com três dias junta-se o lado de Vinhais e um ou dois percursos.

Qual é o trilho mais conhecido de Montesinho?

É o percurso do Porto Furado, um circuito de 7,8 km que parte da aldeia de Montesinho e sobe até à barragem da Serra Serrada, por paisagem de granito. Está sinalizado pelo ICNF.

O Poço Negro tem percurso sinalizado?

Não. O acesso mais usado parte de França e segue o rio Sabor por estradão durante cerca de 7 km. É preciso levar o trilho no GPS e evitar ir depois de chuva forte.

Quando se ouve a brama dos veados em Montesinho?

Sobretudo em Setembro e no início de Outubro, ao fim da tarde e de manhã cedo. As zonas de Rio de Onor e Guadramil são das mais indicadas.

Há parques de campismo no Parque de Montesinho?

Sim. Perto de Bragança há o Cepo Verde, em Gondesende, o Sobre Águas, em Meixedo, e o Montesinho Eco-Resort, em Gimonde. Do lado de Vinhais há o parque de campismo do Parque Biológico.

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