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Montalegre

O que visitar em Montalegre e no Barroso: Pitões das Júnias, Tourém, a Ponte da Misarela e as barragens

· 12 min de leitura

Montalegre é a capital do Barroso e um concelho enorme: mais de 800 km², com pouco mais de nove mil habitantes. Vai do planalto, a mil metros de altitude, onde fica a vila com o castelo, até aos vales fundos do Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Cabril e Ferral. Pelo meio há aldeias de granito encostadas à Galiza, um mosteiro medieval escondido num vale, uma ponte com fama de ter sido feita pelo diabo e três grandes albufeiras.

Este guia junta o essencial para um fim-de-semana: o que ver na vila e nas aldeias, quanto tempo leva cada ida de carro, o que comer e onde dormir. Se vem para a Noite das Bruxas, a festa tem artigo próprio sobre a Sexta-feira 13 em Montalegre; aqui falamos do resto do concelho.

Antes de ir: distâncias e como se organizar

O concelho é grande e as estradas são de montanha: conte com mais tempo do que o mapa sugere. A partir da vila, de carro, o Alto Rabagão e Vilar de Perdizes ficam a uns 20 minutos, a Paradela a 25, Pitões das Júnias a meia hora, Tourém a 35 minutos, Ferral (o lado de Montalegre da Misarela) a 40 e Cabril a quase uma hora.

Até à vila: do Porto são cerca de 150 km, duas horas; de Braga cerca de 90 km, hora e meia; de Chaves cerca de 40 km, 45 minutos. Quem vem de Braga pode começar pelo Gerês e entrar por Cabril.

Na prática, o concelho divide-se em duas metades: o planalto e a raia (vila, Alto Rabagão, Vilar de Perdizes, Pitões, Tourém, Paradela) e o Barroso do Gerês (Cabril, Fafião, Ferral e a Misarela). Cada uma enche um dia.

A vila de Montalegre

O castelo

O castelo ocupa o alto de um monte de granito e vê-se de longe. A vila recebeu foral de D. Afonso III em 1273 e tornou-se cabeça das Terras de Barroso; a construção do castelo terá começado nessa época e ficou concluída em 1331, no reinado de D. Afonso IV, como diz uma inscrição na torre sul. Duarte de Armas desenhou-o no Livro das Fortalezas, por volta de 1509. É Monumento Nacional desde 1910.

Lá de cima vê-se a serra do Gerês a poente, o Larouco a nascente e o vale do Cávado a norte.

O Ecomuseu de Barroso

Ao lado do castelo fica o Ecomuseu de Barroso – Espaço Padre Fontes, a sede de uma rede de pólos espalhados pelas aldeias do concelho. É o melhor ponto de partida para perceber o território e saber que pólos estão abertos, porque os horários variam de aldeia para aldeia. Os contactos e horários estão no site do Ecomuseu.

Pitões das Júnias

Pitões é a aldeia mais procurada do concelho e merece meio dia. Fica a mais de 1100 metros de altitude, uma das mais altas do país, entre as fragas do Gerês e o planalto da Mourela. De Montalegre são cerca de 21 km, meia hora de carro, por Covelães.

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias

Num vale estreito abaixo da aldeia estão as ruínas do mosteiro, construído na primeira metade do século XII por monges beneditinos e que passou para a Ordem de Cister em meados do século XIII. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o último monge ficou como pároco de Pitões; um incêndio no século XIX arruinou grande parte das dependências.

A igreja mantém-se de pé, com o portal românico e três arcos do antigo claustro. É Monumento Nacional desde 1950, e a 15 de Agosto a igreja recebe uma romaria.

A cascata de Pitões

O ribeiro de Pitões desce em vários patamares; a primeira queda tem cerca de 30 metros. Do parque de estacionamento da cascata são cerca de 600 metros a pé, em parte em passadiço de madeira e com escadas: leve calçado com boa sola.

Com hora e meia, pode ligar tudo a pé: um percurso de cerca de quatro quilómetros parte do cemitério, passa pelo mosteiro e pela cascata e volta ao centro da aldeia.

Cascata de Pitões das Júnias a cair numa garganta de granito, rodeada de mato e árvores
A cascata de Pitões das Júnias, no Parque Nacional da Peneda-Gerês · Foto: Joseolgon · CC BY 4.0

O Centro Interpretativo do Lobo Ibérico

Em Janeiro de 2024 abriu em Pitões o Centro Interpretativo do Lobo Ibérico, o primeiro do país dedicado a esta espécie, com um interior que recria as armadilhas para lobos do Barroso. Há também um pólo do Ecomuseu. Os dois abrem sobretudo ao fim-de-semana: confirme o horário antes.

Tourém e a raia

Tourém fica a 20 minutos de Pitões. É a única povoação portuguesa a norte da serra do Gerês, na margem do rio Salas, entre aldeias galegas. Foi sede de concelho até ao início do século XIX; hoje a freguesia tem pouco mais de cem habitantes.

Veja o forno comunitário, a igreja matriz e as ruas de granito. O pólo do Ecomuseu, na antiga casa do boi do povo, conta a vida de fronteira: o contrabando, o Couto Misto (o pequeno território autónomo que existiu do lado galego até ao século XIX) e as relações com Espanha.

Ponte da Misarela e a lenda do diabo

A Ponte da Misarela atravessa o rio Rabagão no fundo de um desfiladeiro, a cerca de um quilómetro da foz no Cávado, entre Ferral (Montalegre) e Vieira do Minho. É medieval, reconstruída no início do século XIX, com um único arco de cerca de 13 metros de vão, e é Imóvel de Interesse Público desde 1958. Em Maio de 1809, o exército francês de Soult passou por ela na retirada do Porto.

A lenda. Um malfeitor perseguido pela justiça chegou ao rio sem forma de passar e ofereceu a alma ao diabo em troca de uma ponte. A ponte apareceu, ele atravessou e ela desfez-se atrás dele. Anos depois, arrependido, confessou o pacto a um padre, que foi ao sítio e fez o mesmo acordo; quando a ponte reapareceu, o padre atravessou-a, aspergiu-a com água benta e fez o sinal da cruz. O diabo sumiu e a ponte ficou.

Outra tradição: grávidas que já tinham perdido filhos iam lá à meia-noite, e a primeira pessoa a passar baptizava a criança por nascer com água do rio. Se fosse rapaz chamava-se Gervás; se fosse rapariga, Senhorinha.

Como ir. Do lado de Montalegre, por Ferral, há um parque de estacionamento com miradouro e uns dez minutos a pé até à ponte. Do lado de Vieira do Minho são cerca de 15 minutos, por uma calçada antiga. A volta é a subir.

Ponte da Misarela, de um só arco em pedra, sobre um desfiladeiro de granito coberto de vegetação
A Ponte da Misarela sobre o rio Rabagão · Foto: Joseolgon · CC BY-SA 4.0

Cabril, Fafião e o Barroso do Gerês

Cabril é a freguesia que entra mais fundo no Parque Nacional, com aldeias pequenas pelas encostas: Fafião, Pincães, Xertelo, Lapela, entre outras.

  • Fojo do lobo de Fafião. Uma armadilha de lobos em granito, com muros convergentes de cerca de 64 metros. Segundo a Câmara, é a maior do seu tipo na Península Ibérica, provavelmente do século XVIII. Há também um pólo do Ecomuseu.
  • Praia da Barca. Zona de banho na albufeira de Salamonde, com parque de merendas.
  • Cascatas. Há várias perto das aldeias, como a de Pincães, a meia hora a pé.

Como Cabril fica a quase uma hora da vila, faz sentido dormir deste lado se o plano for caminhar no Gerês.

As barragens: Alto Rabagão, Paradela e Venda Nova

O concelho tem três grandes albufeiras, que marcam a paisagem.

  • Alto Rabagão (ou Pisões). A maior, no rio Rabagão, concluída em 1964: 94 metros de altura, quase 1,9 km de coroamento e cerca de 2200 hectares de albufeira. As aldeias à volta (Parafita, Negrões, Morgade) têm alojamento perto da água.
  • Paradela. No rio Cávado, concluída em 1956, com 112 metros de altura, numa das entradas do Parque Nacional. Perto do paredão fica a aldeia de Sirvozelo.
  • Venda Nova. Mais abaixo no Rabagão, de 1951, com 97 metros, no caminho para a Misarela.

Vilar de Perdizes

A vinte minutos da vila, Vilar de Perdizes é conhecida pelo Congresso de Medicina Popular, fundado em 1983 pelo padre António Fontes, o mesmo da Sexta 13. A 40.ª edição foi de 28 a 30 de Agosto de 2026. A aldeia tem ainda o Santuário do Senhor dos Aflitos, um museu etnográfico e, de dez em dez anos, pela Páscoa, o Auto da Paixão.

O que comer no Barroso

O Barroso tem vários produtos com nome protegido:

  • Carne Barrosã DOP, da raça bovina barrosã.
  • Fumeiro de Barroso-Montalegre IGP: chouriça, salpicão, alheira e sangueira; e o Presunto de Barroso IGP.
  • Cabrito de Barroso IGP e Cordeiro de Barroso IGP.
  • Mel de Barroso DOP, de urze.
  • Batata de Trás-os-Montes IGP, que também se produz em Montalegre.

Nos restaurantes, procure a posta ou a vitela barrosã na brasa e o cozido barrosão. Entre Novembro e Fevereiro a Câmara organiza fins-de-semana gastronómicos do cozido, e em Janeiro faz-se a Feira do Fumeiro (a 35.ª edição foi de 22 a 25 de Janeiro de 2026; a data de 2027 ainda não foi anunciada).

Quando ir

  • Primavera (Abril a Junho). Cascatas com água, campos verdes e o campeonato de chegas de bois de raça barrosã, que se disputa entre Abril e Junho. Boa altura para caminhar.
  • Verão. Dias longos e praias fluviais em Cabril. Em Agosto há as festas do concelho (Senhor da Piedade, na primeira semana), a romaria das Júnias a 15 de Agosto e a Feira do Prémio do gado, na segunda quinta-feira do mês.
  • Outono. Feira dos Santos em Outubro e, em 2026, a Sexta 13 a 13 de Novembro.
  • Inverno. Frio a sério no planalto, com geada e às vezes neve, fumeiro e cozido. As cascatas estão no máximo, mas os caminhos ficam escorregadios.

Roteiro de um ou dois dias

Um dia (planalto e raia). Manhã na vila: castelo e Ecomuseu. Seguir para Pitões das Júnias (meia hora), ver o mosteiro e a cascata e almoçar na aldeia. À tarde, Tourém (20 minutos) e regresso a Montalegre (35 minutos). Se sobrar luz, desvio pela barragem da Paradela.

Segundo dia (Gerês e barragens). Sair da vila pela albufeira do Alto Rabagão, descer até à Venda Nova e à Misarela, pelo lado de Ferral. Almoço em Cabril ou Fafião, visita ao fojo do lobo e, no Verão, fim de tarde na Praia da Barca. Quem voltar para Braga ou para o Porto segue daqui; quem ficar tem quase uma hora até à vila.

Se tiver só uma manhã extra, Vilar de Perdizes fica a 20 minutos da vila, a caminho de Chaves.

Onde dormir em Montalegre e no Barroso

Temos cerca de 25 alojamentos no concelho. Escolha a base pelo roteiro:

Na vila e perto (bom para o planalto e a raia):

Em Pitões e Tourém (para acordar na montanha):

Junto às barragens:

No lado do Gerês (Misarela e Cabril):

Parques de campismo:

  • Geresgreenpark — campismo e caravanismo em Cabril.
  • Nomad Planet — com iurtas e casa na árvore, em Fiães do Rio, perto da Paradela.
  • Vivam — campismo e caravanismo em Medeiros, no planalto, perto da vila.

Veja todas as opções em turismo rural em Montalegre, hotéis em Montalegre e parques de campismo. Se Montalegre estiver cheio, Boticas fica a meia hora da vila: veja a página do concelho de Boticas. Mais sobre o concelho na página de Montalegre.

Perguntas frequentes

Como se chega à cascata de Pitões das Júnias?

De carro até Pitões das Júnias, a meia hora de Montalegre, e ao parque de estacionamento da cascata. Daí são cerca de 600 metros a pé, em parte em passadiço e com escadas.

Qual é a lenda da Ponte da Misarela?

Diz a lenda que o diabo fez a ponte a pedido de um malfeitor em fuga, em troca da alma. Anos depois, um padre fez o mesmo pacto, atravessou a ponte e benzeu-a com água benta; o diabo fugiu e a ponte ficou de pé.

Quantos dias são precisos para ver Montalegre e o Barroso?

Dois dias chegam para o essencial: um para a vila, Pitões das Júnias e Tourém, outro para as barragens, a Misarela e Cabril.

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias pode ser visitado?

Sim. São ruínas ao ar livre num vale abaixo de Pitões, com a igreja ainda de pé, e chega-se a pé a partir da aldeia. É Monumento Nacional desde 1950.

Qual é a melhor altura para visitar o Barroso?

A Primavera e o Outono são boas para caminhar e ver as cascatas com água; o Verão para as praias fluviais de Cabril; o Inverno para o fumeiro e o cozido.

O que comer em Montalegre?

A carne barrosã DOP, grelhada ou no cozido, e o fumeiro de Barroso-Montalegre: chouriça, salpicão, alheira e sangueira. O cabrito e o cordeiro de Barroso e o mel de urze também têm nome protegido.

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