
Do arquivo do trasosmontes.com. Este texto é dos primeiros anos do site (secção Braganç@Net); a cópia mais antiga que se conhece é de março de 2001. É reproduzido como saiu, só com correcções de ortografia; números, contactos e obras referem-se a essa época. Para informação actual, veja a página de Vimioso.
O concelho
O concelho de Vimioso tem 5.880 habitantes, dos quais 6.458 eleitores. O seu feriado municipal é dia 10 de Agosto.
Situa-se na periferia do Nordeste Transmontano, tem cerca de 22 povoações (ver Carção) e cobre uma área de 500 km2. Obteve o seu foral régio no ano 1516 por D. Manuel I. A sua população simples e hospitaleira, vive principalmente da agricultura e da pecuária. Para além dos recursos agrícolas e cinegéticos também tem minas de mármore e alabastro em Santo Adrião, e de volfrâmio em Argoselo. O turismo floresceu devido às atracções e à proximidade da fronteira. Para além de pontes romanas, castros, pelourinhos e casas brasonadas, merece especial atenção o castelo de Algoso construído no reinado de D. Afonso Henriques, e a Igreja Matriz de Vimioso com altares em talha dourada do séc. XVII.
O artesanato é composto por cobre, latoaria, cestaria, curtumes, rendas e tecelagem onde são famosas as colchas e tapetes. Na gastronomia é conhecida a Posta à Mirandesa, fumeiros, vitela, presunto, folares e Lagostim do Angueira - e o excelente vinho tinto maduro. Romarias: Festas de S. Lourenço, Festas de Sta. Bárbara e Nossa Sra. da Saúde, Festas de S. Tiago, Festas de S. Bartolomeu e da Senhora das Dores.
A visitar
Parque Municipal, Minas de mármore de Santo Adrião (estalactites e estalagmites).
O Castelo de Algoso e pelourinho, Igreja Matriz de Vimioso, Igreja Matriz da Casa Municipal da ex-vila de Algoso, Igreja Joanina de Santo Cristo e Cruzeiro artístico de Caçarelhos, ruínas do solar dos Távoras, Santuário de Pereiras.
Romarias
Festas de S. Lourenço (10 de Agosto - Vimioso), Festas de Santa Bárbara e Nossa Senhora da Saúde (Agosto). Festa de S. Tiago (último domingo e segunda-feira de Agosto) - Campo de Víboras. Festas de S. Bartolomeu (24 de Agosto) e da Sra. das Dores (1º domingo de Setembro) em Argoselo. Festa da Sra. das Graças (último domingo de Agosto - Carção).
Gastronomia
Alheiras e fumeiro regional, vitela, presunto e folar. Lagostim do Angueira. Conheça ainda o resto da gastronomia, onde se pode realçar a famosa Posta à Mirandesa, proveniente da carne do gado de raça bovina mirandesa (certificada), que mercê das boas pastagens proporcionadas por microclimas existentes sobretudo na parte norte do concelho, nos permite classificá-la como uma das melhores senão a melhor do País, bem como os pratos derivados das várias espécies cinegéticas e piscícolas que abundam por todo o concelho e poderão ser apreciados à mistura com uma boa pinga da região vinho-tinto-maduro.
Artesanato
Trabalhos em cobre, tecelagem, cestaria, mármores, colchas e curtumes.
Avelanoso
Avelanoso - Origens e vivências
Aldeia estratégica
Por alturas de 1809, a fronteira transmontana era permanentemente ameaçada pelos espanhóis, "nosso inimigo", daí a portaria do Conselheiro de Guerra desta província, com data de 21 de Janeiro do mesmo ano, que apontava para a imediata e pronta fortificação, não só de Avelanoso, como de outros lugares. Construída esta fortificação, dela se podia avistar num círculo de quatro léguas (+/–20Kms), como se dizia na época.
Mas se a portaria apontava a fortificação, não esquecia porém, o factor humano. Nela se propunha um efectivo humano de cerca de cinquenta homens.
A partir daqui estavam criadas as condições para a futura próxima importância que Avelanoso passou a ter, a ponto de Diogo Carneiro Coelho, abade desta freguesia, pretender anexar a vizinha freguesia de Caçarelhos. A esta pretensão opôs-se, tenaz e judicialmente, o abade de Caçarelhos, André Pires Limpo, pelo ano de 1846. Esta demanda seguiu trâmites dentro da hierarquia da Igreja, vindo a sentença a ser favorável ao abade de Caçarelhos, pese o facto desta freguesia, nesta época, já estar a perder importância pela constante perda de população que demandava outras paragens.
Caracterização
Avelanoso, freguesia do concelho de Vimioso, tem boas vias de acesso e a sua principal actividade é a agricultura. Com +/– 250 habitantes residentes, distribuídos por 94 famílias e cerca de 230 alojamentos familiares.
A sua situação geográfica queda-se a norte da sede do concelho, no sopé da Serra do Mó (antigo castro mourisco e mais tarde, romano), que deu origem à conhecida lenda da fonte da moura, lugar onde se ouvia a moura a trabalhar no tear.
Figuras ilustres
Apesar da saída de muitas das suas gentes, queremos por inteira justiça fazer referência a duas personalidades.
Manuel Gonçalves aumentou a capela-mor da Igreja paroquial desta bonita terra de Avelanoso, em 22 de Junho de 1752, há pouco mais de 246 anos, cujo custo foi de 430$00 réis. Para a época, a obra foi considerada importante, já que foi construída de raiz. Diga-se a propósito que do contrato constava que a capela teria pela parte de dentro o comprimento de 26 palmos e de largura 22, para uma altura de 19, enquanto o arco cruzeiro teria de alto 19 palmos, no pé direito e de largo 14, com sua cepa em lugar de vara e imposta em lugar de capitel, e esta caminhará pelos lados para arrancar a abóbada. O mesmo arco será apilarado pela frente, assim se dizia no aludido documento; (anote-se que cada palmo corresponde a 0,22 cm).
Esta obra tem a sua conclusão a 8 de Junho de 1753, conforme contrato. O documento de entrega foi assinado pelo Cura de Avelanoso, Pe. Francisco Martins Parreira.
A outra personalidade foi António José Pires, aqui nascido a 15 de Maio de 1861, filho de João Pires Pinelo e de D. Antónia Pires.
Estudou no Liceu Nacional de Bragança e mais tarde em Coimbra, para lá de muitos cursos e outras escolas, o que lhe conferia o estatuto de pessoa muito culta e de largos conhecimentos.
Exerceu cargos como Bibliotecário - Arquivista do Ministério das Colónias, fiscal do Governo na construção da linha férrea da Beira-Baixa, por nomeação.
Escreveu várias obras e colaborou em muitos jornais e revistas.
Ordens e contributos
Avelanoso foi abadia e pagava ao bispado de Miranda do Douro, por volta de 1577, a quantia de 84:250 réis.
Em todo o caso, é bom reter que em Avelanoso outras Ordens houve que possuíram bens no seu termo, a Ordem Hospitalar, Freires de Alcanices (Ordem dos Templários) e o Mosteiro de Moreirola.
Origem etimológica
Avelanoso - Avelanso - Avelaoso - Aveloso no tempo das inquirições, foram alguns dos nomes prováveis. Segundo se pensa, vem do latim Avelana - Avelã, que quer dizer terra rica em Avelãs ou Avelairas.
Nota:
Avelanoso na perspectiva da professora Isabel Campo
Como não ficaria acabado o trabalho sobre Avelanoso somente com a visão histórica, aqui deixamos em jeito de retoque a pincelada da Tia professora Isabel Campos.
"Em Avelanoso temos uma Igreja matriz e em tempos existiram as capelas de Srª Madalena e Srª Marinha, cujas imagens se encontram hoje num dos altares da nossa Igreja.
Por aqui vivíamos e conhecíamos este céu que nos cobre, e este horizonte a perder de vista.
A agricultura era a principal ocupação e fonte de rendimento. Os nossos campos, apesar de cuidadosamente trabalhados, produziam com escassez, o pão para tanta boca. As pessoas eram simples no viver, mas ricas no convívio. Cada vizinho era mais um familiar. A isto chama-se solidariedade (onde muito se pedia e muito se emprestava), tão arredada das sociedades dos nossos dias. O tempo passava devagar e por isso chegava para tudo. Havia tempo para trabalhar, apesar dos trabalhos do campo serem espinhosos, e tempo para o espírito.
Com o tempo marcado pelo movimento do Sol, o meu povo tinha tempo para o Senhor. Como era bonito o rezar do terço, a bênção da mesa, a oração da manhã, a Via-Sacra, a Santa Missa, o toque das Trindades e das almas, enfim, aquilo que cada um pessoalmente julgava necessário para salvação da alma. Hoje, para o bem ou mal, é a televisão que mata alguns desses tempos livres.
Os tempos de lazer respeitavam as tradições. Era o queimar dos tascos do linho, os jogos das mesas, da bilharda, o esconde-esconde ou escondelinas, os jogos de roda, a fogueira de consoada, o cantar dos Reis, os fantoches, os casamentos no carnaval, enfim, um nunca mais acabar, já que a imaginação é ilimitada.
Mas as gentes de Avelanoso buscam melhor vida e partem por essas terras da estranja.
Com os solstícios a chegar e as saudades a apertar, os filhos de Avelanoso, espalhados pelos quatro cantos do mundo, juntam-se em Agosto, em torno dos seus santos devotos, familiares e amigos, no largo de S. Pedro, sala de visita da nossa terra. Durante este mês duas grandes festividades acontecem, uma em honra de N.ª Sr.ª da Saúde, outra em honra de S. Barnabé.
Como andorinhas depois de nidificar, demandam às terras, onde ganham o pão de cada dia, para regressar no ano seguinte.
E com este vai e vem, como fica o futuro da minha terra?
Bem, o futuro será melhor ou pior, conforme o prepararmos; pais, professores, párocos e autarcas, terão de dar as mãos para defesa da nossa juventude, isto é, do futuro da nossa terra."