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Vila Nova de Foz Côa

Arte rupestre do Côa: o que visitar em Vila Nova de Foz Côa

· 6 min de leitura

Há sítios que nos obrigam a repensar o que julgávamos saber. O Vale do Côa é um deles. Numa paisagem agreste de xisto, vinha e amendoeira, no extremo oriental de Trás-os-Montes e do Douro Superior, encontra-se a maior concentração conhecida de arte rupestre paleolítica ao ar livre do mundo. Milhares de figuras gravadas na rocha há mais de vinte mil anos, à luz do dia, à beira do rio — um testemunho que nos chega directamente das mãos dos primeiros artistas da Europa.

Este artigo reúne o essencial para planear a visita: o que torna a arte do Côa única, o papel do Museu do Côa, como se visitam os núcleos de gravuras, e o que mais há para ver em Vila Nova de Foz Côa e no Douro Superior à volta.

A arte do Côa e porque é única

As gravuras do Vale do Côa foram identificadas no início dos anos noventa, durante os estudos para uma barragem no rio. A descoberta travou a obra e abriu um dos capítulos mais importantes da arqueologia portuguesa. Em 1998, a UNESCO classificou os sítios de arte rupestre do Vale do Côa como Património Mundial.

O que impressiona é a escala e a antiguidade. Ao longo das margens do Côa, e já perto da foz, no Douro, contam-se mais de mil rochas com gravuras, distribuídas por dezenas de sítios. A maior parte das figuras — cavalos, auroques, cabras, veados — pertence ao Paleolítico Superior e foi executada há cerca de vinte e cinco mil anos. Ao contrário da arte das grutas, como Altamira ou Lascaux, a arte do Côa está ao ar livre, gravada em placas de xisto expostas ao céu. É essa raridade que lhe dá valor universal: um santuário a céu aberto, usado e refeito ao longo de milénios, com acrescentos de épocas posteriores, até à Idade do Ferro e aos tempos históricos.

O Museu do Côa

Qualquer visita começa, idealmente, no Museu do Côa, erguido num esporão sobre a confluência do Côa com o Douro. O edifício, de linhas contemporâneas, integra-se na encosta e oferece panoramas amplos sobre o vale e as vinhas em socalcos.

O museu contextualiza a arte rupestre: explica como foi descoberta, como se data, o que representam as figuras e como se insere na pré-história europeia. É também o ponto de partida da experiência, com exposição permanente, auditório e serviços de apoio ao visitante. Mesmo quem não consiga marcar a ida aos núcleos no terreno sai do museu com uma ideia clara do que o Vale do Côa representa. Horários e preços mudam ao longo do ano — confirme e marque antes de ir.

Como visitar os núcleos e marcação

As gravuras não se visitam livremente. Estão protegidas e dispersas por terreno de difícil acesso, pelo que a visita é sempre guiada, no âmbito do Parque Arqueológico do Vale do Côa. De entre as dezenas de sítios conhecidos, apenas três núcleos estão abertos ao público:

  • Canada do Inferno — o primeiro sítio identificado, com partida habitual a partir da sede do Parque, na vila.
  • Penascosa — talvez o mais procurado, com partida a partir de Castelo Melhor.
  • Ribeira de Piscos — com partida a partir de Muxagata.

O visitante é recebido num dos centros de recepção e segue depois em viatura todo-o-terreno, com guia, por caminhos que não se percorrem de automóvel ligeiro. Os grupos são pequenos e os lugares limitados, pelo que a marcação prévia é indispensável, normalmente com bastante antecedência. Alguns núcleos observam-se melhor ao fim do dia, quando a luz rasante faz sobressair os sulcos na pedra. Leve calçado confortável, água e protecção solar. Como tudo isto depende de disponibilidade, horários e condições do terreno, confirme e marque antes de ir.

A vila e os arredores: Douro Superior

Vila Nova de Foz Côa merece tempo para além do museu. O centro histórico guarda um notável pelourinho e a igreja matriz, de portal manuelino, e as ruas convidam a um passeio tranquilo entre cafés e lojas de produtos locais — o azeite, o vinho e a amêndoa são a identidade desta terra.

Ao redor estende-se o Douro Superior, mais seco e mais bravo do que o Douro vinhateiro clássico. No Pocinho, junto ao rio, estão a estação ferroviária — final da linha do Douro — e a barragem, ponto de referência da navegação a montante. É uma paisagem de grande amplitude, de vinhas e olivais em socalcos, miradouros sobre o rio e aldeias de xisto. Se quiser alargar o roteiro ao coração do vinho do Porto, veja o roteiro do Douro em 2 a 3 dias, os miradouros da N222 e as quintas do Douro com alojamento.

Quando ir: as amendoeiras em flor

O Côa é bonito todo o ano, mas tem uma estação mágica. No fim do Inverno, por norma entre finais de Fevereiro e meados de Março, as amendoeiras florescem e pintam de branco e rosa as encostas do Douro Superior. É um dos espectáculos naturais mais celebrados do Norte, e Foz Côa está no seu epicentro. Para planear esta época, veja o guia das amendoeiras em flor no Douro.

Quem procura temperaturas amenas encontra na Primavera e no Outono as melhores condições para as visitas de jipe; o Verão é quente e seco, e o fim da tarde torna-se então o momento ideal. Consulte também a agenda para feiras, festas e eventos durante a estadia.

Como chegar

Vila Nova de Foz Côa fica no Douro Superior, servida pela A24 e por estradas nacionais que a ligam a Vila Real, à Guarda e a Bragança. De comboio, a linha do Douro termina no Pocinho, a poucos quilómetros da vila, num percurso cénico ao longo do rio. De automóvel, a partir do Porto conta-se cerca de duas horas e meia; a partir de Bragança ou da Guarda, pouco mais de uma hora. Confirme horários de comboio antes de viajar.

Onde dormir

A região oferece desde hotéis a casas de campo integradas na paisagem do Douro Superior, muitas com vista sobre o rio e as vinhas. Para passar mais do que um dia — e vale a pena, para conjugar o museu, os núcleos de gravuras e os miradouros — convém reservar com antecedência, sobretudo na época das amendoeiras em flor. Veja as opções em hotéis em Vila Nova de Foz Côa, em turismo rural em Vila Nova de Foz Côa e toda a informação prática do concelho de Vila Nova de Foz Côa.

Perguntas frequentes

É preciso marcar para ver as gravuras do Côa?

Sim. As visitas aos núcleos são sempre guiadas, em viatura todo-o-terreno a partir dos centros de recepção, com lugares limitados. A marcação prévia é indispensável — confirme e marque antes de ir.

Quais os núcleos que se podem visitar?

Estão abertos ao público três núcleos: Canada do Inferno, Penascosa e Ribeira de Piscos. Cada um tem o seu ponto de partida e características próprias.

Posso ver as gravuras sem ir ao terreno?

O Museu do Côa permite compreender toda a história e o significado da arte rupestre, com exposição e contexto, mesmo para quem não consiga marcar a visita aos núcleos.

Qual a melhor altura para visitar?

Primavera e Outono são as estações mais confortáveis. O fim do Inverno coincide com as amendoeiras em flor, um dos espectáculos mais procurados do Douro Superior.

Que idade tem a arte do Côa?

A maior parte das gravuras pertence ao Paleolítico Superior e tem cerca de vinte e cinco mil anos, com acrescentos de épocas posteriores até aos tempos históricos.

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