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Bragança

O que visitar em Bragança: guia prático da cidade e arredores

· 11 min de leitura

Bragança é uma das cidades mais distantes do litoral português e, talvez por isso, uma das que melhor guardou o seu centro histórico. Numa área pequena, que se percorre a pé, junta uma cidadela medieval ainda habitada, um edifício românico sem par na Península Ibérica, uma rua com cinco museus e duas catedrais. A poucos quilómetros começa o Parque Natural de Montesinho, com aldeias de xisto e granito onde o tempo corre mais devagar.

Aqui fica o essencial, com roteiros de um e dois dias. Para a história da cidade, leia também a história de Bragança e o texto sobre os monumentos de Bragança, ambos do arquivo do nosso site.

A cidadela de Bragança

A cidadela é o ponto de partida obrigatório. Ocupa o alto do outeiro de Benquerença, num recinto amuralhado com cerca de 3,2 hectares e perto de 670 metros de perímetro, e continua a ser um bairro com casas, ruas empedradas e vizinhos à janela. Entra-se pela Porta da Vila, a poente, e a rua principal atravessa o recinto até à Porta do Sol, do lado nascente. Conte com duas a três horas para ver tudo com calma.

Castelo e Torre de Menagem

O castelo que hoje se vê foi mandado erguer por D. João I no início do século XV e só ficou concluído no reinado de D. Afonso V. Está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e é um dos castelos mais bem conservados do país. A muralha tem mais de vinte torres, mas o olhar vai sempre para a Torre de Menagem: quadrangular, com cerca de 33 metros e guaritas cilíndricas nos cantos, mostra na fachada sul uma janela geminada e as armas de D. João I.

A Torre de Menagem do castelo de Bragança, rodeada pela muralha com torres circulares
A Torre de Menagem, onde funciona o Museu Militar · Foto: Lídia Maria Faria · CC BY-SA 4.0

Museu Militar

Dentro da Torre de Menagem funciona o Museu Militar de Bragança, criado oficialmente em 1983. Ocupa os quatro pisos da torre e mostra a evolução do armamento ligeiro desde o século XVI até meados do século XX. Mesmo sem interesse por armas, vale a pena pelo terraço no topo, com vista sobre as serras e, nos dias limpos, sobre Espanha. Encerra à segunda-feira e fecha para almoço; confirme o horário e o preço antes de ir.

Torre da Princesa

A poucos metros da Torre de Menagem ergue-se a Torre da Princesa, uma torre mais pequena que servia de residência e não de defesa. O nome vem de uma lenda: uma princesa órfã que recusou quebrar a promessa feita a um pretendente pobre e acabou fechada ali para o resto da vida.

Domus Municipalis

É o monumento mais singular da cidade e o seu símbolo. Trata-se do único exemplar de arquitectura civil românica na Península Ibérica: um edifício de granito com planta pentagonal irregular, que por baixo guarda uma grande cisterna abobadada e por cima uma sala rodeada de arcos, onde se reunia o governo do concelho. A data exacta de construção continua a ser discutida pelos especialistas. É Monumento Nacional desde 1910 e a entrada é gratuita.

A Domus Municipalis de Bragança, edifício românico de granito com uma fiada de arcos, e a torre sineira da Igreja de Santa Maria
A Domus Municipalis, ao lado da Igreja de Santa Maria · Foto: Pedro from Maia (Porto), Portugal · CC BY 2.0

Igreja de Santa Maria

Mesmo ao lado da Domus fica a Igreja de Santa Maria, também conhecida como Nossa Senhora do Sardão, por causa da lenda da imagem da Virgem encontrada num sardão. A origem é medieval, mas o que salta à vista é barroco: o portal do início do século XVIII, com colunas torsas decoradas com cachos de uvas, e a abóbada da nave pintada com arquitecturas em perspectiva e a Assunção ao centro. A entrada é livre.

Pelourinho

Dentro das muralhas, o pelourinho medieval assenta sobre uma escultura muito mais antiga: um berrão, porco de granito proto-histórico com cerca de dois metros de comprimento.

Museu Ibérico da Máscara e do Traje

Ainda dentro das muralhas, este museu inaugurado em 2007 é o sítio certo para perceber as festas de Inverno de Trás-os-Montes e da província de Zamora. Em três pisos mostra máscaras de madeira, lata e cortiça e os fatos de caretos, chocalheiros e outras figuras de um e outro lado da fronteira. Fecha à segunda-feira, excepto na segunda-feira de Carnaval.

A Rua dos Museus e o centro histórico

Descendo da cidadela, a Rua Abílio Beça é conhecida como Rua dos Museus: em poucas centenas de metros concentra cinco espaços culturais. Quase todos encerram à segunda-feira e em alguns feriados; confirme os horários no site de cada museu ou no Posto de Turismo.

  • Museu do Abade de Baçal. O museu mais antigo da cidade, fundado em 1915, está no antigo Paço Episcopal. As catorze salas vão da arqueologia pré-romana e romana à arte sacra, à ourivesaria e à pintura naturalista portuguesa. Tem um jardim tranquilo.
  • Centro de Arte Contemporânea Graça Morais. Aberto em 2008 num solar do século XVIII ampliado por Eduardo Souto de Moura, dedica o primeiro piso à obra da pintora transmontana e o rés-do-chão a exposições temporárias. Tem cafetaria com esplanada.
  • Centro de Interpretação da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano. Inaugurado em 2017, conta a história das comunidades judaicas da região, com um piso inteiro dedicado à Inquisição.
  • Memorial e Centro de Documentação Bragança Sefardita. Complementa o anterior, com uma sinagoga, espaços sobre a vida familiar e o calendário judaico e um arquivo de memória digital. As visitas fazem-se por marcação.
  • Centro de Fotografia Georges Dussaud. Mostra, a preto e branco, as fotografias que o francês ofereceu à cidade: retratos de gentes e lugares de Trás-os-Montes.

A partir daqui, desça até à Praça da Sé, com o cruzeiro do século XVII e a Sé Velha, antiga igreja de um convento de clarissas que passou para os jesuítas e foi catedral a partir de 1764. O interior barroco, com talha dourada e uma sacristia com pinturas sobre a vida de Santo Inácio de Loyola, está entre os melhores da região.

A Igreja de São Vicente, de origem românica e refeita no estilo barroco, é outra paragem obrigatória. Diz a tradição que foi aqui que D. Pedro casou em segredo com D. Inês de Castro, e foi das escadas desta igreja que o general Sepúlveda chamou a população contra os franceses, em Junho de 1808. Dois painéis de azulejo lembram os dois episódios. Perto ficam também as igrejas de São Bento, da Misericórdia e de São Francisco.

Entre a Sé e a cidadela, a Rua Direita e as ruas paralelas marcam o crescimento antigo da cidade fora das muralhas, com solares brasonados e comércio tradicional.

Já fora do centro, a Catedral de Nossa Senhora Rainha, a Sé nova, foi inaugurada em 2001 e é considerada a primeira catedral portuguesa do século XXI. E junto ao rio Fervença, o Centro Ciência Viva de Bragança é uma boa escolha para quem viaja com crianças; tem ao lado a Casa da Seda, num antigo moinho. Ao contrário dos museus, encerra ao domingo e à segunda-feira.

Quanto ao Museu da Língua Portuguesa, que está a ser construído nos antigos silos da cidade: a obra começou em 2021, tem sofrido atrasos e, à data deste artigo, ainda não abriu.

Nos arredores

Castro de Avelãs

A poucos quilómetros a oeste da cidade, a igreja de Castro de Avelãs é o que resta de um dos mosteiros beneditinos mais poderosos de Trás-os-Montes, extinto em meados do século XVI. A cabeceira, com três absides em tijolo decoradas com arcos, segue o românico mudéjar da meseta leonesa e é um caso raro, se não único, em Portugal. Por fora vê-se a qualquer hora; o interior só abre por marcação prévia.

Parque Natural de Montesinho e as aldeias

O Parque Natural de Montesinho começa praticamente às portas da cidade e ocupa o norte dos concelhos de Bragança e Vinhais. Tem lameiros, soutos, carvalhais, lobo, veado e corço. As aldeias são o outro grande motivo para lá ir: Montesinho, que dá nome ao parque, França, junto ao rio Sabor, Gimonde, com a velha ponte de xisto, e sobretudo Rio de Onor, a aldeia comunitária dividida pela fronteira. Para conhecer outras terras do concelho, veja as freguesias de Bragança.

O que comer em Bragança

  • Posta. Carne de vitela, de preferência mirandesa, grelhada em peça alta sobre brasas.
  • Cordeiro e cabrito. Assados no forno, de rebanhos criados nos montes da região.
  • Butelo com casulas. O prato mais característico de Bragança: um enchido feito com ossos pequenos do espinhaço e das costelas do porco, ainda com carne, acompanhado de casulas, as vagens secas do feijão. Em Fevereiro a cidade dedica-lhe um festival.
  • Alheira e fumeiro. Alheiras, salpicões e chouriças de produtores locais aparecem em quase todas as ementas e feiras.
  • Castanha. A Terra Fria é terra de soutos. No Outono a castanha entra em sopas, doces e acompanhamentos, ou simplesmente assada.

Roteiro de 1 dia em Bragança

  • Manhã. Chegue cedo à cidadela. Suba à Torre de Menagem e visite o Museu Militar, veja a Torre da Princesa, a Domus Municipalis, a Igreja de Santa Maria e o pelourinho. Termine no Museu Ibérico da Máscara e do Traje.
  • Almoço. Posta, cordeiro ou, no Inverno, butelo com casulas num restaurante do centro.
  • Tarde. Desça pela Rua dos Museus: escolha entre o Museu do Abade de Baçal e o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, e espreite o centro sefardita. Siga para a Praça da Sé, a Sé Velha e a Igreja de São Vicente.
  • Fim da tarde. Volte ao alto da cidadela ou à Pousada de São Bartolomeu para ver a luz do fim do dia sobre as muralhas.

Roteiro de 2 dias em Bragança

  • Dia 1. O roteiro de um dia, com mais tempo nos museus e na Rua Direita.
  • Dia 2, manhã. Castro de Avelãs, logo à saída da cidade (marque a visita ao interior com antecedência), e depois estrada para o Parque de Montesinho, com paragem em Gimonde ou França.
  • Dia 2, tarde. Rio de Onor e a Casa do Touro, ou a aldeia de Montesinho e um dos percursos pedestres do parque. Com crianças, troque a tarde pelo Centro Ciência Viva.

Quando ir

  • Primavera. Lameiros verdes e temperaturas amenas. No início de Maio realiza-se a Feira das Cantarinhas, de origem medieval, com artesanato e as tradicionais bilhas de barro.
  • Verão. Dias longos e quentes, bons para o centro histórico ao fim da tarde e para os rios do parque.
  • Outono. Talvez a melhor época: a castanha, as cores dos soutos e a brama dos veados em Montesinho.
  • Inverno. Frio a sério, por vezes neve, fumeiro e o Festival do Butelo e das Casulas. É também a época dos caretos e das festas de Inverno em Trás-os-Montes, entre o Natal e o Entrudo.

Como chegar a Bragança

De carro, Bragança fica a pouco mais de 200 km do Porto pela A4, que liga Matosinhos a Quintanilha, junto à fronteira. A viagem demora cerca de duas horas e a auto-estrada tem portagens. De Lisboa, o caminho mais comum é seguir para norte até à A4. Há também autocarros expresso a partir do Porto e de Lisboa. Já não há comboio até Bragança.

O centro faz-se a pé; para Castro de Avelãs e Montesinho, o carro é o mais prático.

Onde dormir em Bragança

Na cidade:

Nos arredores, para quem prefere o campo:

Veja todas as opções de hotéis em Bragança e de turismo rural em Bragança, e mais sugestões na página do concelho de Bragança.

Perguntas frequentes

O que visitar em Bragança num dia?

Num dia dá para ver a cidadela, com o castelo, a Torre de Menagem e o Museu Militar, a Domus Municipalis, a Igreja de Santa Maria e o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, e ainda descer pela Rua dos Museus até à Praça da Sé e à Igreja de São Vicente. O centro histórico é pequeno e percorre-se a pé.

Quanto tempo é preciso para visitar a cidadela de Bragança?

Duas a três horas chegam para percorrer a cidadela e subir à Torre de Menagem. Se juntar o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, conte com meia jornada.

Os museus de Bragança abrem à segunda-feira?

Em regra, não. O Museu Militar, o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, o Museu do Abade de Baçal e o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais encerram à segunda-feira. O Centro Ciência Viva encerra ao domingo e à segunda-feira. Confirme sempre o horário antes de ir, sobretudo em feriados.

A que distância fica Bragança do Porto?

Fica a pouco mais de 200 km, cerca de duas horas de carro pela A4.