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Bragança

Monumentos de Bragança: da cidadela às igrejas e solares

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Castelo e cidadela de Bragança

Do arquivo do trasosmontes.com. Este texto é dos primeiros anos do site (secção Braganç@Net); a cópia mais antiga que se conhece é de outubro de 1997. É reproduzido como saiu, só com correcções de ortografia; números, contactos e obras referem-se a essa época. Para informação actual, veja a página de Bragança.

A cidadela

O Castelo

Singularíssimo núcleo murado e acastelado, no século XII, no lugar de Benquerença, propriedade dos frades beneditinos do poderoso Mosteiro do Castro de Avelãs. Fortaleza de raízes afonsinas, reconstruída e reforçada por D. João I em finais do século XIV, onde será de admirar a Torre de Menagem, a Torre da Princesa e ainda dentro das muralhas, a Domus Municipalis, a Igreja de Santa Maria e o Pelourinho. Edificado por D. Dinis, reconstruído e mais tarde aumentado por D. João I, foi considerado uma peça importante devido à proximidade da fronteira. A Torre de Menagem apresenta na fachada principal a pedra de armas da Casa de Avis, a Torre da Princesa é um magnífico miradouro para a cidade.

Domus Municipalis

Edifício único na Península Ibérica de arquitectura românica. Tem a forma de um pentágono irregular, tem um subterrâneo, composto por uma cisterna abobadada. Foi construído no século XII e muito se tem escrito sobre a finalidade deste edifício mas sem nunca chegar a consenso; uns dizem que servia de cisterna, outros autores têm dúvidas se terá sido esta a sua função. Foi mais tarde adaptado a Paços do Concelho.

Torre de Menagem

Uma das mais belas do país, é um impressionante monumento de arquitectura gótica em Trás-os-Montes com semelhanças de certos castelos das Ilhas Britânicas do mesmo período. Actualmente alberga o Museu Militar.

Torre da Princesa

Eleva-se a partir do interior do Castelo e sabe-se que não se destinava a fins militares e era a dependência da casa dos governadores ou alcaides. Por não ser conhecida a origem da sua denominação sempre foi motivo de lendas e histórias populares.

Igreja de Santa Maria

É de origem românica mas ainda hoje misteriosa, adquire estilo barroco devido ao seu restauro no século XVIII. O portal principal, de estilo barroco, é ladeado de colunas salomónicas decoradas. Tem uma interessante pintura interior que data do século XVIII.

Pelourinho

Também chamado "Porca da Vila" é constituído por uma coluna onde, se divisa a tradição romana no sileno que a encima, a Idade Média no escudo das armas de Bragança, ornamentos e figuras e ainda a figura pré-histórica na sua base de granito que representa um berrão, o qual segundo os entendidos era um ídolo. Sabe-se de facto que o culto dos berrões era uma prática muito peculiar dos primitivos povos de Trás-os-Montes.

O centro da cidade

No centro da cidade, já fora da cidadela bragantina existem excelentes monumentos dignos de ser apreciados: a Praça da Sé, o Cruzeiro, a Sé Catedral e o Palacete dos Calaínhos.

Cruzeiro

Erguido no centro da praça da Sé em 1689 é constituída por um capitel adornado com cachos de uvas, parras e decorações geométricas.

Sé Catedral

A Sé Catedral de Bragança data do século XVI. A sua fundação deve-se ao Duque D. Teodósio e à Câmara. Durante um período de tempo esteve ocupado pelos padres Jesuítas que aí instalaram um colégio. Após a expulsão dos Jesuítas, a Sé reverteu à coroa e mais tarde foi doado à mitra de Miranda, sendo mais tarde transferida para Bragança. Na sua arquitectura é de salientar o seu portal renascentista com influências barrocas.

Palacete dos Calaínhos

Casa nobre seiscentista, com a pedra de armas sobre a portada central. Pertenceu ao General João Sarmento Pimentel, que combateu na Guerra dos Sete Anos, em Calais. Em frente à Sé, é uma bela residência nobre do século XVIII. O seu andar nobre tem nove portadas com uma bela fiada de varandas cingidas por agradáveis grades de ferro.

As igrejas

Convento e Igreja de S. Francisco

Templo conventual de grande envergadura de origem românica, foi reedificado no século XVII. Diz a lenda que foram criados na presença do próprio S. Francisco de Assis numa das suas peregrinações a Santiago de Compostela, a Rainha Santa Isabel concedeu-lhe valiosa protecção por ter sido o primeiro convento que visitou ao entrar em Portugal, vinda do Reino de Aragão ao encontro de D. Dinis. A capela de Nossa Senhora da Conceição está ricamente decorada a talha dourada.

Igreja de S. Bento

Construída em 1590 pertenceu ao mosteiro de S. Bento. A sua principal fundadora foi D. Maria Teixeira cuja pedra de armas está esculpida no interior do templo. Pode-se encontrar um simples frontão em estilo barroco, e com o tecto do estilo renascentista decorado com cenas bíblicas. O retábulo do altar-mor constitui um típico exemplar da talha sumptuosa do século XVIII.

Igreja de S. Vicente

Aos seus vestígios românicos do séc. XIII, a reconstrução do século XVII acrescenta o estilo barroco, de onde se destaca o altar-mor, a talha dourada e o conjunto de azulejos e apologéticos da bravura nacional. A capela-mor tem decoração barroca e é particularmente rica em obra de talha dourada. Segundo a tradição, ter-se-á realizado neste templo o casamento secreto de D. Inês de Castro e D. Pedro. No lado lateral foi colocado um painel de azulejos representando o General Sepúlveda que do patamar lateral lançou em 1808 a sua proclamação contra a ocupação napoleónica, exortando o povo à rebelião.

Igreja da Misericórdia

Construída durante o século XIV e dedicada ao Espírito Santo, mais tarde foi reconstruída e ampliada em 1539 para se estabelecer a misericórdia. Um dos mais belos exemplares do maneirismo seiscentista é o altar-mor. Na capela lateral, que data dos finais do século XVIII, encontra-se a imagem do Senhor dos Paços.

Igreja do Mosteiro de Castro de Avelãs

Situado já fora dos limites da cidade e construído, no século XII, pelos monges beneditinos, desempenhou papel preponderante no povoamento da região e como hospedaria para os peregrinos da rota de Santiago de Compostela. Pertenceu a um antigo mosteiro de que já não existem vestígios e que até ao século XVI foi seguramente o núcleo de vida monacal mais proeminente de Trás-os-Montes. Sabe-se que já era abastado e usufrutário de múltiplas rendas no século XII, a sua extinção deu-se em 1543. Este mosteiro recebeu como hóspede em 1387 o Duque de Lencastre aquando do seu encontro com D. João I no planalto de Babe, onde foi assinado o histórico Tratado de Babe.

Outros locais de interesse

Paço Episcopal

Construído no século XV, foi mais tarde restaurado no século XVIII. Em 1897 instalou-se aqui o museu Abade de Baçal.

Catedral Nova

Vai ser certamente um marco que marcará em termos arquitectónicos o século XX em Bragança. Embora ainda em construção prevê-se a sua conclusão brevemente.

Palacete de Vargas

Solar setecentista brasonado, é actualmente ocupado pela Agência do Banco de Portugal. A fotografia mais antiga deste edifício - anos 30 ou 40 - apresenta uma fachada menos monumentalizada. Foi remodelado na década de 50 devido à sua conversão para edifício público.

Casa do Arco

É mais um exemplo da arquitectura seiscentista, tem a sua fachada principal em pedra e as armas dos Pimentéis no andar nobre. Em finais do século XVII foi construído um arco de maneira a ligar as duas ruas.

Solar dos Teixeiras

Casa brasonada no cunhal, o que indicia nobreza bastarda, onde curiosas janelas com almofadas são interrompidas por uma insólita varanda de sacada. Encontra-se actualmente em restauro.

Ponte do Jorge

Ponte quinhentista com um arco, projectada pelo arquitecto Pero de la Faia.

Seminário Maior de S. José

Instalado até 1910 no edifício contíguo à Sé Catedral, foi por esta altura transferido para a Avenida do Sabor. Ocupa um prédio espaçoso de traço elegante e ajardinado.