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Montalegre

Sexta-feira 13 em Montalegre: a Noite das Bruxas, a 13 de Novembro de 2026

· 10 min de leitura

Em Montalegre, o dia que noutros sítios dá azar é dia de festa. Sempre que o calendário traz uma sexta-feira 13, a vila do Barroso enche-se de bruxas, demónios, fogueiras e música, e o castelo serve de palco a uma das maiores festas de rua do país. Chama-se "Sexta 13 – Noite das Bruxas", é organizada pela Câmara Municipal de Montalegre e a próxima é já na sexta-feira, 13 de Novembro de 2026.

Explicamos de onde vem a festa, o que se passa, como chegar e onde dormir, que é o que mais depressa se esgota.

Quando é a próxima Sexta 13 em Montalegre

A Sexta 13 faz-se em todas as sextas-feiras 13 do ano, e por isso o número de edições muda de ano para ano. Em 2026 houve três no calendário: a de Fevereiro foi cancelada por causa do mau tempo, a de 13 de Março realizou-se e a última do ano é a de 13 de Novembro. A 23 de Setembro, a Câmara abriu as candidaturas para os espaços de venda e animação da edição de Novembro, o que a confirma.

O programa de Novembro de 2026 ainda não foi publicado. Costuma sair nos dias antes da festa, no site e nas redes sociais do Município. Este artigo será actualizado quando houver cartaz.

Depois de Novembro, a seguinte é na sexta-feira, 13 de Agosto de 2027, a única sexta-feira 13 desse ano. Será uma Noite das Bruxas de Verão, em pleno mês de férias, o que torna ainda mais importante reservar cedo.

De onde vem a Noite das Bruxas

A Sexta 13 de Montalegre começou em 2002. A figura por trás dela é o padre António Lourenço Fontes, natural de Cambeses do Rio, no concelho, que desde 1983 anima em Vilar de Perdizes o Congresso de Medicina Popular, o encontro de ervanários, curandeiros e estudiosos das crenças populares que em 2026 chegou à 40.ª edição.

Segundo os relatos da imprensa, tudo começou com jantares temáticos em três restaurantes da vila, na linha das noites de bruxas que já se faziam à volta do congresso. No fim de cada jantar, o padre Fontes passava pelas mesas a preparar a queimada e a dizer o esconjuro. A adesão foi tal que a festa passou para o mercado municipal e, mais tarde, para o castelo e as ruas à volta. Hoje junta, segundo a imprensa regional, dezenas de milhares de pessoas numa vila de poucos milhares de habitantes.

O padre Fontes, que fez 86 anos em 2026, dá também nome ao espaço do Ecomuseu de Barroso junto ao castelo, e em Março de 2026 ainda visitou a festa durante o dia.

A queimada e o esconjuro

A queimada é o momento mais conhecido da noite. É uma bebida de tradição galega e barrosã: aguardente com açúcar, e muitas vezes café, fruta e mel, a que se pega fogo num grande recipiente de barro. Enquanto a chama azul arde, diz-se em voz alta um esconjuro contra as bruxas, os maus-olhados e os males do corpo, e no fim bebe-se. Em Montalegre, o esconjuro da queimada ficou associado ao padre Fontes e é, desde o início, a imagem de marca da Sexta 13.

Duas personagens caracterizadas, uma bruxa de vestido vermelho e um demónio com chifres, junto às muralhas do castelo
Bruxa e demónio junto ao castelo, numa edição anterior da Sexta 13 em Montalegre · Foto: Turismo En Portugal · CC BY 2.0

O que acontece na Sexta 13

O formato repete-se de edição para edição, mas cada uma tem o seu espectáculo. Nas últimas edições foi assim:

  • Às 13h13 abre a festa, com a feira de comes e bebes e a animação de rua. Durante a tarde há bruxas, bruxos e demónios a desfilar pela vila, com música, gaitas e bombos.
  • À noite há dois palcos: um na Praça do Município, com concertos, e outro no castelo, onde se faz o espectáculo principal.
  • No castelo representa-se, com teatro, fogo e música, a luta entre o bem e o mal, com personagens do imaginário do Barroso. A noite fecha, já tarde, com um piromusical: fogo-de-artifício ao som de música.
  • Por toda a vila há bancas de fumeiro, licores e artesanato e muita gente mascarada. A entrada é livre.

As horas exactas dos concertos e do espectáculo do castelo mudam a cada edição: confirme-as no programa oficial quando for publicado.

Dicas para aproveitar a noite

  • Chegue cedo. O melhor é chegar a meio da tarde, ver a vila de dia e jantar antes de as ruas encherem. Depois das nove da noite, andar entre a praça e o castelo leva tempo.
  • Estacionamento e trânsito. A Câmara corta ou condiciona várias ruas do centro, algumas já a partir da véspera, e reserva avenidas e o acesso ao campo da feira aos autocarros a partir do fim da tarde de sexta. Conte com deixar o carro na periferia e andar a pé; a vila é pequena e tudo se faz em 15 a 20 minutos. À saída, depois do fogo-de-artifício, há filas para sair da vila: não tenha pressa.
  • Autocarros organizados. Várias agências fazem viagens de ida e volta no próprio dia a partir do Porto e de outras cidades, com jantar incluído. São uma boa alternativa para quem não quer conduzir à noite.
  • Vá agasalhado. Montalegre fica a cerca de mil metros de altitude, no planalto do Barroso. Em Novembro, à noite, a temperatura pode andar perto dos zero graus, pode chover e haver nevoeiro. Casaco quente, gorro e calçado impermeável fazem diferença, sobretudo à espera do espectáculo no castelo.
  • Multidões. Combine um ponto de encontro com o grupo e com as crianças.

Onde e o que comer

A Sexta 13 é também uma festa gastronómica. O Barroso tem alguns dos produtos com nome protegido mais conhecidos de Trás-os-Montes: a carne barrosã DOP, da raça bovina barrosã, criada no Barroso, e o fumeiro de Barroso-Montalegre, com chouriça, salpicão, alheira e sangueira de indicação geográfica protegida, além do presunto de Barroso IGP.

Nos restaurantes da vila, pense em posta ou vitela barrosã na brasa, cozido com fumeiro e, a acompanhar, pão centeio e vinho da região. Nos dias da Sexta 13 os restaurantes enchem e muitos só aceitam reservas: marque mesa com antecedência ou jante cedo. Nas bancas da feira há petiscos e fumeiro para comer de pé. Quem gostar do fumeiro deve voltar em Janeiro, para a Feira do Fumeiro de Montalegre.

O que ver em Montalegre no fim-de-semana

Se ficar para sábado, há muito que ver no concelho, que tem parte do seu território no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Deixamos só as primeiras ideias; um roteiro mais completo do Barroso ficará para outro artigo.

  • Castelo de Montalegre. Monumento Nacional desde 1910, no alto da vila, com a torre de menagem do século XIV. Dá para subir e ver o planalto à volta.
  • Ecomuseu de Barroso – Espaço Padre Fontes. Junto ao castelo, apresenta o território, as tradições e os pólos espalhados pelas aldeias do concelho. É o sítio certo para perceber de onde vem o imaginário da Sexta 13.
  • Pitões das Júnias. Aldeia serrana com as ruínas de um mosteiro medieval e uma cascata a pouca distância.
  • Tourém. Aldeia raiana, encaixada entre a fronteira e a serra, com casas de granito e ruas estreitas.
  • Ponte da Misarela. Ponte de pedra sobre o rio Rabagão, com uma lenda que mete o diabo, bem a propósito do fim-de-semana.

Portão vermelho do Ecomuseu de Barroso, Espaço Padre Fontes, em muro de granito, com uma torre do castelo ao fundo
Entrada do Ecomuseu de Barroso – Espaço Padre Fontes, ao pé do castelo · Foto: Joseolgon · CC BY-SA 4.0

Mais informação sobre o concelho, as aldeias e os alojamentos na página de Montalegre.

Para um roteiro completo do concelho, com Pitões das Júnias, Tourém, a Ponte da Misarela e as barragens, veja o nosso guia do que visitar em Montalegre e no Barroso.

Como chegar a Montalegre

Montalegre fica no Alto Tâmega e Barroso, perto da fronteira com a Galiza. De carro:

  • Do Porto: cerca de 150 km, 2 horas.
  • De Braga: cerca de 90 km, hora e meia, pela N103, uma estrada de montanha com muitas curvas.
  • De Chaves: cerca de 40 km, 45 minutos.
  • De Vila Real: cerca de 95 km, hora e um quarto a hora e meia.

Não há comboio até Montalegre, e para a Sexta 13 o carro ou uma excursão organizada são as opções mais práticas. No regresso, de noite, pode haver nevoeiro e geada.

Onde dormir na Sexta 13

É aqui que a festa se decide. Nos dias da Sexta 13 o alojamento de Montalegre esgota com antecedência, e as casas e hotéis de Boticas, Chaves e até da Galiza vizinha também enchem. Se pensa ir a 13 de Novembro de 2026, reserve já; para Agosto de 2027, reserve assim que tiver a data fechada. Duas noites, sexta e sábado, permitem fazer a festa sem pressa e aproveitar o sábado no Barroso.

Na vila e à volta, a poucos minutos de carro, algumas sugestões:

  • Casa Zé Maria — casa de campo num imóvel classificado, no centro da vila, a pé do castelo. Fica numa das ruas com trânsito cortado na festa: pergunte ao proprietário onde deixar o carro.
  • Casa Fontes da Mijareta — turismo de habitação com nove quartos, a pouco mais de um quilómetro do centro.
  • Hotel Rural Senhora dos Remédios — três estrelas, com restaurante, em Cambeses do Rio, a terra natal do padre Fontes, a cerca de 10 minutos.
  • Casa do Seminário — casa senhorial do século XVIII em Gralhas, a cerca de 10 minutos.
  • Casa Sala do Capitão — casa de campo com três quartos em São Vicente da Chã, a uns 6 minutos.
  • Belas Vistas Hotel — hotel rural em Parafita, com restaurante e vista para a albufeira do Alto Rabagão, a cerca de 12 minutos.

Se Montalegre estiver cheio, Boticas fica a meia hora, com o Boticas Hotel – Art & SPA, e Chaves a 45 minutos, com muitos mais hotéis (ver hotéis em Chaves). Veja todas as opções em turismo rural em Montalegre e hotéis em Montalegre.

Se gosta de festas com máscaras e fogueiras, no Inverno há mais em Trás-os-Montes: veja o nosso guia das festas de Inverno e dos caretos.

Perguntas frequentes

Quando é a próxima Sexta-feira 13 em Montalegre?

A próxima é na sexta-feira, 13 de Novembro de 2026, e a seguinte na sexta-feira, 13 de Agosto de 2027. A Câmara de Montalegre faz a Noite das Bruxas em todas as sextas-feiras 13 do ano, salvo cancelamento por mau tempo, como aconteceu em Fevereiro de 2026.

Já há programa da Sexta 13 de Novembro de 2026?

Ainda não. A Câmara abriu as candidaturas para os espaços da festa em Setembro de 2026 e costuma divulgar o programa nos dias anteriores. Nas últimas edições a festa abriu às 13h13, com concertos à noite na Praça do Município e o espectáculo principal e o piromusical no castelo.

Quem criou a Noite das Bruxas de Montalegre?

A festa começou em 2002 e está ligada ao padre António Fontes, o sacerdote e etnógrafo de Montalegre que fundou em 1983 o Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes. A queimada com o esconjuro, que ele celebrizou, continua a ser o símbolo da Sexta 13.

Onde ficar se Montalegre estiver esgotado?

Procure nas aldeias do concelho, a 5 a 15 minutos da vila, e depois em Boticas (meia hora) e Chaves (45 minutos). Em qualquer caso, reserve o mais cedo possível.

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