Lamego é uma das cidades mais antigas e nobres do interior Norte, encavalitada entre a serra das Meadas e o rio Douro, já em pleno coração da região demarcada mais antiga do mundo. Teve bispado documentado desde o século VI, foi praça importante na Reconquista e, séculos mais tarde, cobriu-se de talha dourada, azulejo e granito barroco. O resultado é uma cidade pequena mas densa, onde se caminha de monumento em monumento sem pressa, entre casas brasonadas, caves de espumante e tabernas de enchidos.
Este guia reúne o essencial do que visitar em Lamego, do célebre escadório da Senhora dos Remédios à capela mais antiga da cidade, com sugestões de arredores no Douro e de onde ficar. Como horários e preços mudam com frequência, não os indicamos aqui: confirme sempre antes de ir, sobretudo em dias de festa e fora da época alta.
Santuário de Nossa Senhora dos Remédios
É a imagem de marca de Lamego e, provavelmente, o motivo da sua visita. O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios ergue-se no alto do monte de Santo Estêvão, no fim de um monumental escadório barroco de 686 degraus, distribuídos por lances e patamares decorados com capelas, fontes, obeliscos, estátuas e painéis de azulejo. A subida, em zigue-zague, é um exercício de fé e de paciência — mas pode encurtar-se, pois há estrada que leva de automóvel até junto à igreja, no cimo.
O conjunto foi construído sobretudo ao longo do século XVIII e a igreja terá sido inaugurada em meados desse século. O ponto alto do escadório é o chamado Pátio dos Reis, com a sua fonte e a escadaria dupla. Lá de cima, a vista sobre a cidade e o vale é magnífica. A grande romaria realiza-se todos os anos em Setembro e é uma das mais concorridas do Norte; para as datas certas, consulte a agenda.
Sé e centro histórico
Desça depois ao centro para visitar a Sé de Lamego. O bispado é antiquíssimo, mas o edifício actual começou a ser erguido em meados do século XII, com patrocínio de D. Afonso Henriques. Do românico resta a imponente torre sineira, da segunda metade do século XII; a frontaria, de três portais profusamente lavrados, é já manuelina, do século XVI. No interior, não perca os tectos pintados a fresco e a talha dourada das capelas.
Em redor estende-se o centro histórico, com ruas de comércio tradicional, igrejas barrocas e o antigo bairro medieval. É zona de passeio a pé, ideal para provar a doçaria e espreitar as montras das casas de enchidos.
Castelo e cisterna
No ponto mais alto da cidade velha guarda-se o Castelo de Lamego. Do conjunto medieval subsistem a torre de menagem, do século XII, troços de muralha e, sobretudo, uma notável cisterna abobadada, considerada um dos melhores exemplares entre os castelos portugueses. A subida faz-se por ruelas estreitas e vale a pena pela atmosfera e pelas vistas. Confirme antes de ir se a torre e a cisterna estão abertas a visita.
Museu de Lamego
Instalado no antigo Paço Episcopal, o Museu de Lamego é tido como um dos melhores museus regionais do país. Foi criado em 1917 para salvaguardar arte sacra da região e guarda hoje um acervo de primeira água. Entre as peças de maior relevo contam-se o conjunto de tapeçarias flamengas, tecidas em Bruxelas na primeira metade do século XVI e classificadas como Tesouro Nacional, além de pintura, talha, ourivesaria e um conjunto de painéis de Grão Vasco. Reserve-lhe tempo: é visita de pelo menos uma hora.
Capela de São Pedro de Balsemão
A poucos quilómetros do centro, na freguesia da Sé, esconde-se uma raridade: a Capela de São Pedro de Balsemão. É o mais antigo monumento de Lamego e um dos mais antigos templos cristãos da Península Ibérica, de origem suévico-visigótica, com raízes que alguns autores recuam ao século VII (há mesmo quem aponte uma inscrição de 588). A datação exacta é discutida entre historiadores, mas a sua antiguidade e raridade não o são: trata-se de um dos escassos exemplos de arquitectura alto-medieval em Portugal, de planta de três naves e decoração geométrica. No interior guarda-se ainda um túmulo gótico. Por ser um espaço pequeno e sensível, confirme horários e condições de visita antes de se deslocar.
O que comer em Lamego
Lamego é terra de boa mesa. A rainha indiscutível é a bola de Lamego, um pão recheado, tradicionalmente feito com restos da massa do pão e um generoso recheio de presunto, salpicão e carne em vinha-de-alhos; parte-se em fatias e come-se quente ou fria, à mesa ou em piquenique. Leve a receita na algibeira e faça-a em casa: veja a nossa receita da bola de Lamego.
Acrescente os enchidos e presuntos da região, o cabrito e a doçaria conventual. E, claro, o espumante: Lamego é berço do espumante natural português, com casas históricas como a Raposeira a produzirem pelo método clássico. Uma visita a caves, com prova, é um dos melhores programas da cidade — confirme se é necessário marcar.
Arredores e Douro
Lamego é uma excelente porta de entrada para o Douro vinhateiro. A sul e a norte abrem-se vales de socalcos, miradouros e quintas que se podem visitar e onde se dorme. Da cidade chega-se depressa à Régua e ao rio, e dali seguem-se as estradas mais cénicas do país.
Se tem dois ou três dias, siga o nosso roteiro do Douro em 2-3 dias e não perca a lendária estrada dos miradouros, a N222. Para dormir entre vinhas, veja as nossas quintas do Douro com alojamento.
Como chegar
Lamego fica no distrito de Viseu, mas em plena região do Douro. De automóvel, é o meio mais prático: liga-se bem pela A24 (sentido Viseu–Vila Real) e está a curta distância da Régua, do outro lado do rio. De comboio, a estação mais próxima é a do Peso da Régua, na Linha do Douro, a cerca de dez minutos de carro; de lá há ligações rodoviárias e táxi. Há ainda camionagem a partir das principais cidades do Norte.
Onde dormir
Lamego tem oferta para todos os gostos, da cidade às quintas do vale. Para comparar opções, veja os nossos hotéis em Lamego e o turismo rural em Lamego, e conheça todo o território no concelho de Lamego.
Perguntas frequentes
Quantos degraus tem o escadório da Senhora dos Remédios?
O escadório barroco do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios tem 686 degraus, distribuídos por vários lances e patamares ornamentados. Quem não quiser subir a pé pode chegar de automóvel ao topo, junto à igreja.
O que é imperdível em Lamego num só dia?
Num dia dá para ver o essencial: o Santuário dos Remédios e o escadório, a Sé e o centro histórico, o Museu de Lamego e o Castelo. Se sobrar tempo, acrescente a Capela de São Pedro de Balsemão e uma prova de espumante.
A Capela de São Pedro de Balsemão é mesmo tão antiga?
É o monumento mais antigo de Lamego, de origem suévico-visigótica, com raízes que vários historiadores situam no século VII. É um dos templos cristãos mais antigos da Península Ibérica, embora a datação exacta seja objecto de debate.
Vale a pena visitar caves de espumante em Lamego?
Sim. Lamego é berço do espumante natural português e tem casas históricas que fazem visitas com prova. É um dos programas mais interessantes da cidade; confirme antes se precisa de marcação.
O que levar de Lamego para provar em casa?
A bola de Lamego, enchidos e presunto, espumante da região e doçaria. Para recriar o sabor mais típico, experimente a nossa receita da bola de Lamego.
