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Chaves

O que visitar em Chaves e arredores: roteiro de um e dois dias

· 12 min de leitura

Chaves é uma cidade de fronteira que se percorre a pé. Numa área pequena, junto ao Tâmega, estão uma ponte romana ainda em uso, as ruínas de umas termas romanas, uma torre de menagem medieval, um forte do século XVII e um museu de arte contemporânea de Álvaro Siza Vieira. A Galiza fica a meia hora de carro, e na cidade começa a Estrada Nacional 2, que atravessa o país até Faro.

Aqui fica o essencial, com roteiros de um e dois dias, ideias para crianças e onde dormir. As termas têm um artigo próprio: Termas de Chaves, Vidago e Pedras Salgadas.

O centro histórico

Comece pela Rua Direita, a rua mais conhecida da cidade velha, com as varandas de madeira que são a imagem de Chaves: foram acrescentadas às fachadas para ganhar espaço em casas pequenas. A rua sobe até à Praça de Camões, com o pelourinho na parte alta.

A Praça de Camões é o centro da cidade antiga. À volta estão:

  • Igreja Matriz de Santa Maria Maior, a igreja principal da cidade.
  • Igreja da Misericórdia, do século XVII e de estilo barroco, com as paredes interiores cobertas de azulejos do século XVIII com cenas bíblicas e um tecto de madeira pintado com a Visitação.
  • Museu da Região Flaviense, no antigo Paço dos Duques de Bragança. Fundado em 1929, tem arqueologia da região, uma galeria de Nadir Afonso e o Padrão dos Povos, uma coluna romana encontrada em 1980 no leito do rio.

A ponte de Trajano e o Museu das Termas Romanas

A ponte de Trajano atravessa o Tâmega desde o fim do século I ou o início do século II. Tem cerca de 150 metros, uma dúzia de arcos à vista e, a meio, duas colunas com inscrições latinas. É Monumento Nacional desde 1910 e só para peões desde 2008. Liga o centro histórico ao bairro da Madalena.

Perto da ponte, no Largo do Arrabalde, fica o Museu das Termas Romanas, sobre as ruínas das termas medicinais da antiga Aquae Flaviae. Falamos dele, das termas actuais e das piscinas termais no artigo sobre as termas de Chaves, Vidago e Pedras Salgadas.

O castelo, a torre de menagem e o Museu Militar

Do castelo medieval resta sobretudo a torre de menagem: quadrangular, com cerca de 28 metros de altura, ameias e pequenos balcões nos cantos. Começou a ser construída no reinado de D. Afonso III, que deu foral a Chaves em 1258, e as obras continuaram com D. Dinis. Depois do cerco de 1385, D. João I doou Chaves a D. Nuno Álvares Pereira, que a deixou em dote à filha, D. Beatriz. É Monumento Nacional desde 1938.

À volta da torre há um jardim dentro das muralhas. Dentro da torre funciona, desde 1978, o Museu Militar, em quatro pisos: armas e réplicas da época de D. João I, as Invasões Francesas (com peças ligadas ao general Silveira), a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Colonial. As fontes oficiais não coincidem no dia de encerramento semanal: confirme antes de ir.

O Forte de São Francisco

No alto da Pedisqueira, sobranceiro ao centro, o Forte de São Francisco foi construído entre 1658 e 1662, durante a Guerra da Restauração, à volta de um convento franciscano do início do século XVI, o de Nossa Senhora do Rosário. É Monumento Nacional desde 1938.

Desde 1997, o Forte de São Francisco é um hotel de quatro estrelas, com os edifícios do antigo convento dentro das muralhas abaluartadas. Mesmo sem lá dormir, pode ver as muralhas por fora ou marcar uma refeição no restaurante do hotel, com vista sobre o centro histórico, o castelo e o vale.

O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

Nadir Afonso nasceu em Chaves a 4 de Dezembro de 1920 e morreu em 2013. Arquitecto de formação, trabalhou com Le Corbusier e Oscar Niemeyer antes de se dedicar à pintura geométrica. Em 1982 ofereceu quinze obras ao Município, o núcleo da colecção.

Fachada de betão branco do Museu Nadir Afonso, com um corpo em consola sobre a entrada e árvores no relvado
O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, de Álvaro Siza Vieira · Foto: D s p m · CC BY-SA 4.0

O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA) abriu em Julho de 2016, num edifício de Álvaro Siza Vieira na Avenida 5 de Outubro, a pouco mais de meio quilómetro do castelo. Em 2017, o edifício foi um dos 40 finalistas do Prémio Mies van der Rohe de arquitectura. Tem quatro salas, com a obra de Nadir Afonso e exposições temporárias, biblioteca, auditório e bar.

Fecha à segunda-feira. Em Setembro de 2026, o site do museu indicava entrada geral a 5 €, gratuita até aos 18 anos e com desconto de 50 % para maiores de 65 anos. Confirme o horário antes de ir, porque muda entre o Inverno e o Verão.

O quilómetro zero da Estrada Nacional 2

A Estrada Nacional 2 começa em Chaves e acaba em Faro, cerca de 739 quilómetros depois. O marco do km 0 está no bairro da Madalena, do outro lado da ponte, numa rotunda junto ao Jardim Público, coberto de autocolantes de quem faz a viagem. Para sul, a primeira etapa passa por Vidago e Pedras Salgadas.

Nos arredores de Chaves

Castelo de Monforte de Rio Livre

A cerca de 14 quilómetros a leste, na freguesia de Águas Frias, o castelo de Monforte ergue-se numa encosta da serra do Brunheiro, com vista sobre o vale. Foi sede do antigo concelho de Monforte de Rio Livre, que recebeu foral de D. Afonso III em 1273 e foi extinto em 1853. As obras de D. Dinis ficaram concluídas em 1312: uma torre de menagem quadrangular, com cisterna abobadada por baixo, e muralhas reforçadas por torres. É Monumento Nacional desde 1950.

Torre de menagem e muralha do castelo de Monforte, em granito, no alto de uma encosta com mato seco
O castelo de Monforte de Rio Livre, em Águas Frias · Foto: João Carvalho · CC BY-SA 3.0

O castelo é de acesso livre. O último troço faz-se por um caminho de terra com cerca de um quilómetro, a partir da estrada de Chaves para Bragança (N103), que nem sempre está em bom estado. Conte com 20 minutos de carro desde Chaves.

Vidago e Pedras Salgadas

A sul, pela antiga EN2, ficam Vidago (a 20 minutos) e Pedras Salgadas (a 35), com os parques termais do século XIX. Estão no nosso artigo sobre as termas de Chaves, Vidago e Pedras Salgadas.

Verín e a Galiza ali ao lado

Chaves e Verín formam, desde 2007, a Eurocidade Chaves-Verín, com sede na antiga alfândega espanhola de Feces de Abaixo, mesmo na fronteira. Verín fica a cerca de 25 quilómetros, meia hora de carro. Lembre-se de que na Galiza é mais uma hora do que em Portugal.

  • Castelo de Monterrei. No alto de um monte sobre Verín, é uma das fortalezas mais completas da Galiza: torre de menagem do século XV com 22,5 metros, paço dos condes com galerias renascentistas e uma igreja gótica. O Concello de Monterrei organiza visitas guiadas de quarta a domingo; marque pelo posto de turismo de Monterrei.
  • Entroido de Verín. O Carnaval de Verín, com os cigarróns mascarados, é Festa de Interesse Turístico Nacional em Espanha e dura cerca de duas semanas até ao Carnaval (que em 2027 é a 9 de Fevereiro). Liga-se bem às festas de Inverno em Trás-os-Montes.
  • De bicicleta. A Ecovia do Tâmega liga Chaves a Verín ao longo do rio, com mais de 30 quilómetros e um perfil praticamente plano.

O que comer em Chaves

Pastel de Chaves

O pastel de Chaves é um pastel em forma de meia-lua, de massa folhada estaladiça recheada com carne de vitela picada, cebola e azeite. É Indicação Geográfica Protegida na União Europeia desde 27 de Maio de 2015, e só pode ser feito no concelho de Chaves segundo o caderno de especificações. Conta-se que, em 1862, Teresa Feliz Barreira comprou a receita a uma vendedora ambulante por uma libra e fundou a Casa do Antigo Pasteleiro. Coma-o quente e, se o levar para casa, procure o selo IGP.

Presunto de Chaves

O presunto de Chaves é o presunto curado e fumado de forma tradicional nas aldeias da zona, nos concelhos de Chaves, Boticas, Montalegre e Valpaços. O nome é antigo e conhecido, mas não tem denominação protegida. O produto certificado da zona é o presunto de Barroso IGP, que pode ser produzido nos concelhos de Chaves, Boticas e Montalegre, salgado e fumado com lenha da região.

No fim de Outubro e início de Novembro, a Feira dos Santos enche o centro com feira, comes e bebes; as datas de 2026 ainda não tinham sido anunciadas à data deste artigo.

Chaves com crianças

  • Parque Botânico e Zoológico da Quinta do Rebentão, em Vila Nova de Veiga, a 10 minutos do centro. Tem um percurso a pé com gamos, veados, póneis, javalis, cabras anãs e patos, e uma quinta pedagógica com actividades sobre a vida no campo. No mesmo espaço há piscinas, parque de campismo e restaurante.
  • Ciclovias das margens do Tâmega. São cerca de 7 quilómetros nas duas margens do rio, planos, no centro da cidade.
  • Museu das Termas Romanas e Museu Militar, com ruínas debaixo dos pés e canhões na torre.
  • Castelo de Monforte, para quem gosta de subir muralhas. Vigie as crianças: é uma ruína em espaço aberto.

Atenção: as piscinas termais ao ar livre (Complexo Aquae Salutem) só admitem crianças a partir dos 14 anos.

Roteiro de 1 dia em Chaves

  • Manhã. Comece na ponte de Trajano e atravesse-a para ver o marco do km 0 da EN2. Volte ao centro e visite o Museu das Termas Romanas.
  • Almoço. Pastéis de Chaves e presunto, ou um prato transmontano num restaurante do centro.
  • Tarde. Suba a Rua Direita até à Praça de Camões: Igreja da Misericórdia, Igreja Matriz e Museu da Região Flaviense. Depois, a torre de menagem e o Museu Militar. Acabe no Museu Nadir Afonso (lembre-se de que fecha à segunda-feira).
  • Fim do dia. Passe pelo Forte de São Francisco (ou jante no restaurante do hotel, com vista sobre a cidade) ou dê a volta pelas margens do Tâmega.

Roteiro de 2 dias em Chaves e arredores

  • Dia 1. O roteiro de um dia.
  • Dia 2, manhã. Castelo de Monforte, a 20 minutos, e regresso a Chaves para almoçar.
  • Dia 2, tarde. Duas opções: para norte, Verín e o castelo de Monterrei (confirme o horário das visitas e conte com a hora a mais em Espanha); para sul, o parque de Vidago e Pedras Salgadas pela EN2. Com crianças, troque qualquer delas pela Quinta do Rebentão.

Se tiver mais tempo, Montalegre e o Barroso ficam a 45 minutos para oeste: veja o que visitar em Montalegre e no Barroso.

Como chegar a Chaves

De carro, Chaves fica a cerca de 150 km do Porto (1h50) por auto-estrada, a 70 km de Vila Real (55 minutos) pela A24, a 110 km de Bragança (1h30) e a 130 km de Braga (1h30). Não há comboio. O centro faz-se a pé; para Monforte, Verín e Vidago é preciso carro.

Onde dormir em Chaves

Chaves é o concelho com mais hotéis no nosso site. Para a cidade a pé, fique no centro; as quintas à volta ficam a menos de 10 minutos.

No centro e junto aos monumentos:

  • Hotel Forte de São Francisco — quatro estrelas dentro do próprio forte seiscentista, com 58 quartos e piscinas.
  • Castelo Hotel — quatro estrelas no centro histórico, junto à torre de menagem, com spa e piscina interior.
  • Petrus Hotel — três estrelas com 38 quartos e restaurante, a poucos minutos a pé do castelo.
  • Hotel Brites — duas estrelas com 28 quartos na Madalena, perto da ponte romana e do km 0 da EN2.

Nos arredores:

  • Albergaria Borges — três estrelas na EN2, a uns 6 minutos do centro, com restaurante e parque infantil.
  • Hotel Casino Chaves — quatro estrelas em Vale de Anta, a norte da cidade e no caminho para Verín, com spa e piscinas.
  • Refúgio da Garça — agroturismo à beira do Tâmega em Outeiro Seco, com nove suites e piscina, a 5 minutos do centro.
  • Quinta da Mata — solar do século XVII em turismo de habitação, com seis quartos e piscina, a uns 10 minutos.
  • Parque de Campismo da Quinta do Rebentão — três estrelas, com bungalows e piscina, ao lado do parque zoológico. Boa opção com crianças.

Para ficar junto às termas, veja as sugestões do artigo sobre as termas de Chaves, Vidago e Pedras Salgadas. Todas as opções estão em hotéis em Chaves, turismo rural em Chaves e na página do concelho de Chaves.

Perguntas frequentes

O que visitar em Chaves num dia?

A ponte de Trajano, o km 0 da EN2, o Museu das Termas Romanas, a Rua Direita e a Praça de Camões, a torre de menagem com o Museu Militar e o Museu Nadir Afonso. Faz-se tudo a pé.

O que visitar em Espanha perto de Chaves?

Verín fica a cerca de 25 quilómetros, meia hora de carro. Ali perto está o castelo de Monterrei, uma das fortalezas mais completas da Galiza, com visitas guiadas de quarta a domingo.

O pastel de Chaves tem denominação protegida?

Sim. O pastel de Chaves é Indicação Geográfica Protegida na União Europeia desde Maio de 2015 e só pode ser produzido no concelho de Chaves. O presunto de Chaves não tem denominação própria; o presunto certificado da zona é o presunto de Barroso IGP.

Quanto custa a entrada no Museu Nadir Afonso?

Em Setembro de 2026, a entrada geral custava 5 €, era gratuita até aos 18 anos e tinha 50 % de desconto para maiores de 65 anos. O museu fecha à segunda-feira.

O que fazer em Chaves com crianças?

A Quinta do Rebentão, com animais e quinta pedagógica, as ciclovias planas ao longo do Tâmega, o Museu das Termas Romanas e o Museu Militar na torre de menagem. As piscinas termais ao ar livre só aceitam crianças a partir dos 14 anos.

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