Torre de Moncorvo e as aldeias de Adeganha, Castedo e Felgar
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Do arquivo do trasosmontes.com. Este texto é dos primeiros anos do site (fichas dos concelhos); a cópia mais antiga que se conhece é de fevereiro de 2001. É reproduzido como saiu, só com correcções de ortografia; números, contactos e obras referem-se a essa época. Para informação actual, veja a página de Torre de Moncorvo.
O concelho
O concelho de Torre de Moncorvo tem 17 freguesias com 11.232 habitantes, dos quais 10.834 eleitores. O seu feriado municipal é dia 19 de Março.
Torre de Moncorvo situa-se no Norte de Portugal, no sul do Nordeste Transmontano, perto da fronteira com Espanha, na confluência dos rios Sabor e Douro. Com 53.277 hectares de superfície repartidos por 17 freguesias com cerca de 11.000 habitantes, Moncorvo quase tem metade da população da década de 50. Ainda assim é o concelho mais comercial e "urbano" do Douro Superior e também o que apresenta o maior número de serviços públicos.
Os rios Sabor e Douro são uma marca na paisagem deste concelho, ainda assim não menos importante são o Vale da Vilariça e a Serra do Reboredo. O Vale de Vilariça ter-se-á formado a partir de um lago interior que foi enchendo ao longo de vários séculos com detritos arrastados pelas correntes. Todos os Invernos é alagado pelas águas, um fenómeno em muitos aspectos semelhante às cheias do Egipto, mas com as suas proporções. Esta região é referida entre os geógrafos da região como o "Vale do Nilo Português". Do ponto de vista agrícola é um dos vales mais produtivos do país. O maior jazigo de ferro da Europa está na Serra do Reboredo, que está revestida por um manto vegetal de espécies variadas e manchas de pinheiros, medronheiros, cedros, castanheiros, sobreiros e carvalhos. O retalho de carvalhal primitivo é referido como a maior mancha de carvalhos brancos da Europa. Orquídeas bravas podem também ser encontradas neste manto florestal. A Serra do Rebordelo é também um grande reservatório de água com muitas nascentes espalhadas pelo concelho. Nas margens dos rios Sabor e Douro existe outro tipo de paisagem, a íngreme e acidentada paisagem do "belo-horrível", apenas acessível àqueles que se atrevam a aventurar através de penedos ciclópicos e vegetação rasteira. É o mundo mais natural e selvagem que existe no país. É também o paraíso de certas espécies animais e vegetais em vias de extinção, tais como: a lontra e o lobo, o falcão e o açor, o corço e o gato selvagem, a cobra bastarda e a águia pesqueira.
Esta região essencialmente agrícola onde se produzem excelentes vinhos generosos e o melhor azeite do mundo, este concelho é também o maior produtor nacional de amêndoa. Torre de Moncorvo é uma vila cheia de história. O concelho está repleto de povoados castrejos construídos pelos celtas e depois habitados pelos romanos. Os suevos terão cunhado moeda perto de Vilariça e os povos muçulmanos terão construído aqui uma forte base militar. Ao longo da Idade Média, Moncorvo foi um dos principais pontos de passagem nos Caminhos de Santiago. No tempo dos Descobrimentos em Moncorvo eram fabricados partes de velas e cordas que equipavam as armadas portuguesas, chegou-se mesmo a construir uma Cordoaria Real. Por Torre de Moncorvo passaram também as Rotas da Seda e as tropas napoleónicas. Moncorvo chegou a ser maior comarca do Reino, estendendo-se o seu poder desde Chaves até Amarante. Todos estes acontecimentos povoaram a vila com monumentos destacando-se a Igreja Matriz do séc. XVI, em estilo manuelino. A Igreja da Misericórdia é de pura Renascença, e existem algumas capelas de estilo barroco. Com todas estas condições é natural a vocação de Moncorvo para o turismo, em 1935 foi criada a Região de Turismo de Torre de Moncorvo, actualmente extinta e integrada na Região do Nordeste Transmontano. Os principais eventos turísticos são as Amendoeiras em Flor durante os meses de Fevereiro e Março, as romarias populares no mês de Agosto e a caça durante os meses de Outubro e Novembro. As Amendoeiras em Flor são um espectáculo digno de se ver e atrai visitantes não só do nosso país como de países estrangeiros. É nesta altura que se realiza a Feira do Artesanato. As feiras populares mantêm a tradição de antigamente e são muito apreciadas. A matança do porco e a panificação em fornos comunitários, são hábitos antigos que ainda não foram esquecidos. Várias manifestações etnográficas têm lugar pela altura do Natal e pelos Reis, nas danças satíricas do Carnaval, e no São José quando se vai "prender o Diabo", os piqueniques da "Pascoela", as Festas de São Martinho, e os Santos.
A visitar
Mata Nacional do Reboredo, Museu do Ferro da Região de Moncorvo, Vale Lacustre da Vilariça, Miradouro de S. Gregório em Adeganha.
Romarias
Nossa Senhora da Assunção (15 de Agosto - Moncorvo), Nossa Senhora do Amparo (1º domingo depois de 15 de Agosto - em Felgar). Festa de Santa Eufémia (1º fim de semana de Setembro - Felgueiras). S. Martinho (11 de Novembro - Maçores).
Gastronomia
Folares, carne assada, fumeiro, amêndoas, queijo e vinho da região.
Artesanato
Olaria, tapetes, mantas de farrapos, cestaria.
Adeganha
Situação
Adeganha, outrora Castelo Velho, fica no sítio de S. Martinho, onde há vestígios de uma capela que noutros tempos, foi dedicada ao santo, afirmando-se com convicção que ali teve início a primitiva povoação.
Em relação à sede de concelho, Adeganha situa-se a norte e a cerca de 18 kms, quanto ao rio Sabor, é a margem direita deste rio que acolhe a povoação, sede de freguesia.
Caracterização
Adeganha, com uma população de 593 habitantes, agrupados em 215 famílias, distribuídas por 305 habitações, estende-se por uma área que cobre as anexas de Nozelos, Junqueira, Póvoa e Estevais.
A norte de Adeganha e a cerca de 2 kms, há um sítio chamado Castelo, e a sul a cerca de 4 kms, fica o castelo da Sª. do Castelo, onde ainda se podem ver restos de muros; já perto da capela de S. João, há um poço entulhado que dizem ter esculpido em pedra, o Sol e a Lua; poço cuja finalidade era o abastecimento de água à população.
Origem etimológica
Viterbo cita documentos do século IX, em que aparecem as palavras "daganhas, deganas, deganhas", que são sinónimo de terras emprazadas ou reduzidas em culturas por estarem desaproveitadas. Deste modo, e com o decorrer dos tempos de Daganha, se chegou à palavra Deganha e mais tarde Adeganha, talvez pela influência árabe, ao adicionar à palavra Deganha, o prefixo al, donde, e por queda do L, a palavra Adeganha.
Património arqueológico
A propósito de castelos, Adeganha estava rodeada deles. Destacam-se destes, os de Felgueiras, Felgar, Junqueira e tantos outros, de que o concelho de Moncorvo é fértil. Muitos têm sido os vestígios encontrados doutros povos nesta freguesia, dos quais destacamos, machados de pedra, cobres e moedas romanas. Por sua vez, em São Martinho, os achados foram essencialmente restos de cerâmica e mós manuárias. Já, junto à propriedade de Luís Teixeira, existem sete sepulturas abertas na rocha.
Mas não é tudo, por Adeganha é voz assente que existiu um castelo de mouros, enquanto mais adiante, junto à Sª. do Castelo, dizem ter havido uma grande cidade, da qual ainda restam vestígios, principalmente nos muros.
Voltando à propriedade dos Teixeira, existe um dólmen, a que o povo chama o Lagar da Capela de S. Martinho. Das lápides que formaram o dólmen, foi "com mágoa que vi uma pedra servir de banco na residência de Faustino Santos Lopes", afirma o Abade de Baçal na sua obra, ao referir-se ao assunto.
A igreja de Adeganha é de origem romana e de uma só nave, possuindo no lado exterior, aposta a data de 1112, marca evidente da sua construção. Entre as suas alfaias, possui uma cruz paroquial gótica, o que, por si só, é assunto de admiração, já que não é usual encontrar outras, noutros lugares transmontanos.
Figuras ilustres
Das mais notórias figuras de Adeganha, destacamos:
D. Maria de Barros Pereira Lago, filha do Morgado da Junqueira, natural e residente nesta freguesia;
D. Elisa Clara Pinto de Magalhães, irmã da anterior, casou em Freixo de Espada à Cinta, onde residiu;
D. Josefa Ernestina Pinto de Magalhães, irmã da antecedente, nasceu no Porto, em 1863, seus pais eram naturais da Junqueira. Como descendentes desta senhora, refiram-se as filhas D. Regina da Glória Pinto de Magalhães, formada em Direito pela UC (Universidade de Coimbra), D. Júlia Gentil Pinto de Magalhães, formada em farmácia e falecida na Figueira da Foz, em 1918, e D. Maria Adelaide Pinto de Magalhães, solteira, formada em Agronomia.
Acrescente-se que estas três senhoras, oriundas dos Quintanilha, por parte do pai, e de Adeganha, por parte da mãe, descendem do 1º/Circum-Navegador, Fernão de Magalhães; têm como particularidade, terem sido em Portugal, as primeiras mulheres licenciadas em Direito e Agronomia.
Etnografia
Terra que se preze, tem de ter pelo menos uma lenda de S. João. Apareceu uma senhora ou Nº Sª. desde então, nada ficou igual, já que todo o cabeço ficou coberto de açucenas, permanentemente floridas, ao contrário das dos cabeços envolventes, que murcham no tempo próprio.
Fala este povo encantador ainda de uma outra, só que mais não sabem do que tratar-se da lenda da moura, moura esta que estendia a barrela (roupa) ao sol. Sinceramente, tivemos pena de não ter encontrado ninguém que nos falasse desta lenda, mais em pormenor, mas quem sabe se um dia conseguiremos?
Terra de foral
O seu foral data de 16.02.1257, faz agora 742 anos, por sua Alteza Real, D. Afonso III, que, como todos sabem, foi dos reis mais ocupados com as coisas da administração do território.
E pronto, chegado aqui, resta-me convidá-los a visitar esta bonita terra, com a certeza de darem o vosso tempo por bem entregue.
Castedo
Uma Terra uma História
Castedo/Moncorvo, situa-se a noroeste da sede do concelho e dista dele cerca de 17 quilómetros.
Com uma população de 358 habitantes, estes agrupam-se em 107 núcleos familiares, para um total de 206 alojamentos familiares.
Apesar dos esforços levados a efeito por nós, na busca de dados históricos desta terra de montanha, não se pode afirmar que seja uma terra com grande documentação nessa área, em todo o caso, trata-se duma localidade, bem situada na encosta da serra da Lousa e de aspecto bem pitoresco.
Subindo da Junqueira, serra acima, pelo caminho que liga o vale a Lousa e Carrazeda de Anciães, chegamos a Castedo, qual miradouro sobre todo o Vale da Vilariça. A nossa vista perde-se por todo o vale que só termina nos contrafortes da serra de Bornes, barreira dos ventos mais gélidos, em Invernos rigorosos.
Com esta posição no terreno, Castedo é sem dúvida o símbolo dos perigos que os primitivos habitantes tiveram de enfrentar; dali, era fácil, como que zelar pela produção lá no fundo, no vale. Se dissermos que Castedo se assemelha a uma fortaleza, não exageremos certamente.
A sua igreja matriz, é imponente, formando um conjunto bonito com o seu cemitério colado ao adro. A sua colocação em relação à aldeia, é de altivez, já que se situa numa das partes altas da mesma.
Ouvir falar os seus habitantes deste símbolo que é a igreja matriz, é sem dúvida motivo de orgulho, não só pela assembleia de Deus, como pela casa de repouso eterno, razão primeira, do asseio com que mimoseiam ambas.
Por graça de El-Rei, D. Fernando, rei de Portugal e do Algarve, este julgado de Castedo, assim se chamava à época, foi doado a 7 de Março de 1370, à Vila de Moncorvo.
Uma outra data de grande importância, é a que diz respeito ao fim da construção da Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, tão venerada por aquelas bandas e que data de 1591.
No seu termo, têm aparecido machados de pedra e no sítio do Couto, haviam alguns dólmens, próximo da Pala do Mouro, termo de Vilarinho da Castanheira.
Pelo exposto, fácil se torna concluir que tivessem os homens sabido aproveitar e pôr a descoberto muito do que ainda esta terra, à semelhança de outras, encerra, e, certamente, o turismo estaria muito mais activo, contribuindo assim, para um complemento económico das suas gentes.
Etimologicamente, Castedo deriva do espanhol (Castanhedo), a que corresponde terra de castanheiros.
A este propósito refira-se que dada a altitude de Castedo, fácil é, aceitar que tenha sido noutros tempos terra de tão rica cultura já que, pelas madeiras e frutos, o castanheiro sempre foi planta nobre.
Por outro lado e se tivermos em conta a madeira que destas paragens saiu para as caravelas portuguesas, não custa a crer que tenha sido a causa de hoje ser cultura de pouca monta, veja-se a propósito o que aconteceu à serra do Reboredo que ainda sofre as consequências da desflorestação dessa época.
Que lhe tenhamos despertado a curiosidade para visitar esta simpática terra, são os nossos sinceros desejos.
Felgar
Com uma população de 1200 almas, distribuídas por 314 fogos e 852 edifícios, Felgar, que viveu das minas do Carvalhal vive hoje essencialmente da sua agricultura.
Freguesia, com saneamento básico, água canalizada e as ruas empedradas é sem dúvida uma povoação aprazível e acolhedora.
Os mais velhos encontram no seu posto médico, solução para muitos dos seus problemas de saúde. A cultura, distribuída pela Associação, faz a sua Banda Filarmónica, a menina dos olhos dos felgarenses.
Os mais jovens, distribuídos pelo pré-primário (20) e primário (40), asseguram com tranquilidade os próximos tempos, pelo que ali ainda não a dramática a desertificação
A fé destas gentes que tempos houve debandaram pelo Brasil, é assinalada pelo sumptuoso Santuário de Nª Srª do Amparo e por umas tantas capelas como a de Santa Cruz, séc. XII; a de Nª Sra. da Conceição; a de S. Lourenço e do Espírito Santo; a Igreja Matriz, séc. XVII, com duas naves, coro sustentado por duas colunas, quatro Pias em cada base e talhas maravilhosas nos seus altares, fazem dela uma das mais bonitas da região.
E como esquecer a capela de S. João Baptista, nos Barrais?
Mas se Felgar é nos dias de hoje tudo isto, passemos a falar agora do Felgar de outros tempos.
Felgar, conforme documentos do arquivo de Simancas, situa-se como já havíamos afirmado ao pé do Cabeço da Mua, onde nasce de pouco mais de meia légua, (cerca de 2,5 Kms).
As águas abundantes convertidas em força motriz e como se afirma nos documentos referidos, moviam época vinte moinhos de pão e quatro pisões de pano. Fabricava-se loiça de barro vermelho fino, com cheiro e lustro semelhante à de Estremoz, que se vendia por muitas e distantes lugares.
No cabeço da Mua, havia ferro que se explorava facilmente e que depois de trabalhado se vendia para muitas partes do Reino.
As suas terras de uma e outra margem do Sabor, eram férteis, principalmente no lugar de Silhade, onde se colhia muito pão, azeite e amêndoa. Este lugar de Silhade, tinha nessa época 20 casas, onde as pessoas se recolhiam no tempo de semear e colher os frutos da terra.
Consta ainda que no sítio de Silhade, junto ao rio Sabor, havia uma povoação de que ainda há vestígios. Neste lugar, havia um rosmaninhal, aonde os moradores de Silhade vinham segundo consta folgar, tendo-se povoado a pouco e pouco, vindo a dar origem ao nome actual de Felgar.
No que à arqueologia diz respeito, aqui deixo a inscrição existente na capela de Santa Cruz e que terá sido levantada a um indivíduo falecido com 62 anos de idade “Reburros Servio da centúria Narélia, faleceu com 62 anos de idade”.
O mesmo tradutor afirma que não sabia o que queria dizer ARI, nem se existia uma Centúria Narélia, sabia em todo o caso que o C invertido queria dizer Centúria. Muitas outras considerações têm sido feitas a primeira, parece ser a mais provável.
Chegados aqui, é tempo para lhes falar da faceta industrial desta maravilhosa freguesia.
Assim sendo e citando o DG de 2 de Agosto de 1873, aí se publica os indivíduos que tinham pedido diplomas de descobridores de minas de ferro sitas nas freguesias de Moncorvo e Felgar, nos sítios de Barro Vermelho, Sobralhal, Fragas do Chapão, Cabeço de Alva e Fraga de Facho ou Duas Barreiras, perfazendo ao todo cinco minas.
Em relação ao DG de 31 de Julho de 1874, vem publicado o pedido de João Pacheco de Resende de seis minas de ferro no termo do Felgar e nos seguintes lugares: Encostas NE-W-S, encosta E do cabeço da Meza, Fragas da Carvalhosa e fragas do Carvalhal, registadas a 15 de Dezembro de 1873 na Comarca de Moncorvo.
Pelo que pesquisamos não temos dúvidas de afirmar de que terá sido esta freguesia uma das pioneiras no campo industrial a atestá-lo aqui deixamos o aparecimento da indústria dos lanifícios.
Em 1863, o espanhol Manoel Milhano, fundou uma tecelagem de cobertores de Pápa (lã), em Moncorvo. Esta fábrica permaneceu aqui cerca de seis anos, tendo sido transferida depois para o Ribeiro dos Moinhos, termo do Felgar, aproveitando a força motriz da água, mais barata para a altura.
Esta fábrica, chamada de Fábrica do Felgar, foi dirigida por um filho do seu fundador que vivia no Porto, onde dirigia outra fábrica de lanifícios.
As suas dimensões eram razoáveis para o tempo, basta atentarmos que possuía seis teares, seis cardas, uma esfarrapadeira e duas máquinas de fiação. Possuía ainda dois pisões, um para cobertores e outro para burel, empregando cerca de dez operários permanentes. No que à cerâmica diz respeito e como já referíamos, teve uma actividade próspera que remonta segundo estudiosos aos tempos dos romanos. Esta cerâmica assemelhava-se à de Pinela. As peças que mais se fabricavam eram o alguidar, a talha, a vinagreira e a panela.
E como esquecer nesta altura do nosso poster, a época da Santa Inquisição.
À semelhança de outras terras, Felgar teve os seus mártires do santo ofício.
Destas personalidades aqui deixamos duas, António Henriques Correia, parte de Cristão-Novo, rendeiro, filho de António Henriques, foi condenado por auto de 18/11/1674.
Manuel de Gouveia de Azevedo, capitão da Ordenança, era natural do Felgar, foi condenado a três anos para Castro Marim, por auto de 17/10/1694, IC, por dizer, segundo a acusação, palavras injuriosas contra o Santo Ofício e certo ministro do mesmo. Tinha 37 anos.
Chegados aqui, falemos agora dos ilustres desta terra, “És tão linda/Oh! Minha aldeia”.
Uma das figuras mais proeminentes, é a do Abade do Felgar João Pinto, figura sinistra e comissário do Santo Ofício.
Seguem-se-lhes o António Vaz Pereira Bacelar, natural do Felgar, Dr. em Cânones (direito religioso). Escreveu uma tese de direito canónico dedicada a Nª Sª do Rosário e defendida no 5º ano do seu curso, pelo ano de 1705.
Outra família que era imperioso citar, é a família Guerra. O pe. Adriano Augusto que por ser personalidade controversa, escreveu em vários jornais da época.
O António Emídio Guerra, médico e o Ramiro Máximo Guerra, também Dr. em medicina. E como os últimos são os primeiros, falemos agora dos URGEL ou HORTA. Natural desta terra, pouco se sabe de Urgel Horta, já que a vida o levou bem cedo; quanto a Urgel Júlio Horta, Dr. em medicina pela UP, aqui nasceu a 17/06/1896. Foi oftalmologista, após especializar-se em Paris. Deixou várias obras literárias.
E pronto estamos a chegar aos últimos retoques deste postal, antes porém permitam-me que lhes deixe duas quadras do seu folclore:
Os alhos são da Matela,
As panelas do Avinhó;
Os cucos de Pradinha,
E os búbelos, (poupa-pássaro) de Paçó
S. Martinho das tigelas,
Constantim dos pucarinhos
Cicouro das moças guapas,
e também dos valentinos.
E o Felgar? Que responda quem souber. Por nós, dizemos mais uma vez, “És tão linda, Oh! Minha aldeia”...