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Alfândega da Fé

Alfândega da Fé: história, amendoeiras e tradições

Arquivado em · 6 min de leitura

Do arquivo do trasosmontes.com. Este texto é dos primeiros anos do site (fichas dos concelhos); a cópia mais antiga que se conhece é de abril de 2001. É reproduzido como saiu, só com correcções de ortografia; números, contactos e obras referem-se a essa época. Para informação actual, veja a página de Alfândega da Fé.

O concelho de Alfândega da Fé tem 20 freguesias com 6.736 habitantes, dos quais 6.302 eleitores. O seu feriado municipal é dia 29 de Junho.

Este concelho que tem tido uma orientação dinâmica e desenvolvido as potencialidades locais. Tem criado infra-estruturas que permitam criar mais-valias económicas e que possam fixar as populações. Nos últimos anos tem sido feito um esforço para resolver problemas de abastecimento domiciliário de água. Isto foi conseguido com 50 km de condutas e a barragem de Camba. Também tem havido investimento nos meios de comunicação, construindo estradas municipais e reivindicando ao Governo a importância das ligações à IP2 e IP4. Foi criado também uma zona industrial, um Mercado Municipal e um espaço para a Feira Quinzenal.

Situação

Alfândega da Fé estende-se pela zona da Terra Quente e situa-se a sul da Serra de Bornes.

Limitada a norte por Macedo de Cavaleiros, a este por Mogadouro e a sul por Moncorvo, vê ficar-lhe Vila Flor a oeste e Mirandela a noroeste.

Com um clima ameno, aí estão a atestá-lo as amendoeiras, os cerejais e os primores saídos do rico vale da Vilariça.

Origem Etimológica

Alfândega, palavra de origem árabe (Alfandágua), significa grande hospício ou estalagem segura, onde os comerciantes estrangeiros se recolhem com as suas mercadorias. A palavra Fé pode ser oriunda de mulher, consequência da libertação das donzelas que Mouro, por tributo, teria em seu poder, como adiante veremos.

História longa

Na sequência do tratado de paz de Alcoutim, celebrado a 31 de Março de 1371, esta terra foi doada por El-Rei D. Fernando de Portugal, ao espanhol D. Fernando Afonso de Samora. Segundo este documento, todas as terras tomadas durante o casamento, não válido, do nosso rei D. Fernando com D. Beatriz, filha do rei de Castela, voltariam à posse existente antes do dito tratado de Alcoutim. Acrescente-se que, de igual modo, Miranda do Douro e demais vilas nordestinas, governadas por um tal Garcia Alves de Osório, na devoção a Castela, voltaram ao controlo de Portugal.

Apesar de tudo, há-de ser sequência da derrota espanhola em Aljubarrota, a 14 de Agosto de 1385, que situações como a de Alfândega da Fé, hão-de definitivamente passar para a posse do Rei de Portugal.

Contributo para a história portuguesa

Durante as lutas liberais, Alfândega teve um papel relevante ao levar a cabo a 1ª Sessão Pública, a 27 de Maio de 1822, pela mão da Sociedade Patriótica da Vila de Alfândega, onde se enalteceram os valores da liberdade e constitucionais.

Apesar de tudo, o contributo histórico começa muitos anos antes, não fosse a posição do castelo de Alfândega de relevância estratégica, daí, El-Rei D. Dinis lhe ter concedido foral a 8 de Maio de 1510.

Caracterização de Alfândega em 1796

Segundo os censos de 1796, Alfândega era um concelho próspero, senão vejamos:

Com uma população de 4700 habitantes, distribuía-se profissionalmente por: 6 barbeiros, 56 eclesiásticos, 3 literários, 25 negociantes, 2 cirurgiões, 3 boticários, 396 lavradores, 306 jornaleiros, 217 fábricas de lã, 30 alfaiates, 33 sapateiros, 15 carpinteiros, 8 pedreiros, 4 ferradores, 11 ferreiros, 77 cardadores, 36 pastores, 146 criados e 68 criadas e, por último, 64 sem ocupação.

Hoje, Alfândega apresenta uma população de 6734 residentes, distribuídos por 2239 famílias e 3519 alojamentos, num total de 3450 edifícios e 5 alojamentos colectivos.

Os Ilustres

De todas as famílias influentes na vida e história de Alfândega, destacam-se os Sás Machados. Com uma origem ligada ao Conde D. Henrique, cedo se distinguiram na expulsão dos mouros, de Trás-os-Montes. Diz-se que nesta cruzada se distinguiram sete cavaleiros, dos quais quatro eram Sás Machados, um Siqueira e dois Mesquitas. Pelos seus feitos nobres, receberam vários títulos e honras, sendo o mais notório, o apelido Fé que se havia de juntar à palavra Alfândega.

Mas como esquecer o fidalgo Manuel António de Escovar e Moura, natural desta vila e professor de grego em Bragança, no ano de 1775, onde ficou de fiador, nesse ano, dos alimentos com que D. Isabel Maria Felizardo, freira em Santa Clara, desta cidade, sustentaria a criada que pretendia ter.

E como não relembrar D. José Joaquim de Azevedo Moura, deão de Évora e bispo de Viseu, entre outros cargos; João Manuel Padrão, abade de Maçores, no século XVIII; José Maria de Morais Sarmento, último morgado de Alfândega, casado com D. Ana Carolina (rica proprietária desta vila), todos naturais desta majestosa terra/vila.

A mais bonita lenda transmontana

Diz-se que desta vila saíram vinte e cinco homens de esporas douradas, para expulsar um mouro potentoso, cujo domicílio se situava num monte que se vê de Chacim (vila na altura). Tinha por hábito, este mouro, pedir feudo às vilas circunvizinhas, de umas tantas donzelas. Cansados de tanta prepotência, os moradores desta vila e seu concelho, responderam com as armas e, unidos com os Castro Vicente, lutaram com tal valentia que, matando o mouro e seus sequazes, desassombraram os lugares vizinhos, ficando todos em tranquilidade, razão do acrescento da palavra Fé a Alfândega.

No lugar onde o mouro viveu, rapidamente se ergueu uma ermida a que se havia de chamar Nª Sª de Balsamão.

Embora alguns escritores ponham em dúvida tal tributo, a verdade é que, e segundo se diz, tal tributo tinha razão pelo tributo que o rei Manegato, que morreu em 788, pagava pelos serviços prestados por alguns mouros destas paragens. Esta verdade não é de admirar, se tivermos em conta os costumes medievais.

Aliás, pode ler-se em alguns forais, algo de semelhante, por exemplo no de Ansiães (Carrazeda), onde se escreve: "viúva que passa as segundas núpcias, paga Osa (tributo); marido que expulsasse a mulher..."

Perante isto, como não aceitar a veracidade da lenda?

Património

Terra de pelourinho, embora destruído em 1878, para dar passagem à estrada, é nos seus solares como os dos Vilares da Vilariça, nas igrejas de Cerejais de Sambade, de Sendim da Serra e Vilarelhos, que esta vila faz jus ao seu passado histórico.

E será exagero acrescentar as barragens da Estevinha, da Burga e Salgueiro, bem como o miradouro da Serra de Bornes?

E porque não acrescentarmos a tudo isto, na área da gastronomia, o seu bacalhau assado com batata assada e grelos, o coelho e perdiz à caçador e o seu fumeiro tradicional?

E as suas festas em honra do Mártir S. Sebastião, no 2º domingo de Agosto, também não farão parte deste património vasto?

E ainda, juntarmos-lhe o artesanato de verga e couro, entre outros.

E pronto, se de Alfândega quer conhecer mais, aí tem em breve, as amendoeiras e as cerejeiras em flor, espectáculo deslumbrante.

Monumentos

Destacam-se os monumentos que não devem deixar de ser visitados: o Solar de Vilares da Vilariça, a Igreja Matriz de Sambade, a Capela de S. Bernardino de Gebelin, a Capela da Senhora de Jerusalém em Sendim e a Igreja de Cerejais.

A visitar

Miradouro da Serra de Bornes, Miradouro e Capela da Senhora dos Avisos, Barragens hidroagrícolas da Estevinha, Burga e Salgueiro.

Romarias

  • Alfândega da Fé: Festa do Mártir S. Sebastião (2º domingo de Agosto)
  • Gebelim: Festa de S. Bernardino de Sena (9 de Setembro)
  • Sambade: Festa de Nossa Senhora das Neves (3º domingo de Agosto)
  • Parada: Festa de Santo Antão da Barca (1º domingo de Setembro)
  • Vilarelhos: Festa de Nossa Senhora dos Anúncios (11-12 de Agosto)
  • Nossa Senhora de Jerusalém (Sendim da Serra)

Gastronomia

Bacalhau assado com batata assada e grelos. Coelho e perdiz à caçador. Fumeiro regional. Doçaria.

Artesanato

Cestas de verga e canastras, trabalhos de couro e forja, colchas de linho e de lã.