Ainda não temos idade para balanços, por isso vamos falar daquilo que não nos interessa.
Não nos interessa deixar de fazer experiências editoriais, navegando insistentemente à beira do abismo, na assustadora twilight zone entre a realidade possível e a utopia desejada.
Não nos interessa o acto masturbatório que é a publicação de cartas simplesmente lisonjeiras como mera aferição de resultados. Ou a coisa vale pela essência ou então não vale nada.
Não nos interessa que tomem a parte pelo todo ou a nuvem por Juno. A biodiversidade é uma realidade. Cada vez menos, é certo, mas ainda assim uma realidade que estimamos.
Não nos interessa moldar opiniões ao sabor de ventos artificialmente direccionados da direita e da esquerda. Somos ambidestros, embora escrevamos sempre torto por linhas direitas. Ou esquerdas.
Não nos interessa a estimada simpatia dos que deslizam suavemente para não quebrar porcelanas. A raiva aguerrida e o amor desmedido são o mínimo que pretendemos.
Não nos interessa a cor das ideias só a definição. Menos nos interessam as ideias de cor. Decoradas.
Não nos interessam comportamentos jactantes com desfecho precoce, nem nos interessa a tradicional ausência de perseverança. Recorram ao Viagra.
Não nos interessam juízos levianos nem boas opiniões voluntariamente leigas. Apenas que nos leiam.
Não nos interessa que este editorial não interesse a ninguém. Nem ao menino Jesus.