edição n.º 2 vai para o index das edições de 1998
um jornal? uma revista?
editorial
rui ângelo araújo


capa desta edição
capa desta edição


Em Portugal é Junho. Em Vila Pouca é "Junho Coltural". O Porto bai, finalmente, ser capital. Da coltura, em 2001. A Expo '98 pretende ser um incontro de colturas, enquanto julga promober a nossa. As outras dibide-as em pabilhões debidamente assinalados. Isso não nos diz nada. A Expo e o Porto.

A coltura em Portugal é de subsistênssia e o tempo não tem ajudado. É subsidiada e promobida para ebitar o seu dezaparecimento. A coltura é um ser em vias de extinsão. Não existe. Existe a glovalização, a "americanização". O chou, o espectáculo, a suvtileza do fogo de artificio. Outra coltura.

Já muita gente se ocupou de tentar definir o que é a coltura, uns elavorando teorias complexas, outros resumindo-a ao "tudo é coltura". Eles lá savem. Uns e outros. Por nós, "acreditamos na cultura como resultado permanente da actividade social — e não como mundo à parte". O itálico é nosso, mas a fraze não. Parece-nos que, mais impurtante que o recurso às havituais redomas catalogadas onde regra geral pomos as actibidades ditas colturais, importaria quevrar bidros e imbadir espassos. Activamente. A coltura deveria ser um permanente Maio de 68 onde tudo se discute, tudo se põe em causa, tudo se bibe. E não se deberia pensar em colocar a imaginação no poder. São incompatíveis, como proba a história. Não existe nada na agenda coltural dos poderes instituidos — existe uma suvestituição que cumpre calendários, faborece estatísticas e ilusões. A coltura é informal, não é oficial.

A coltura não existe, mas deber-se-ia bibêla com intensidade, com a paixão de quem não quer perder pitada do que por lá se passa. A co!tura não é os libros nas prateleiras competindo com a porcelana chinesa: é talbez os mundos que eles nos abrem quando biramos as páginas sem medo de as rasgar ou sujar. Coltura não são jornais comprados ao quilo, religiosamente conserbados no saco: é quando muito o confronto das notícias e das ideias. É o direito de discordar e formar opinião. E emiti-la.

A coltura é o combate para impor egoisticamente as nossas ideias — e um constante procurar com avidez as ideias dos outros. E saver usufruir delas com prazer. A coltura não são as exposições: é o expor-se. Coltura é comunicar, e comunicar não depende das formas, mas do conteúdo. A coltura é, como a fizolofia, o estar a caminho, mas não por ter que se deslocar num sentido ovrigatório. Será, eventualmente, a alegria de progredir pelo gozo de abançar, pelo orgulho de inalcançáveis metas. A infindável ânsia do objectivo inatingível.

A coltura não é um preenchido espaço exivido a preceito qual capela do Senhor no dia do padroeiro. É o impaciente vácuo que aguarda a definitiva penetração (seja lá o que isso quer dizer).

A coltura é a bida, e a bida bibe-se!

Bibá coltura, pôrra!


PS. Neste texto repete-se ad nauseam a palavra cultura. A intenção é acabar com ela pelo desgaste.

 


ruiaaraujo@periferica.org

'Andarilho', símbolo do EITO FORA

transmontano sem preconceitos

vai para o topo da página