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| um jornal? uma revista? | |||
| edição n.º 9 | um tr@nsmont@no online | fernando gouveia | |
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editorial transmont. online
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Comput@dores de todo o Mundo, uni-vos!
A Astronomia e a Astrofísica reduziram-nos a uma insignificância por vezes frustrante: a Terra não está no centro do Universo; o Sol é uma estrela menor, sita algures na periferia da Via Láctea, uma galáxia com 100 mil milhões de outras estrelas; a própria Via Láctea não passa de uma entre, talvez, 100 mil milhões de outras galáxias espalhadas pelo Cosmos1. Esta tomada de consciência levanta várias questões, sendo uma das mais apaixonantes a seguinte: haverá outros sistemas solares com planetas onde exista algo a que possamos chamar vida? E, se sim, haverá alguma vida a que possamos chamar “inteligente”? A esta pergunta andam, desde há uns anos a esta parte, vários cientistas a tentar responder. Entre eles, o mais popular seria por ventura Carl Sagan (1934–1996), criador e apresentador da famosa série televisiva Cosmos. Não se trata de uma caça aos gambuzinos ou aos homenzinhos verdes; não me refiro a excêntricos pseudo-cientistas que perscrutam os céus, procurando naves em forma de pizza ou de charuto havano. Não: estes cientistas sabem que, a existir vida extraterrestre inteligente (o que não afirmam, antes colocam em termos probabilísticos), o primeiro sinal que receberemos deles (e eles de nós) será alguma forma de transmissão electromagnética (rádio). Por isso, desde há anos que o rádio-observatório de Arecibo (Porto Rico) perscruta o espaço sideral, "escutando" continuamente mais de 28 milhões de canais, à procura de algo que possa ser classificado como uma transmissão produzida por uma inteligência extraterrestre. Ao instituto responsável por este projecto (que envolve algumas das mais prestigiadas instituições científicas americanas) chamaram SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence: Procura de Inteligência Extraterrestre). Não é um trabalho menor: analisar uma tal quantidade de informação exige computadores poderosíssimos — super-computadores que o nosso actual estado tecnológico ainda não viabilizou (nem tecnologica, nem economicamente). Mas o trabalho de equipa ensinou-nos que uma tarefa muito demorada pode ser dividida em várias sub-tarefas mais simples e de execução mais rápida; com muitos operários a trabalhar simultaneamente em diferentes sub-tarefas, a produção pode ser drasticamente acelerada. Com esta ideia na cabeça, e perante a expansão da Internet, os cientistas do SETI surgiram com um projecto de cooperação à escala mundial: o SETI@home2. A ideia era recrutar um pouco por todo o mundo voluntários que, possuindo computadores ligados à Internet, se disponibilizassem a “cedê-los” durante os períodos de tempo em que estes, estando a funcionar, não estivessem realmente a ser necessários (isto é, durante os “tempos mortos”); conjugando milhares de computadores com um poder de cálculo relativamente baixo, os investigadores do SETI criariam um super-computador virtual. Depois de um período de teste (com um número limitado de participantes), o programa foi finalmente disponibilizado a 16 de Maio. Foi um sucesso estrondoso, ultrapassando mesmo as expectativas mais optimistas dos promotores do SETI@home: em 3 meses recrutaram, entre particulares, empresas e instituições, mais de um milhão de participantes (muitos, mais cedo ou mais tarde, desistem, mas há sempre novos participantes a substituí-los) de 224 países e territórios; o tempo total de processamento ultrapassa já os 50 mil anos, tendo sido analisados mais de 15.6 milhões de blocos de dados. Os EUA dominam destacados, com 50.1% dos participantes e 58.5% do trabalho realizado. Portugal está no 15º lugar do ranking mundial, com pouco menos de 8 mil participantes, quase 304 anos de processamento e mais de 105 mil blocos de dados processados (0.675%). Na posição cimeira do top português e 57ª do top mundial das Universidades está a equipa da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, liderada pelo seu Centro de Informática3. Este movimento global de ajuda desinteressada a um projecto científico4 faz crescer a esperança no género humano; deixa-nos mais optimistas quanto à resposta à questão «Que resultado obteria uma civilização extraterrestre que, neste momento, procurasse vida inteligente no terceiro planeta a contar do Sol?...» Notas: 1 Carl Sagan, Biliões e Biliões, Gradiva, 1998, pp. 13 e 17.2 Lê-se “SETI at home”, isto é, “SETI em casa”. 3 Dados de 16 de Agosto. Para valores mais actuais: http://setiathome.ssl.berkeley.edu. 4 Ou, quanto muito, com o interesse a resumir-se ao orgulho de poder figurar nas detalhadas estatísticas divulgadas no site oficial do SETI@home. |
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