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um jornal? uma revista? |
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edição n.º 9 |
opinião [2] |
fernando gouveia |
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editorial opinião 2
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Taxonomia Parlamentar
Reflexões suscitadas pela proximidade de eleições legislativas... Ÿ Sem querer entrar em grandes rigores históricos, podemos dizer que a sociedade na Idade Média se encontrava dividida em três ordens: Nobreza, Clero e Povo; alguns historiadores apontam uma quarta ordem, a Burguesia, outros consideram esta como uma subclasse emergente do Povo. Na Assembleia da República as coisas passam-se mais ou menos da mesma maneira: também os deputados podem ser divididos em deputados de facto, deputados-de-cú, deputados obscuros e deputados-Batman. Os deputados de facto são a Nobreza da Assembleia. Participam activamente nas guerras feudais entre os clãs parlamentares (os Pêésses, os Pêéssedês, os Pêcêpês, os Pêpês e os Pêévês). Alguns pertencem mesmo a venerandas dinastias que ultrapassam o tempo e os regimes. Das hostes dos deputados de facto saem, em geral, os Líderes Nacionais — espécie de família real do espectro político nacional —, e os apelidados de “barões”, que como o nome indica são os caudilhos das distritais dos clãs. O Clero de São Bento (Beneditino?) são os deputados-de-cú. Tal como os membros das ordens monásticas, pouco mais sabem dizer do que “Ámen”; e fazem-no de um modo assaz original: sempre que o voto de obediência (vulgo, disciplina partidária) assim o exige, levantam o traseiro do assento (acto sucedâneo da genuflexão) e já está — missão cumprida. Sobre os deputados obscuros é difícil falar — por razões óbvias. Supõe-se que sejam o equivalente ao Povo, pois também deles não reza a História; e se estes aspiravam a ascender à Burguesia, aqueles têm como meta da sua carreira política tornarem-se deputados-Batman. Os burgueses eram geralmente artesãos ou mercadores enriquecidos com o comércio resultante das viagens intra e intercontinentais. Os deputados-Batman não serão artesãos, mas tornaram o comércio das viagens que não fazem uma verdadeira arte. Ao fim e ao cabo, vai dar tudo ao mesmo... Ÿ Para terminar, uma singela homenagem aos nossos representantes em São Bento — desta e de futuras legislaturas. (Cantar ao som da música de «Os Índios da Meia-Praia», de José Afonso.) «Os Índios do Hemiciclo»
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Aos deputados que temos
lá prós lados de S. Bento vou fazer uma cantiga se pra tal tiver talento. Pelo tacho aqui vieram,
Quando os meus olhos tropeçam
Não é só lá em Bruxelas
Eles trabalham com afinco,
Quem dera que o povo tenha
«Olá» dizem a Lisboa,
Oito anos de poleiro
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Tantos homens e mulheres
a comer do mesmo bolo. «Isto aqui é uma festa», quem diz o contrário é tolo. Só um ou dois é que pensam
É sempre a mesma conversa:
Das Comissões nomeadas
E se a TV apanhar
Da tribuna alguém discursa:
Tantos homens e mulheres
E toca de papelada
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