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Colaboradores neste número:
Anabela Pinto, Anabela Ribeiro, Carla Santos, Dina Cruz, Eugénio
Branco, Fernando Gouveia, José Ferreira Borges, Gil Silva, Luísa Costa,
Luís C. Teixeira, Manuel Chaves, Manuel Guimarães, O. Moscardov,
Paula Pestana, Paulo de Carvalho, Paulo Mourão, Pedro Martins Colaço,
Rui Duarte, Troglodýtes Troglodýtikós
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capa da edição n.º 9
(agosto/setembro 1999)
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Por Timor
Agora que todas as máscaras da hipocrisia caíram;
agora que os crápulas impunes mostram as faces desdenhosas; agora que o tilintar
macabro do dinheiro ecoa indubitavelmente mais alto do que todos os gritos de terror; agora
que se prova indesmentivelmente a preponderância da realpolitik sobre todos os
direitos humanos; agora que os ingénuos crentes nos polícias do mundo e na
solidariedade activa das nações unidas se envergonham em frente aos espelho;
Agora que os portugueses encontraram dentro de si a urgência de uma
causa e a vontade de lhe corresponder; agora que sentimos que só as nossas insignificantes
manifestações nos poderão alcandorar para qualquer coisa de útil;
agora que alguns sentem dentro de si a vontade de empunhar bandeiras que a indolência
da vida a crédito ilimitado na União Europeia fazia jazer no baú de todas
as preguiças e de todas as inépcias;
É tempo de nos perguntarmos quem faz desta sociedade ocidental a
fútil feira de vaidades e egoísmos criminosos, quem permite a conformista
imbecilidade que destrói e todos fingimos não ver e alguns promovem, quem
procura a cegueira assassina que ignora o outro por interesses inconfessáveis, quem
decreta o pensamento único e massificado, automatizado e consumista sem
interrogações inconvenientes. Quem elege líderes que gerem a frivolidade
nefanda em que nos atolamos e que activamente ajudamos a construir.
A sobrevivência de Timor, a acontecer (neste dia ainda não
é certa), dever-se-á ao sentido de dever de funcionários da UNAMET que
se mantêm em Dili representando o que resta da dignidade mundial, mas também
à coragem de jornalistas que em risco de vida testemunham a barbárie para que
a humanidade não durma descansada e boçal como costuma. Dever-se-á
às crescentes manifestações de indignação e revolta por
parte da população portuguesa, traduzida na pressão internacional
exercida pelos nossos representantes. Dever-se-á à consciencialização
dos media internacionais. Dever-se-á menos à tardia, mas inevitável,
decisão dos governantes das "grandes" nações. Os Clintons deste
mundo não são mais do que espelhos fieis das sociedades que representam, tal
como os Blairs, os Schroders, os Aznares e os Guterres.
Decretem o fim das ideologias, mas deixem que reste o respeito pela dignidade
e inteligência humanas. Vilipendiem os políticos e as políticas, mas
não se demitam da responsabilidade que a todos nós cabe na construção
duma sociedade justa e interveniente. Ridicularizem os líderes, mas tenham a
inteligência de ver neles, sem surpresas nem nojos, a face descoberta daquilo que
colectivamente somos. Mesmo aqueles que se abstêm nas eleições, ou
aqueles que se abstêm na vida. Por Timor. |
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