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Colaboradores neste número:
Anabela Pinto, Anabela Ribeiro, Carla Santos, Dina Cruz, Eugénio
Branco, Fernando Gouveia, José Ferreira Borges, Gil Silva, Luísa Costa,
Luís C. Teixeira, Manuel Chaves, Manuel Guimarães, O. Moscardov,
Paula Pestana, Paulo de Carvalho, Paulo Mourão, Pedro Martins Colaço,
Rui Duarte, Troglodýtes Troglodýtikós
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Rui Ângelo Araújo |

Paulo Araújo |
| segundo Paulo Araújo |
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A SUCESSÃO
1. Apesar de distante, a sucessão
do presidente da câmara de Vila Pouca de Aguiar é um assunto que me tem assombrado
o espírito em noites de insónia. Não é que queira, de modo algum,
ver-me livre do imperturbável dr. Ambrósio. Não! Parece-me é que,
após dois gloriosos mandatos à frente dos nobres destinos deste concelho, o
mais natural é que Carlos Ambrósio comece a achar suficiente o seu sacrifício
em prol do desenvolvimento.
Pequenas chatices, mais ou menos recentes, poderão ter provocado um certo desgaste
na vontade e na imagem de Carlos Ambrósio. Estão neste caso as
acusações duma mal-intencionada comissão da Assembleia Municipal.
Ousarem atribuir responsabilidades ao presidente da câmara nas supostas
infracções ao PDM?! Já chegámos à Madeira?! (A sorte
é que o nosso presidente é um pouco mais comedido do que o Alberto João,
senão ia ser bonito!). O certo é que estas coisas causam uma certa desilusão
e o desgaste da imagem pública pode ter más consequências na vida de um
político. Qualquer mortal (condição a que Ambrósio não
se pode esquivar) encararia de bom grado uma reforma compulsiva.
Forma-se, então, um quadro de sucessão anunciada na dinastia rosa.
Sem que as dúvidas tivessem sido de todo afastadas pelo parecer do IGAT (sigla
para "E o gato?" ou para "Mui grato", dependendo do ponto de vista), os estrategas do
perfumado roseiral, preocupados como são pela inquestionável
credibilidade dos candidatos, poderão ter em mãos um caso bicudo. Nem tudo
corre como Deus quer.
É que, se a polémica em volta das famigeradas irregularidades de algum modo
afectou o statu olítico do dr. Ambrósio, catástrofe das
catástrofes, ela poderá ter afectado também o supostamente
presidenciável engenheiro José Eduardo. Oh, tragédia!! Infelizmente a
lógica tem destas coisas e não nos podemos furtar a ela.
Enquanto se aguardam as sondagens da opinião pública, adensa-se o clima e
poderão vir a verificar-se algumas discussões no seio da família
rosácea. Na dúvida sobre a boa imagem do engenheiro-vice-presidente,
alguns elementos mais beatos poderão surgir com alternativas originais. O pior destas
condições climatéricas é a possibilidade de formação
de geada. É do senso comum que esta não poupa nem as rosas.
2. A comissão da assembleia e a oposição
é quem têm zelado carinhosamente pela harmonia na família socialista.
Ao apontarem as baterias em exclusividade ao actual presidente da câmara, contornaram
hipóteses, generosamente, e construíram um bem intencionado equívoco.
Conceder uma caridosa imunidade ao engenheiríssimo poderá compromete-los,
é certo, e aos laranjinhas ainda lhes poderá trazer alguns amargos de
boca (o que faria deles citrinos ácidos); mas, ao permitirem que se delineie
um cenário em que o actual vice-presidente e vereador das obras públicas,
incólume e em palhas deitado, se constitui candidato, estão na realidade a
ganhar um lugar no céu! Aqueles beguinos, na ânsia de fazer o bem, vêm-se
na obrigação de fingir ignorar que o vice-engenheiro foi vereador do
pelouro das obras particulares! Hossana!
A social-democracia dos laranjas adquire uma consternadora tolerância quando
estes, em gesto misericordioso, evitam fazer aproveitamento político das superiores
relações do engenheirérrimo com o betão, catecismo que
proporciona um grande desenvolvimento espiritual, ainda que pouco cristão. Seja tudo
pela paz no mundo e pela concórdia entre os homens. De negócios.
De resto, não estranharei vê-los, rosas e laranjas, votar n’O
Esperado, lado a lado. Aleluia!
(Para efeitos de sucessão, mesmo que a polémica se abata sobre o actual
vereador das obras particulares, o dr. Acácio Cardoso, isso não terá
especial relevância. O homem já foi presidente... da junta. E, embora o intenso
trabalho - de gestão de carreira - que desenvolveu o tenha guindado para o elenco
camarário, não fez dele um presidenciável).
3. Pressente-se uma certa aura mística no mui engenheiro
que faz a alegria de muita gente, em especial dos sem-abrigo. Terá sido isso que o
levou a imaginar-se presidente de todos os aguiarenses. (Dizem as más-línguas
— que não merecem qualquer credibilidade, claro — que, durante as ausências de
Ambrósio, o homem leva à letra a função de presidente em
exercício. E então é vê-lo, em frente ao espelho, exercitando
com a devida pronúncia a frase: "Eu é que sou o presidente!").
4. Infelizmente, como grande parte do eleitorado aguiarense tem
um enervante sentido de correcção, o mais provável é que o sonho
lindo da presidência para o engenheiro seja limitado pelo PDM. O que é uma pena,
pois a sua candidatura teria, tenho a certeza, o apoio paternal do dr. Ambrósio. E os
conselhos desinteressados dos drs. Paulo Pinto e Adriano Fernandes. Se abdicassem eles
próprios dum estatuto de presidenciáveis, bem entendido.
ruiaaraujo@periferica.org
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