edição n.º 20 |
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máquina do tempo
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Fac-simile do editorial da Illustração Trasmontana (1910) |
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Editorial da última edição da Illustração
Trasmontana (1910)
Tres Annos!
Com este numero completa a Illustração Trasmontana tres
annos de existencia.
Tres annos já não são uma tentativa.
São uma experimentada vida, para uma publicação d'estas.
O que nos ensina a experiencia?
Que em Traz-os-Montes não ha trasmontanos bastantes, com bastante amor regionalista,
para manterem uma publicidade de estudo e de propaganda das suas grandezas materiaes e moraes.
Esta Empreza não estava debruçada d'um balcão commercial; estava
simplesmente suspensa das enlevadoras fragas trasmontanas, cheia de enthusiasmo e do amor pela nossa magestosa provincia, a
propagandar, a acalmar o mais altivo e mais inedito, mais ignorado rincão português.
Não nos trazia a ancia nem a necessidade de ganhar.
Vinhamos mesmo dispostos a perder.
E perdêmos, e bastante.
Que perdessemos dinheiro, paciencia!
O que nós não queriamos era perder a fé ao regionalismo dos nossos
comprovincianos.
Desgraçadamente, perdêmos tambem essa fé.
Nem dentro de Traz-os-Montes nem nas fortes correntes migratorias que a provincia manda as
cidades de Lisboa, do Porto, e do Brasil, conseguimos obter o numero de assignantes sufficientes para esta
illustração se publicar sem defficit consideravel.
O primeiro, o segundo anno explicava-se: não seria ainda conhecida a
Illustração Trasmontana.
Mas tres annos são de sobra para se fazer a eleição d'um publico.
Fez-se a eleição.
Não ha esse publico.
É, como o constitucionalismo, um grande luxo para Portugal.
Vamos ainda na phase de preferirmos, á publicidade séria, as fluctuantes
illustrações que tanto phócam uma corôa como um barrête phrygio, e as illustrações,
se esse nome se lhes póde dar, que oscillam entre a pornographia e o almanaque de charadas.
Para a experiencia ser completa, podémos nestes tres annos convencer-nos de que nem
collaboradores ha para uma publicidade regular, consagrada ao assumpto trasmontano.
O copiador da nossa redacção está cheio de illustres e provectos nomes,
promettendo collaboração e marcando data ás suas promessas, sobre as quaes cahia o mais tumular dos
silencios.
Nem por paga, nem por favor!
Todavia, se foram por essa provincia fóra onde quer encontrarão um historiador,
um archeologo, um poeta, um descriptor.
Podeis prometter á vontade a publicação de toda essa prolifera pleiade de
collaboradores.
Apparecer-vos-hão excelsas excepções.
São os nossos collaboradores d'estes tres annos.
Não nos faltava, é claro, com que encher volumes ponderosos da nossa
Illustração.
Mas quem eu quero não me quer (ou melhor: é preguiçoso) quem me
quer não me faz conta.
A Illustração Trasmontana prefere suspender a sua publicação
a tornar-se um album de curiosos.
Os escriptores portuguêses conhecem e mal a terra onde o acaso lhe embalou o
berço, e a Capital.
Quando muito, chegam até ao Bom Jesus do Monte pelo roteiro ou descriptivas de D. Antonio.
Traz-os-Montes, muitos dos nossos primeiros escriptores ignoravam que fizesse parte do mappa
de Portugal.
Que nos aconselha esta triste experiencia?
Evidentemente a suspender a Illustração Trasmontana.
Suspendêmo-la, pois, temporariamente.
E suspendêmo-la, sem nos morder o remorso de não ter lidado e luctado para evitar
esta solução de continuidade no nosso calendario.
Cumprimos o nosso dever, como Empreza e como trasmontanos.
Os trasmontanos, se ha mais alguns além dos que constam da nossa lista de assignantes,
que cumpram o seu.
A EMPREZA.
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EITO FORA: transmontano sem preconceitos
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