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editorial [7]
eugénio branco


Capa da edição número 20 (Dezembro de 2001)
Capa da edição número 20
(Dezembro de 2001)


É absurdo imaginar o início da voz


uma folha de papel em branco navega pelo tempo,
antes dos dedos. raízes de vozes estendem-se pelo
início da matéria — como fontes. alguém de silêncio olha
o absurdo e cala. é quase noite na árvore.

alguém olha uma folha em branco. é quase noite na
matéria — árvore. em silêncio navegam os dedos pelo
tempo, como raízes. calam-se as vozes, estende-se o
início do absurdo.

o absurdo estende-se pelo tempo. alguém cala, olhando
a árvore e as suas raízes — os dedos são o início da
matéria. fontes de vozes estendem-se pela noite e o
silêncio navega numa folha de papel em branco.

é quase noite, alguém olha a árvore e as suas raízes de
silêncio. calam-se as vozes dos dedos. é tempo, e uma
folha de matéria, em branco, navega pelo absurdo — o
início estende-se.

estende-se o tempo, a matéria-árvore cala-se. os dedos
e as suas raízes estendem-se pela noite. é quase branco
— vozes. o absurdo de alguém a olhar o início de uma
folha.

calem-se, são quase vozes. estendem-se como raízes
de absurdo pelo olhar de alguém que inicia a noite em
silêncio, enquanto a matéria de papel branco
navega pela folha...        dedos...        tempo...

 


eugeniobranco@periferica.org


EITO FORA: transmontano sem preconceitos

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