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Número 17. Maio de 2001
Quisemos concorrer com a Caras. Fomos por aí a baixo, que é como quem diz, levámos as nossas augustas
pessoas ao Jet Set lisboeta. A anfitriã era a Anabela Mota Ribeiro, ex-radialista aguiarense, ex-apresentadora de TV,
actual colaboradora do DNA. Entrámos-lhe pela casa adentro depois de uma noite nas Docas (originais, hã?).
Finalmente, o Eito iniciou-se na crítica literária. O artigo "Literatura Transmontana" será, para
sempre, um marco de amor desmedido à prosa nordestina (Trás-os-Montes é, entre outras coisas boas, o
nordeste de Portugal). Ficam extractos.
Luís C. Teixeira lembrava um testamento invulgar. Bonifácio Alves Teixeira (1846–1907) morreu por vontade
própria e deixou, entre outras excentricidades, instruções muito criteriosas de como o seu dinheiro deveria
ser repartido e investido. Nem todas foram cumpridas. O seu espírito esclarecido e alma magnânima foram exemplos pouco
frequentes. Agora que pomos término à nossa brilhante carreira, fazemos nossas as palavras testamentais de
Bonifácio: «Não quero funeral, nem missas, nem reza de ano, nem ofício, nem nada, porque não creio que
essas coisas sejam úteis para a minha alma».
Magnífico conto de José Ferreira Borges, "A consulta".
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A literatura transmontana

Cartoon de Paulo Araújo |
«A literatura transmontana (LT) podia ser só anacrónica — e já era má. Mas a LT faz pior: cultiva
a pieguice, o bairrismo, o revivalismo, o provincianismo, o bucolismo, o saudosismo e, mais grave, o analfabetismo.
(...)
Há sempre um amigo a escorrer tinta em louvor, há sempre um iletrado a celebrar o analfabeto! Há
incenso! Há ouro! Há mirra! Ah, porra!
(...)»
Rui Ângelo Araújo

Cartoon de Paulo Araújo
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