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antologia
EITO FORA n.º 10


Reviver o passado em Vilarelho

10 Número 10. Outubro/Novembro de 1999

Esta foi uma edição de merda.

Antes do curioso trabalho da Academia de Ciências no âmbito dos dicionários, já nós havíamos feito semelhante tentativa. Mas assumimo-lo. O nosso "Merdicionário" foi um êxito antes do da Academia o ser (o que prova que há merdas que vendem). Ainda hoje é consultado.

Fizemos o perfil de Duarte Carvalho, fotógrafo de Vila Real; entrevistámos Amadeu Magalhães, barrosão, músico dos Realejo; fizemos trocadilhos com o Eito Fora. Na capa, uns pés, em fotografia de Duarte Carvalho premiada na revista Photo (versão francesa).

Na contracapa contavam-se "Cenas da Vida Académica" nada lisonjeiras para os estudantes da UTAD. Não tugiram nem mugiram. Haverá vida inteligente na UTAD?

Capa do EITO FORA n.º 10

Ilustração de Paulo Araújo
Ilustração de Paulo Araújo

Merdicionário
extractos

«Ateísmo: Não acredito nessa merda.
Censura: #####.
Deus (no Monte Sinai): Tira as sandálias de teus pés, pois a merda que pisas é sagrada.
Dislexia: Deram.
Ecumenismo: No fundo, acreditamos todos na mesma merda.
Fat'wa: A culpa desta merda toda é do Salman Rushdie. Carimbo de censura
Fernando Pessoa: Não fui eu que escrevi esta merda — foi o Alberto Caeiro.
Fracção de segundo: Cagagésimo.
Generosidade: Esta merda é toda vossa.
Indecisão: Não sei que merda faça...
"Pimba": Música de merda.
Music Stars: Supertramp.
Testemunhas de Jeová: Bom dia. Tenho aqui umas merdas para o senhor ler...
Vandalismo: Vamos partir esta merda toda!»

Fernando Gouveia


S. Ex.ª A Merda

«(...)

Segundo números fidedignos (obtidos numa olhadela em volta), a merda ocorre em quantidade superior ao baixar de calças per capita (ou, mais correctamente, per cu). Este facto, que poderia significar um índice de desarranjo intestinal algo grave para os fundilhos, deve, no entanto, ser explicado à luz de outros cânones. Vinda dos interstícios menos mencionáveis no seio de uma sociedade que se quer politicamente correcta, a merda insinua-se alarvemente (lá está, um paradoxo de merda) e só a permissividade ou incapacidade cognitiva dos cidadãos lhe permite vida longa e profícua (a merda costuma casar, ter muitos filhos e ser muito feliz). Como tudo o que cheira mal (...), a merda é facilmente detectável, mas uma estranha identificação por parte de muitos daqueles que com ela convivem permite-lhe um certo anonimato.

A merda costuma adoptar muitas formas e frequentar não só as piores tabernas como os melhores salões. A merda é vista nas revistas da especialidade (lado a lado com o resumo da novela), nas televisões (antes, durante e depois da dita) e até ocupa um largo espaço nalguma imprensa diária. A merda está em todas (como a Caras).

Não raras vezes a merda, depois de um alegre intervalo de cinco anos, veste capa e batina, para receber licenciaturas, e logo se torna exigente: «Merda não, doutora Merda, faz favor». Regra geral, à merda são-lhe atribuídas competências nos mais basilares âmbitos, para que tudo fique na mesma. Ou pior. Na merda, enfim. É deste modo que temos merda em tudo o que é coisa pública. Merda na Saúde, merda na Justiça... Na Educação não se mexe porque ninguém gosta de mexer na merda.

(...)»

Rui Ângelo Araújo

 


'Andarilho', símbolo do EITO FORA

EITO FORA: transmontano sem preconceitos

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