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antologia
EITO FORA n.os 0, 1 e 2


Reviver o passado em Vilarelho

Quando começámos o Eito Fora sabíamos que haveríamos de o matar. Sabíamos, também, que a última edição seria substancialmente narcísica. Chegada a hora, não nos quisemos desiludir. Sejamos, então, narcisos.

As páginas que se seguem relembram e fazem uma espécie de antologia dos quatro anos que durou o Eito Fora. Acreditamos que os leitores mais recentes hão-de gostar de conhecer o que foi o passado do Eito — assim como os mais antigos hão-de gostar de o relembrar. Isto, que é uma prática recorrente nos media, pode bem não ser entendido da mesma maneira em Trás-os-Montes. Pode ser entendido como um exercício de pedantismo. Seja. Entendam-no como quiserem. Nós é que já não estamos para ir fazer reportagens ou entrevistas de última hora. Comprem A Bola.


Capa do EITO FORA n.º 0 0 Número zero. Fevereiro de 1998

Em Fevereiro de 1998, por convergência de apetites, fez-se o Eito Fora. A encomenda do Grupo Desportivo e Cultural de Vilarelho (GDCV) era um jornal de âmbito concelhio feito em Vilarelho. Mas, e foi esta a asneira, teríamos toda a liberdade para o fazer como entendêssemos. O jornal foi feito, era o Jornal de Vilarelho, o âmbito era concelhio... mas a coisa descambou. Saiu pouco jornal e muito revista, pouco crente da terra e muito com vontade de emigrar...

O primeiro número era o Zero. Ali anunciavam-se intenções, confessavam-se medos, diagnosticavam-se tédios, experimentavam-se técnicas jornalísticas e pouco mais. Ficou registado. Vendemo-lo, agora, a peso de ouro. Os pedidos devem ser dirigidos ao apartado 51.


Capa do EITO FORA n.º 1 1 Número 1. Abril de 1998

Depois do zero veio o um. Sob um mote provocador e sincero ("Nós, os provincianos"), albergou-se a inexperiência e um conteúdo que era enunciador mas pouco substantivo. Na capa, um sucedâneo do Fernando Pessoa passeava-se com um garrafão de cinco litros de tintol pela mão...


2 Número 2. Junho de 1998

A mesma falta de substância caracterizaria o número dois. Ali questionava-se a "cultura" num editorial que imitava as virtudes do sistema educativo nacional. A quantidade de erros por linha era propositada e pretensiosa, mas ficava aquém do desempenho dos nossos alunos (e alguns professores).

Capa do EITO FORA n.º 2 O número dois saiu em Junho com um amoroso burro na capa. Em Vila Pouca vivia-se o "Junho Cultural", espécie de ETAR onde desaguavam as misérias culturais do burgo. Estivemos solidários e deixámos a poesia à solta. Literalmente. Por (in)conveniências de paginação, sobraram-nos duas páginas, onde pusemos a secção da poesia. Quando alguém comprava o Eito Fora a poesia soltava-se. O que não quer dizer que fosse lida.


Curiosamente, o que fica das pobres edições inaugurais é o quanto elas contrastaram com a restante imprensa regional. O que dói é que isso não se devia a qualquer mérito nosso — mas à miséria alheia.


'Andarilho', símbolo do EITO FORA

EITO FORA: transmontano sem preconceitos

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