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Lugares mágicos
Corinto, o berço do cinismo
Na antiguidade, Corinto não era a cidade mais rica nem mais culta da Grécia, mas era seguramente
a mais popular entre os marinheiros que passavam ali as folgas, nos braços das mil sacerdotisas do templo de Afrodite. No
topo de uma montanha, pedindo requintes de alpinismo para o alcançar, as ruínas ainda lá estão.
Símbolo da maneira desbragada e pouco temente a Deus com que os coríntios viviam, terá recebido olhares
furiosos de S. Paulo que lá passou duas vezes, tentando convencer aquele povo a, como reza um ditado antigo, deixar de
comer e beber (e etcetera) como se cada dia fosse o último da sua vida.
Foi nessas pedras com histórias de festas que nasceu uma das mais deliciosas filosofias gregas, gerada
nos ditos inclementes do vagabundo Diógenes. Ele e os seus seguidores — que viviam na rua como cães (que, em grego,
soa a "quiniquis") — ficaram famosos por dizer o que lhes apetecia. Com tal talento que Alexandre, o Grande, quis levar esse
primeiro cínico para junto de si, prometendo-lhe a maior riqueza que pudesse nomear. À sombra do grande rei,
Diógenes criou outra máxima: "Não me tires aquilo que não me podes dar. Sai da frente do sol".
Delfos, o "centro do mundo"
Durante doze séculos, até 400 anos depois de Cristo, o templo de Apolo, em Delfos foi a Meca de
muitos povos e, conforme a etimologia da palavra ("barriga"), descrito como o centro do mundo. Cresceu na encosta do monte Parnaso,
um capricho tectónico de imponência tal que, contam os antigos, bastava fazer as pessoas levantar os olhos para os
seus altos para as embasbacar de fé em Apolo.
Foi nas entranhas de um dos templos da cidade que funcionou o Oráculo de Delfos, o mecanismo pelo qual
o deus do equilíbrio e da beleza dava dicas aos mortais. Toda a história da Grécia e da sua
vizinhança está marcada pelas profecias apolínias. Actualmente, séculos depois da última
comunicação de Apolo, Delfos com as suas cores de terra e mármore antigo, travado pelo maior vale de
oliveiras do país, dá alento a largos minutos de silêncio.
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