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poesia [1]
eugénio branco
vítor nogueira
diário de um eremita


hoje
  não sei
    não sei destas sete colinas
nem do amplo sol que às vezes se ergue
      acendendo a primavera
        e os fabulosos lírios...

não sei tão-pouco
            porque sonham os répteis de dia

                         ***

            existe um jacto de palavras de vidro
  percorrendo a amplitude do dia
    até se estilhaçar lentamente
      na breve garganta das borboletas

                         ***
ergo os frágeis arcos dos dedos
              à erosão gélida do vento
              e olho-me na sombra de pedra
                   através da luz que completa o dia

não sou mais que um relógio solar
                               por onde o tempo passa

eugénio branco

Trincheira

pela fúria deixou ali cair a vida,
última coisa a cair antes da gente.
vezes sem conta previu como seriam
as imagens dos momentos derradeiros.
mãos cobertas de terra como nunca,
possantes sonhos, agora dissipados,
se entrincheiram numa última agonia.
cravaram-lhe no peito o chumbo eterno.

pela fúria deixou ali
última coisa.
vezes sem conta,
as imagens,
mãos cobertas de
possantes sonhos,
se entrincheiram numa última:
cravaram-lhe no peito o chumbo.

pela
última
vez
as
mãos
possantes
se
cravaram.

Vítor Nogueira


'Andarilho', símbolo do EITO FORA

EITO FORA: transmontano sem preconceitos

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