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editorial
TEXTO: rui ângelo araújo


Capa da edição número 19 (Setembro de 2001)
Capa da edição número 19
(Setembro de 2001)


Não dispensa a consulta do prospecto


Se reparou na capa, este é o penúltimo número do Eito Fora. É verdade. Em Dezembro encerramos as portas. Não fique o leitor já a babar-se de ansiedade, porque mais esclarecimentos só mesmo no número vinte. As explicações sobre se vem aí o vácuo ou se, pelo contrário, o mundo vai melhorar serão dadas em Dezembro.

Não vale a pena pensar que este gesto é só um toque de marketing para aumentar a tiragem do nosso número vinte. É bem verdade que os transmontanos, se souberem, correrão como loucos às bancas para comprarem o último número do Eito Fora, mas não é marketing. É mesmo a sério. Em Dezembro sai o último número do Eito Fora, o número vinte. O melhor é o leitor que colecciona (e, já agora, o que lê, também) fazer já a sua reserva. A coisa vai esgotar. O último número é a felicidade de muitas famílias — coisa imperdível, portanto.

Último número!... Já viram que bem soa? Último, fim, the end, finito, schloss!... Acabou, terminou, não há mais! Nem sequer é como as bombokas: «só há estas, são para mim!...». Não, não há mesmo mais. Nem sequer para mim, que sou o "presidente da junta"!...

Pronto, vamos adiantar alguma coisa (limpe a baba): o mundo ficará realmente melhor a partir de Dezembro. Não é grande esclarecimento? Puxe o leitor pela cabeça! Para que a quer?!... Olhe à sua volta e veja o que faz as pessoas felizes. Ou olhe dentro de si e veja o que o faz feliz.

Tudo tem um fim. Por que é que o Eito Fora haveria de ser diferente? Só porque realmente o tem sido?...

Outra coisa podemos avançar: o último número do Eito Fora (sim leu bem, o último) é, entre outras coisas boas, um número antológico. Nenhum leitor (eu disse leitor) o pode perder. Todos os outros podiam bem perdê-lo (de resto, não têm feito outra coisa), mas o fim não se nega a ninguém. E o número vinte é o fim da macacada.

Não, não estamos a arrumar os papéis por causa da III Guerra Mundial. Isso não era razão suficiente. Até porque, vê-se nos filmes, depois da guerra há sempre The Day After. E depois como era? Recomeçávamos? Esperávamos que a poeira assentasse e começávamos uma segunda série do Eito? E o leitor é tão incauto que acredite que teríamos paciência para esperar o fim da guerra para começar uma segunda série? Não, em Dezembro sai o último número do Eito Fora, o número vinte!

A conversa vai boa, mas por agora temos que a terminar. Precisamos de descansar. Até depois.


ruiaaraujo@periferica.org


P.S. Eh!, calma lá! Este post scriptum é só para recomendar aos muitos bons leitores a actual edição, que é só a penúltima. Vejam bem o índice aqui do lado e vejam se não temos aí matéria capaz de fazer vibrar os cérebros mais murchos. Já se disse: o Eito Fora é melhor que Viagra (não dispensa a consulta do prospecto)!

 

'Andarilho', símbolo do EITO FORA

EITO FORA: transmontano sem preconceitos

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