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Fotografia de Manuela Correia,
surripiada in extremis ao Mil Folhas.
«Com um pequeno gesto os poetas soltam o seu pólen que, levado pelas palavras, vai eternamente fecundando os arcos
da beleza que erguem o universo e o põem em comunicação com Deus.»*
* Manuel Hermínio Monteiro, in Rosa do Mundo
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Manuel Hermínio Monteiro
A entrevista que nunca fizemos
Dos milhões de «ilustres» transmontanos que povoam o inefável dicionário de Barroso da Fonte,
Manuel Hermínio Monteiro pertence àquela escassa meia dúzia que admirámos e admiramos. Desde que,
individual e colectivamente, soubemos qual o nosso lado na vida, vínhamo-nos encontrando com a sua obra. E crescendo com ela.
Ainda que não soubéssemos desde sempre que era a sua obra.
Hermínio Monteiro (que pena não termos chegado ao Manel!), sabe-se, tem obra literária
e humana. Por isso, o anunciado intuito de o entrevistar tinha mais de desejo egoísta de o fruir do que de inteligente
decisão editorial.
Agora que Manuel Hermínio Monteiro, o transmontano de Parada do Pinhão, morreu, não temos
como evitar o pedantismo de, também nós, o homenagear. Porque, na verdade, não temos como deixar de o fazer.
Bem pode o Zé Cabra zurrar dez mil vezes por estas romarias serranas e serranas academias; bem pode meio
Trás-os-Montes (meio país) penar pelas desventuras das TVs ou pelas venturas das Sport Tvs; bem pode a outra metade
estar ocupada a carpir mágoas de séculos e inépcias de sempre; bem pode o povaréu imbecil
ameaçar-nos com a excomunhão territorial... Nos próximos tempos vamos estar demasiado ocupados a homenagear
Manuel Hermínio Monteiro. Não, não vamos evocar os feitos do homem na editora Assírio & Alvim,
não vamos relembrar as sua crónicas no Independente e na K, não vamos dizer o que nos vai na
alma sobre a Rosa dos Mundos. E não, nunca!, vamos fazer estatísticas ou inquéritos sobre «a
penetração da Assírio em Trás-os-Montes». Não por ele, que se ria da adversidade — por
nós.
Vamos, tão-só, lê-lo. Sim, essa coisa arcaica, ultrapassada. Ler. A nossa homenagem. Ler
Hermínio Monteiro. Ainda que não sejam dele as palavras que vamos ler. Porque Hermínio Monteiro, o editor,
falava connosco com as palavras dos outros. E que bem que ele falava!
E agora chega. Silêncio, que se vai ler!
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