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capa da edição n.º 17
(maio de 2001)
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Para quem escrevemos?
Talvez estejamos escrevendo para os que, em certo modo, já
não nos necessitam tanto, os comprometidos, os leitores-produtores, e estejamos obviando e esquecendo o nosso verdadeiro
público, aquele de quem escrevemos, aquele que esperamos convencer com os nossos argumentos e ideias.
Logramos chegar a eles, ou somos uma elite comprometida, mas isolada neste microcosmos?
As palavras em epígrafe estão no fórum da revista NON! e pertencem a um jovem galego, editor, também ele.
Aqui no Eito somos regularmente confrontados com as mesmas perguntas e, a espaços, alguém
nos vem com soluções para os supostos problemas que elas enunciam. Somos aconselhados a procurar «chegar mais ao leitor
comum, ao grande público». Só que, isso não dizem, «chegar mais ao leitor comum» ou ao «grande público»
significa descer os degraus da mediocridade, baixar a bitola da temática e da abordagem ao nível do lodo e fazer um ou
outro frete à omnipresente pimbalhice. Vão bater a outra porta!
Há coisas que é preciso dizer claramente: o «grande público» é coisa abjecta e como
tal deve ser tratado. O «grande público», ainda que esteja em maioria, é pimba, e o pimba é como a pior das
melgas — quando não se pode ignorar, extermina-se. Ter atenções para o «grande público» é asneira
televisiva que não deve ser generalizada. O «grande público», com perdão da palavra, é uma grande merda.
Cheira mal, não deve ser respeitado, não deve ser ouvido, não deve ser tido em conta em nada, excepto no
juízo final. Não interessa saber o que pensa o «grande público» porque o «grande público» não
pensa. Do mesmo modo, o «leitor comum» é uma falácia, porque o «leitor comum», é sabido, não lê.
A democracia do «grande público» é boa para as urnas e, que se saiba, o Eito Fora não
está com os pés para a cova. Por isso, aqui não mandam estas maiorias, não manda o «leitor comum»,
não manda melga nenhuma. E nem se trata de elitismo — trata-se, se se tratar, de resistência.
Não fosse a poluição que os pimbas e os medíocres causam no mundo e nem sequer
teríamos um minuto de atenção para tais vermes. Mas, porque causam poluição, grave
poluição, é necessário exterminá-los. Não com campanhas de alfabetização,
não com novos moralismos, não com Ratex — à bomba, mesmo!
O Eito, para já, se tiver de ser alguma coisa, se tiver de ser mais do que o gozo que dá a
quem o faz, se tiver de ser mais do que o encontro de muita (muita!) gente boa, se tiver de ser mais do que alternativa, não
precisa ainda de ser o rastilho. Basta que seja um simples ramo de flores à borda da fossa. Se o conseguir (isso não
é garantido), vão ver como basta...
ruiaaraujo@periferica.org
O Eito Fora quer entender a dicotomia
autarquias/cultura (não é bem a quadratura do círculo...). Para isso conta com a colaboração,
numa primeira fase, das câmaras do distrito de Vila Real. Boticas, Chaves, Montalegre, Murça, Santa Marta e
Vila Real já se manifestaram. As restantes não devem tardar. É um dossier que publicaremos e
que evidenciará as estratégias culturais que aqui se usam. Brevemente num quiosque perto de si. |
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