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poesia [2]
TEXTOS: eugénio branco, maria josé quintela


diário de um eremita

I

existem ainda as borboletas
          mas delas
    falaremos mais tarde
quando tudo estiver quieto


II

   hoje
passei todo o dia a colher água
  para te oferecer
    só depois notei
que tu não estavas


eugénio branco
(eugeniobranco@periferica.org)

A ambiguidade dos espaços afectivos

Tenho um baú, onde guardo o que sobrou dos meus sonhos. Onde guardo a rosa que tu me deste...
Era amarela a rosa que tu me deste. Para selar um ciclo. Assim disseste. Mas como selar um ciclo que nunca teve princípio?
Era amarela a rosa que tu me deste. Agora, tem uma cor improvável. E um odor impossível. A provar a ambiguidade dos espaços afectivos sem tempo e sem espaço. Desejos proibidos.
Era amarela a rosa que tu me deste. E esta, que sendo a mesma é diferente, faz-me pensar que tudo muda. De lugar. De cor. De odor. De intenções. Mudam os sentimentos. Mudam as emoções. Muda toda a gente. E muda o desejo. O desejo que um dia ficará assim indefinido, como a rosa que me deste e era amarela. A provar também que talvez nada seja verdade.
E a rosa que tu me deste talvez não fosse amarela.
E talvez também não tenhas sido tu a dar-ma.
E talvez mesmo não seja uma rosa...


Maria José Quintela

'Andarilho', símbolo do EITO FORA

EITO FORA: transmontano sem preconceitos

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