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Prémios Calhau 2000
da Imprensa Transmontana
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troféu esculpido por Paulo Araújo |
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Caso não tenham notado, todas as publicações que se prezam, mais cedo ou mais tarde desatam
a atribuir prémios anuais: é um expediente para se afirmarem como moral/social/intelectualmente superiores, logo
com legitimidade para julgar os demais; é também a maneira mais fácil de conseguirem uma legião de
bajuladores na mira de serem nomeados.
Aqui no Eito não somos lá muito apreciadores da episcopal tradição do
beija-mão, mas qualificamo-nos em tudo o resto: prezamo-nos, e não negamos a nossa superioridade (com
possível excepção no capítulo da moral...). Assim, é mais do que natural que, quando nos
lançamos no quarto ano de publicação, pensemos ser este o momento ideal para instituir os nossos
próprios prémios.
Como é sempre de bom tom mostrar que não se é autista, deliberamos serem os nossos
prémios destinados à Imprensa regional transmontana — desta forma provando que a lemos e, com uma só
cajadada, lançando as bases para uma boa vizinhança. Por outro lado, estando escrito algures que todo o jornal,
revista ou livro publicado em Trás-os-Montes deve ser telúrico e saudosista, ficou claro para nós que o nome
a dar ao troféu teria de evocar a transmontanidade que nos corre nas veias — que melhor nome, então, numa terra de
granito e xisto, do que "Prémios 'Calhau' da Imprensa Transmontana"?
Seguem-se, por ordem cronológica, os vencedores, criteriosamente escolhidos entre as pérolas que
ganharam forma de letra durante o ano 2000 ou, como é o caso das menções honrosas com que começamos,
no derradeiro dia de 1999.
Menções
Honrosas 1999 in extremis:
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Menção Honrosa O 25 de Abril não estava nos planos de D. Afonso
Henriques:

«Declaradamente a última geração que antecedeu o ano 2000 e que liderou Portugal nas últimas
décadas do século XX, traiu os destinos da Pátria que Afonso Henriques delineou nos campos de S. Mamede, em
1128.»

— Barroso da Fonte, Notícias do Douro (Peso da
Régua), 31/12/1999
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Menção Honrosa Colonização exemplar:

«Colonizar é sinónimo [...] de civilizar. Civilizar não é explorar.»

— João Baptista Martins, Notícias de Chaves,
31/12/1999
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Prémios e Menções Honrosas Calhau
2000:
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Prémio New York Times transmontano:

«Que melhor porvir para este Jornal [A Voz de Trás-os-Montes] do que ser um novo Farol de Alexandria — uma das Sete
Maravilhas do Mundo — desta vez a espalhar a luz do saber e a voz de todos nós?»

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Prémio Saudades de 48 anos de progresso:

«[...] sem Fé, sem Família e sem amor à Pátria que nos viu nascer, nenhuma Nação
progride; [...]»

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Prémio 26 anos de inadaptação:

«O conceito de democracia, cada vez mais me baralha as ideias [...]»

— José de Oliveira Guerra, O Arrais (Peso da
Régua), 10/02/2000
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Prémio Scientia ancilla Theologiae:1

«Que a ciência se debruce sobre esta verdade [a homossexualidade como pecado] e proceda a um estudo com o fim de mentalizar
o homem a não ser louco nem depravado no seu comportamento [...]»

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Prémio Isen†os, graças a Deus!:

«Seja-me permitida uma palavra de muito apreço para com a Imprensa Regional de Inspiração Cristã, que
tem sabido cumprir o seu papel com a máxima isenção em todo o país.»

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Prémio Veja-se o livro de História da 4ª Classe antiga...:

«Portugal sempre foi berço de homens másculos, de corpo e alma.»

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Prémio Trás-os-Montes, honrosa excepção:

«Os homens de hoje são vesgos e de menoridade intelectual.»

— idem
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Prémio Há lá prova mais irrefutável?!:

«[João Paulo II] Pôs em evidência que os males do mundo de hoje são o terrível preço de
um mundo laicista, que caminha, já sob muitos aspectos, para um claro e destruidor mundo pagão.»

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Prémio O Reino Maravilhoso:

«Trás-os-Montes e Alto Douro é o verdadeiro país real. Aquele que produz riquezas e gera consensos.»

Menções Honrosas O Reino Maravilhoso (ex aequo):

«[...] uma grande prova de como a tradição, a cultura e o rural se mantêm [em Trás-os-Montes],
acompanhado por um grande desenvolvimento.»

— José António Flores,
O Informativo da AAUTAD (Vila Real), 07/2000

«[...] o povo [transmontano] informou-se, aceitou o desafio do século XXI e fez-se à vida moderna.»

— Cristina Simões, revista Loa de Trás-os-Montes
e Douro (Bragança), 12/2000–01/2001
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Prémio E depois admiram-se que o pároco de Valpaços perore contra o
candidato Jorge Sampaio...:

«Onde faltar Deus ninguém vai encontrar AMOR!
Onde faltar Deus ninguém vai encontrar IRMÃOS!
Onde faltar Deus ninguém vai encontrar HOMENS!»

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Prémio Acho que o Capitão Vilares já falou nisto, mas seja como for...:

«Resumidamente, [os homossexuais] são criaturas a necessitar de intensivos tratamentos psiquiátricos, se ainda
algo houver a fazer.»

— José da Silva, Voz do Tua (Mirandela), 09/09/2000
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Prémio Se a mim mo negam, por que carga de água têm os demais mortais
direito a ele?:

«Os sociólogos da família agrupam em três as ondas que sopram [sic] contra a família: a
liberdade levada ao extremo, o ressurgir do eugenismo e o chamado direito ao prazer.»

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Prémio Virtuosa sinceridade:

«Alguns jornais regionais não passam de meros "pasquins", alguns ao serviço de forças
partidárias locais e muitos sem qualquer qualidade para ostentarem o título de jornais.»

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Prémio Bem, pela Lei, alguém cerebralmente morto é já
considerado cadáver...:

«Estamos de luto! O Governo quer matar a Imprensa Regional.»

— Slogan usado por diversos jornais regionais ao longo
de várias edições, como protesto contra as alterações às regras do Porte Pago.
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Nota:
1 «A Ciência, escrava da Teologia»: preceito medieval em caso de contradição entre a primeira e a
segunda.
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