O Eito Fora faz três anos. Antes que o champanhe nos tolde a visão e atrofie o discernimento, vamos
falar de inevitabilidades.
1. É inevitável reconhecer que esta publicação é
demasiado irrequieta (chamemos-lhe assim) para que possa submeter-se a uma rigorosa periodicidade. A inclemência do
calendário e a severidade das normas são dois espartilhos de que sempre procurámos libertar-nos. O slogan
"Bimestralmente Sem Pressas", que já anteriormente demos a conhecer ao mundo, não é uma diatribe
inconsequente — é a real descrição do processo de edição do Eito.
Os visionários indefectíveis desta publicação compreendem que não se deve
apressar o imponderável. E o Jornal de Vilarelho, que não é um jornal de notícias — já se disse
muitas vezes —, não precisa de viver de timings ou agendas, de ponderabilidade. O Eito tem que ser como as melhores
festas: inesperado. Podia não ser sempre surpreendente, mas tem que ser uma surpresa a sua saída. Os que defendem a
pontualidade britânica são como os piores dos ingleses: conservadores, tradicionalistas, chatos e abstémios.
Numa palavra: osgas! Se o leitor se enquadra numa destas características deve encomendar já a sua alma ao Diabo
(maneira eufemística de dizer "vá p’ró diabo!").
O Eito Fora não tem data certa — sai no dia em que a magnanimidade dos editores assim o decide. O Eito Fora
não se lê — festeja-se! Não se esfolha — dá-se graças a Deus porque ele, na sua extrema
generosidade, nos concedeu tal maná. (Ainda há quem diga que os transmontanos não têm sorte!...)
2. É inevitável reconhecer que o Jornal de Vilarelho é uma
revista. Mas um bom paradoxo é aquele que resiste à maior das evidências. Por isso, porque gostamos de coisas
boas, o Eito Fora há-de ser sempre o Jornal de Vilarelho. Pode ser pela metáfora (Vilarelho: diminutivo,
símbolo dos que não se iludem com a "grandeza" alheia); pode ser pela real proveniência (Vilarelho de Jales,
Trás-os-Montes); pode ser pelos insondáveis caminhos da burocracia (a chatice que seria mudar o nome para "Revista
de Vilarelho"...). Pode ser.
3. É (quase) inevitável dar razão aos que dizem ser o Eito
Fora a mais invendável das publicações em Trás-os-Montes. Isto, que até podia ser a maior das
críticas à... hmm... revista Eito Fora, é, afinal, o elogio fúnebre desta região. O que
não é dizer grande coisa dela. Da região.