edição n.º 15 vai para a página do index da edição
 
poesia [2]
vítor nogueira

Quatro poemas desconstruídos

Por diante da janela

vai a vida correndo devagar,
passando por nós — e nós por ela.
um destino, se é que existe, não se fixa.
homem livre que me acenas, por que estrela te guias?
por que caminho te decides,
diante de cada encruzilhada?
da coragem de viver faz-se o destino.
janela aberta ao universo, a vida é tua.

vai a vida
passando por
um
homem livre que me acena.
por
diante
da coragem de viver
janela aberta ao universo...

vai
passando
um
homem
por
diante
da
janela.


A meio caminho

quando penso no motivo que me leva
a tentar prosseguir esta viagem,
saudade do que ainda não vivi
nos sítios que me falta visitar,
obriga-me a vontade de seguir.
é largo o horizonte que imagino,
porque o mundo não tem fim, nem que lho ponham.
assim é mais fácil ser feliz...
tem graça que, não fosse o teu sorriso,
de volta agora mesmo à minha ideia,
seria sem regresso esta jornada.

quando penso no motivo que me leva
a tentar prosseguir esta
saudade do que ainda
nos
obriga...
é largo o horizonte,
porque o mundo.
assim,
tem graça que, não fosse o teu
de volta,
seria sem regresso esta jornada.

quando
a
saudade
nos
obriga
é
porque
assim
tem
de
ser.

Insuficiência

há regras que me asfixiam,
sempre que não saio da ciência.
uma falta de coragem, é o que é.
insuficiente é quem não se liberta.
ciência é tudo o que faz falta mas não chega.
que ciência tem o brilho dos teus olhos?
por que ciência me guio, quando os vejo?
superação elementar, toda a ciência
é disfarce duma razão bem comportada.
arte! raio que te arte, ciência duma figa!

há regras que me asfixiam,
sempre que
uma
insuficiente
ciência é tudo.
que ciência?
por que ciência me guio, quando
superação
é
arte?


sempre
uma
insufi-
ciência
que
por
superação
é
arte.


Quando a mais ínfima estrela me encandeia

quando a mais ínfima estrela me encandeia,
o mais puro cristal me surge opaco.
unicamente pelo ter-de-ser resisto.
verso e frente ao mesmo tempo, uma só vida,
inteiro procuro reunir os meus pedaços.
se o que resta então de mim se aproveita,
apresenta contas ao in de negação:
insuportável é o mundo, mas eu cá ando.

quando
o mais puro cristal me surge
unicamente pelo
verso,
inteiro procuro
se o que resta
apresenta contas ao in de
insuportável.

quando
o
uni-
verso
inteiro
se
apresenta
insuportável...


v.nogueira@periferica.org

'Andarilho', símbolo do EITO FORA

EITO FORA: transmontano sem preconceitos

vai para o topo da página vai para o texto seguinte vai para o texto anterior