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apartado 51
Colaboradores neste número:
Carlos Teixeira, Carvalhinha Rebocho, Dora Sarmento Mota, Duarte Alegre, Elza Garcia, Eugénio Branco,
Fernando Gouveia, José Ferreira Borges, Luís C. Teixeira, Manuel Guimarães, Maria Costa, Maria Filomena,
Rui Duarte, Rui Ribeiro, Troglodýtes Trogloditikós, Vicente de Sousa e Vítor Nogueira.
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[sem título]
Quando a noite azul. A noite azul. As ruas largas.
Quando a avenida. Os balões misturadas com cantigas. Quando os sonhos primeiros. O sol dentro de casa.
A casa. As casas alumiadas. A noite alta como dia.
Quando os dias húmidos. Os bolsos rotos de tristeza.
O comboio assobiando. Cada dia uma partida.
Quando a tua mão. A tua mão no meu ombro.
A tua mão acenando. Longe. Longe. Longe.
Quando eu. Mais e mais pequenina.
Quando o teu corpo. A tua testa de mármore.
Aquele frio. Mais que frio. O mármore.
E tu tão azul. Minha estrela tão fria.
Quando a jarra partida. O chão molhado.
A alma ferida. Mil cacos no caminho. |
Desconstrução
no convés do navio a luz é escassa.
silêncio e raiva para tudo isto!
da passagem das horas fica a inércia do balouço.
noite. mar dos açores.
escrevo partos difíceis, escrevo porque tem de ser:
um chorrilho de coisa nenhuma.
bilhete postal que me recebes, por que me recebes?
a angústia de tudo isto é o ter de ser alguma coisa.
ninguém, nenhuma tempestade, nenhum nada...
no convés do
silêncio,
da passagem das horas fica a
noite.
escrevo partos difíceis, escrevo
um chorrilho de coisa nenhuma.
bilhete postal que me recebes,
a angústia de tudo isto é
ninguém.
no
silêncio
da
noite
escrevo
um
bilhete
a
ninguém.
v.nogueira@periferica.org
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