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Colaboradores neste número: Carlos Teixeira, Carvalhinha Rebocho, Dora Sarmento Mota, Duarte Alegre, Elza Garcia, Eugénio Branco, Fernando Gouveia, José Ferreira Borges, Luís C. Teixeira, Manuel Guimarães, Maria Costa, Maria Filomena, Rui Duarte, Rui Ribeiro, Troglodýtes Trogloditikós, Vicente de Sousa e Vítor Nogueira.

Capa da edição n.º 14 (setembro de 2000) [fotografia de Carlos Chaves]
Capa da edição n.º 14
(setembro de 2000)
[fotografia de Carlos Chaves]

A necessidade de dar nas vistas


Por uma vez, vamos falar a sério.

Já o temos feito. Com o psiquiatra, em dias de crise. Com o confessor, em horas de pânico. Com o barman, habitualmente. Desta vez vamos fazê-lo com o leitor.

Diz-se por aí que o Eito não dá nas vistas. Consultámos vários oftalmologistas e verificámos ser esta uma verdade indesmentível: o índice de escoriações oculares não aumentou.

Mas outras verdades se impõem. O Eito Fora tem patrocinadores. (É verdade! Não estamos aqui para enganar ninguém.)

A nossa secção financeira (o Carlos) teve recentemente a proposta de um grande investimento: dois anos de publicidade de página inteira e uma viagem ao Irão para as cúpulas. De início desconfiámos do destino da viagem — tememos que o investidor fosse um qualquer ayatollah, versão portuga, a querer ver-se livre de nós. (Há-os!) Mas o homem argumentou com decência acerca da democracia, da liberdade de expressão, patati, patatá... Levou-nos na conversa.

O tipo queria fazer caridade e viu nas nossas olheiras de whisky as grandes fomes da Somália. Por mais que disséssemos que era um pecado investir em gente da nossa laia; por mais que lhe provássemos que haviam outros em lista de espera para publicitar; por mais que lhe confessássemos estarmos meses atrasados na colecta das publicidades (logo a sua caridade ia ter problemas de timing), o homem não se desfez. Era uma devoção publicitar no Eito Fora.

No idílio que nos era proposto haviam contrapartidas. “Coisa de somenos para a envergadura do Eito”, garantiu-nos o benfazejo. O senhor queria uma página do Eito como quem quer uma vela em Fátima. Mas queria mais. Queria que a SIC soubesse da esmola. Verdade (de novo)! A proposta só teria validade se a SIC fosse informada da pureza do seu coração!

Pensámos escorraçá-lo para o “Ponto de Encontro”, mas os nossos amigos já conjugavam o verbo ir: “Irão?” Perante a destreza verbal dos que nos rodeiam, ensaiamos uma espécie de rendição. Com sinceridade, falamos-lhe do quanto era preciso desafinar-se para que a SIC desse atenção. Que desafinássemos, disse.

O caso estava bicudo. Porquê a SIC, meu Deus? Se fosse O Independente até nos esgadanhávamos para que a dádiva saísse naquelas páginas sagradas. Nem mesmo nos importávamos que o MEC fosse sincero (estamos habituados a depressões). Mas não. O pobre Eito, o ilegível Eito, que, para mal dos nossos patrocinadores, apenas tinha sido beliscado pel’A Capital, arranhado pelo 1ª Página, trincado pel’O Comércio do Porto e ameaçado pelo Acontece, via-se agora na necessidade de seduzir a Rainha do Share. Que macacadas poderíamos fazer para que o Rangel se apercebesse que o Eito era objecto de beneficência?

Após muitas voltas, encontramos a solução perfeita — na concorrência.

Caros leitores: quando virem o papel usado na casa de banho do Big Brother, não se ofendam. Cedemos por uma boa causa.

 
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ruiaaraujo@periferica.org

'Andarilho', símbolo do EITO FORA

 

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