edição n.º 14 vai para a página do index da edição
um jornal? uma revista?
apartado 51 antónio silva  

index

editorial

bom porto

cultura

opinião

homenagem

provocações

aventura

património

cad. de viagem 1

cadernos de viagem 2,3

crón. de viagem

perfil

ensaio 1

ensaio 2

ensaio 3

conto

anacrónica 1

anacrónica 2

poesia 1

poesia 2

apartado 51


Colaboradores neste número: Carlos Teixeira, Carvalhinha Rebocho, Dora Sarmento Mota, Duarte Alegre, Elza Garcia, Eugénio Branco, Fernando Gouveia, José Ferreira Borges, Luís C. Teixeira, Manuel Guimarães, Maria Costa, Maria Filomena, Rui Duarte, Rui Ribeiro, Troglodýtes Trogloditikós, Vicente de Sousa e Vítor Nogueira.

ilustração de Paulo Araújo
ilustração de Paulo Araújo,
publicada no Eito Fora n.º 13

Carta de um transmontano



Leitor habitual do vosso jornal, venho comunicar que vou deixar de o comprar. O motivo de tal decisão são os insultos a nós Transmontanos que tiveram a desfaçatez de publicar no vosso último número.

É inadmissível que um jornal que se diz de Vilarelho (suponho que seja em Trás-os-Montes, não?...) se rebaixe a um nível editorial mais próprio do Alberto João Jardim, com a diferença de que este pelo menos não se envergonha de ser madeirense.

Apesar de todas as vossas ofensas, o Transmontano resiste porque insultos vindos de tais desclassificados resvalam na carapaça da indiferença do verdadeiro transmontano.

Não é o livro que alimenta os filhos, nem o teatro que traz pão para a boca. Também não é esse Shakespeare que nos vem ajudar a granjear ou que nos vem trazer estradas. Eu não crítico que se vá uma vez por outra ao teatro ou ao circo, que um homem também tem que espairecer, mas fazer disso vida é que não. Se soubessem o que custa a vida percebiam que o Transmontano não tem tempo a perder com leituras e outras coisas parecidas de que se ocupam normalmente os preguiçosos e aqueles que não têm obra feita para mostrar. Não é o caso dos nossos emigrantes que muito têm contribuído para o desenvolvimento desta região, nomeadamente com as suas belas casas, porque não tiveram medo de partir de mãos a abanar rumo ao desconhecido. E mais ainda, os nossos emigrantes, depois de conhecerem outras culturas (o que de certeza não é o vosso caso) são os primeiros a reconhecer o valor desta região. Por mais longe que andem não encontram outro cantinho como este.

Vossas excelências têm também a lata de criticar aqueles que, com grande esforço, se ocupam de pedir qualquer coisa para a nossa terra. Se não fosse isso esta terra não era o que é. Se estivéssemos à espera da vossa iniciativa nunca em Lisboa se lembrariam de nós.

As tradições é que mantêm viva a nossa região! Nunca nos demos mal com elas. Se lessem os nossos jornais ou o Notícias viam que o que sobressai para o mundo são precisamente as nossas festas populares e o nosso folclore, no fundo a nossa tradição única. Os nossos ranchos são bem recebidos em todo o mundo (especialmente pelos nossos emigrantes) e deixam lá a nossa marca inesquecível. Por onde eles passam ninguém fica alheio a esta terra maravilhosa.

É bem verdade que ninguém tem nada a ensinar ao Transmontano, senão veja-se os exemplos daqueles que singraram no panorama nacional e não só. De onde é o Durão Barroso? Certamente não sabem. Pois bem, é Transmontano e vejam só a magnífica carreira política que vem fazendo! E o Almeida Santos, julgam que tinha chegado onde chegou se não fossem os ares Transmontanos? Sabe-se bem que quando está na Assembleia morre de saudades pela sua casa de Freixo de Espada-à-Cinta, onde não entram jornalistas da vossa laia que só estorvam quem trabalha. Até o Pacheco Pereira se não tivesse dado aulas em Boticas não era o homem que é hoje. Começou a sua carreira em Trás-os-Montes e veja-se agora onde está. Deus o conserve por lá muitos anos a pedir por nós, que bem precisamos.

E na vida artística, haverá algum cantor português com maior sucesso que o Roberto Leal? Até no Brasil é conhecido. E o que é que vocês têm contra o Emanuel? Inveja? O homem não é Transmontano mas é acarinhado por estas gentes magníficas e só isso devia-lhes merecer mais respeito.

Por mais que Vossas Excelências falem e estrebuchem o Transmontano não há-de mudar e há-de ir cada vez mais longe e dispensa as opiniões de pessoas que só vêm a Trás-os-Montes uma vez por festa e quando vêm é apenas para comer o presunto.


Com os cumprimentos de


António Silva
(Orgulhosamente Transmontano)

 
vai para o topo da página  

'Andarilho', símbolo do EITO FORA

 

transmontano sem preconceitos