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Colaboradores neste número:
Agapito Laranjeira, Anabela Ribeiro, Clara Monteiro, Eugénio Branco, Fernando Gouveia,
João Brito, João Estrócio, José Carlos Barros, José F. de Resendes Carreiro,
Luís C. Teixeira, Luísa Costa, Manuel Guimarães, Maria Filomena, Paula Pestana, Paula Vieira,
Rui Duarte, Rui Ribeiro, Vítor Lamas, Vítor Nogueira.
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Morteiro simétrico
Desafiando as leis da física, este morteiro deixou uma quadratura simétrica no
edifício. Ficou suspensa a estrutura de alumínio, deixando dúvidas sobre situações
particulares, divididas. Caíram as escadas, mas até parece que se vê gente por ali. O candeeiro
confirma esta história.
Pouco se adivinha da simetria das janelas. E é como se o morteiro tivesse vindo de dentro para
fora. Como se o prédio o tivesse vomitado, enjoado da sua existência imóvel.
Ou talvez fosse esta a ideia, desde o inicio. Onde funcionários a tempo precário, mas
zelosos nas suas funções, se movessem em perfeito equilíbrio, caminhando em cima de arames, lestos,
por corredores Imaginários.
E o grande morteiro desintegrou-se, simetricamente, para revelar a organização desta
burocracia escondida atrás da parede. E o produto dela. O resultado de décadas de repartições
em alumínio equilibradas em arames. Cá em baixo, o entulho. A grande sanita burocrática.
guimaraes@portugalmail.pt
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