o movimento da sensualidade, às vezes, nasce longínquo
quase como uma fera de sentimentos vegetais
vestidos de uma carne crepuscular — ténue
exalando o olor de sete serpentes — sempre virgens
é como se existisse uma estátua-pétala — seda
que nos percorre o deserto marmóreo da pele
descobrindo a perspectiva do olhar-marfim
que nos entra pelo corpo das ideias dentro
transporta-nos um animal-esfíngico primaveril
flutuando primacialmente na aragem completa
que percorre a perplexa floresta de lábios-derme
cavalgando estames-verdes — infinitamente frágeis
é como se fosse uma manhã terrivelmente aquática
de uma imensa claridade de formas — saturadas
que se vertem nas mãos-gladíulo dos amantes
num clarão de uma evidência sibilina — quase tangível...
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outras vezes, a sensualidade nasce abrupta — vertiginosa
acumulando-se na dilatação excessiva dos poros
concentração dionisíaca de fluidos-magma — lava
que nos banham as ideias do corpo-carne — infinitamente carne...
até sentirmos intensamente a respiração das formas-formas
que se erguem em altas torres de marfim vulcânico
expansão violenta da contracção dos músculos-pedra
que nos habitam por dentro dos fonemas nocturnos...
concreção infinitamente lapidar do espaço ventre...
soltando-se no delírio flamejante de orquídeas — abertas
em espasmos-sussurros-rangentes — do olor dos corpos
que se espraiam na proximidade imagética da derme
trepidação descomunal de todas as coisas no mesmo tic
tac continuamente abrasivo de serpentes-dédalo
que volteiam nos lábios-corpo-língua-sexo
expandindo-se pelo infinito da respiração-cor......
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volúpia-ânsia de beijar as íris da pele...
deglutir-te o odor corporal em poema...
transe de morder-te os lábios da alma...
fugir com ela em aspiral-fonema...
dançar-te a polka da língua-serpe...
por entre o seio dos olhos-ventosa...
ampliar-te o cromatismo da luz inversa...
em respiração de manhã frondosa...
buscar-te as sílabas livro-d`água...
que teces com a mão-animal...
dentar-te o céu da voz selvagem...
dente de elefante em rito tribal...
ouvir os sons estrídulos das tuas formas...
sinfonia calada de orquídeas nuas...
enlaçar-te continuamente em concha perpétua...
ânsias marítimas de navegar durante luas...
caravelas de desejos alados...
percorrem o mar primacial das coisas todas
vagueando por dentro do firmamento da sede
reflectindo a água cristalina dos olhos-boca
lábios de cristais salgados ardem na maresia-vertigem...
abraçando-me a bruma de fonemas-líquidos
que ondeiam no corpo-mar... mar... mar... mar...mar...
.....onde bolino placidamente......
.....com velas de seda-pele.......
.....matinalmente aromática.....
a mimosas silvestres de campos-olhos-verdes....
da uma cor infinitamente concreta — a sonhos
lapidados pelo deslumbre do reflexo momentâneo
que já não podemos ter por dentro — da seda.........
hoje, adentro o meu olhar pelo íntimo da seda perpétua...
volatilizo-me até ao âmago do silêncio compacto...
mordo a quietude do vácuo rigorosamente rectilíneo...
das pedras graníticas que enformam o frontispício diáfano...
da catedral-antro onde se adoram os corpos ébrios...
por entre a seda pura — das mãos-gladíolo dos amantes
na mesma catedral-antro
onde às vezes...
.....não podemos orar...
.....porque deus não permite