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Colaboradores neste número:
Agapito Laranjeira, Anabela Ribeiro, Clara Monteiro, Eugénio Branco, Fernando Gouveia,
João Brito, João Estrócio, José Carlos Barros, José F. de Resendes Carreiro,
Luís C. Teixeira, Luísa Costa, Manuel Guimarães, Maria Filomena, Paula Pestana, Paula Vieira,
Rui Duarte, Rui Ribeiro, Vítor Lamas, Vítor Nogueira.
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![Fotografia de cena [Seiva Trupe]](wittgenstein1.jpg)
Fotografia de cena [Seiva Trupe]
![Fotografia de cena [Seiva Trupe]](wittgenstein2.jpg)
Fotografia de cena [Seiva Trupe]
![Fotografia de cena [Seiva Trupe]](wittgenstein3.jpg)
Fotografia de cena [Seiva Trupe]
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comentário
«O verdadeiro artista é aquele que se isola»
(uma visão de Almoço em Casa de Ludwig Wittgenstein)
À direita uma mesa domina o espaço. À esquerda uma cadeira constitui-se como o
segundo vértice de um triângulo, que se fecha em ponto de fuga numa porta. Uma configuração
que poderia ser clássica, não fosse a mesa, pelo tamanho, pelo vermelho da cobertura, a impor um forte
descentramento à cena.
Um outro triângulo, igualmente descentrado, vai-se corporizando nas relações entre
Ludwig Wittgenstein, saído do manicómio para uma temporada em casa, e as suas duas irmãs, os dois
vértices menores deste triângulo. Actrizes falhadas que permanecem pelo acomodamento da arte às
regras impostas pelo mecenato, representam aqui o senso comum, quais porta-vozes do coro de tragédia grega
formado pela "vedação" de retratos de família significativamente suspensos por correntes
de ferro. Wittgenstein é um ser em fuga, uma fuga mundi, mas para a frente, traçando um caminho
próprio em jeito de manifesto: «contra as artes plásticas, contra o teatro, contra a hipocrisia e a
corrupção que existe nas grandes instituições e nos falsos artistas», diz Paulo Castro.
«Ele ataca a pintura porque existe mais pose do que produto» e considera o teatro uma arte menor por ser colectivo,
já que o verdadeiro artista é aquele que se isola, nem que seja no manicómio.
O tempo por excelência de comunicabilidade familiar, que é o almoço, torna-se
metonímia de todos os desencontros. Wittgenstein põe em causa a sua própria concepção
de que o mais importante é o que se não diz, debitando uma longa lista de verdades nuas e cruas sobre a
família e a sociedade, perante o jogo duplo da irmã mais nova e a indiferença da mais velha que,
entre falas mansas e cuidados extremosos, vai cozinhando e servindo um repasto de facas.
Uma banda sonora em que predominam temas de Tricky e dos Pixies, o «espaço cénico
depurado» e a força hipersígnica dos objectos, conjugam-se com a violência contida do texto,
criando um universo de pungente agressividade, onde mais facilmente se reconhece o tempo da recepção que
o tempo da acção.
filomena@periferica.org
fgouveia@periferica.org
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cinema
Paulo Castro a 35 mm
«Actualmente estou com uma longa-metragem em montagem. Chama-se Cães Raivosos e em
princípio cá em Portugal vai estrear no Fantasporto 2001; este ano vai estrear no Festival de
Moscovo.
«O filme é passado aqui no Porto e aborda o tema do teatro: um encenador e um actor estão
a montar um espectáculo chamado Wittgenstein contra Hitler no TNSJ e enlouquecem, sendo despedidos.
Então, como têm uma bagagem intelectualmente forte, tentam achar cá fora interlocutores, e como
não vão achando, partem para uma odisseia de violência enorme - é por isso que são os
Cães Raivosos.
«O filme foi todo feito de câmara ao ombro, muito na linha de Lars von Trier. É um filme
quase de captação do que está a acontecer. As cenas foram muito improvisadas; tínhamos a
base dos diálogos, mas improvisávamos muito. A câmara nunca era fixa: nas situações
mais violentas, a câmara treme, desfoca, foca. Ao estilo reportagem.»
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