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edição n.º 13 ensaio [3] rui duarte  

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Colaboradores neste número: Agapito Laranjeira, Anabela Ribeiro, Clara Monteiro, Eugénio Branco, Fernando Gouveia, João Brito, João Estrócio, José Carlos Barros, José F. de Resendes Carreiro, Luís C. Teixeira, Luísa Costa, Manuel Guimarães, Maria Filomena, Paula Pestana, Paula Vieira, Rui Duarte, Rui Ribeiro, Vítor Lamas, Vítor Nogueira.

Há que consciencializar a sociedade em geral de que a educação é uma tarefa de todos nós, que deve ser partilhada e da responsabilidade dos diferentes agentes e instituições, sejam eles pais, professores, educadores, auxiliares da acção educativa; sejam elas autarquias, imprensa, organizações não governamentais, governo, etc.

Procuram-se Encarregados de Educação.
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A ideia de que a responsabilidade pela educação das crianças e jovens cabe, em grande parte (ou exclusivo) aos professores e educadores, continua a criar uma barreira, cada vez mais densa, e a contribuir para a confusão e distorção dos papéis dos agentes educativos mais directamente envolvidos neste processo: os pais e professores / educadores.

Dadas as constantes mutações de valores e princípios das sociedades contemporâneas, a responsabilidade da educação das crianças e jovens é, cada vez mais, “atirada” para cima dos ombros dos professores/educadores e da própria escola. Hoje em dia, o professor, para além das suas qualificações profissionais, não pode acumular papeis ou responsabilidades que apenas dizem respeito aos pais. Como nos diz Saul Jesus (1996): “É importante que se assuma que os professores não podem substituir os pais na educação dos filhos. Os pais são os primeiros modelos para os filhos, tendo sobre eles uma influência que os professores não podem ter”1. Não vou defender que há fronteiras rígidas, intransponíveis — que marcam os compromissos para com a educação da criança ou jovem — entre pais e professores/educadores, mas haverá que reconhecer que nenhum deles substitui o outro em determinados papeis que lhes são específicos. Os pais “têm influência sobre a educação e o desenvolvimento dos filhos que é única e insubstituível”2.

Por sua vez, os professores e educadores, pela responsabilidade que têm na criação de condições para o desenvolvimento de capacidades, e para a aquisição e domínio de conhecimentos por parte dos alunos, estarão igualmente a contribuir decisivamente para a formação integral destes.

De forma a não tornar o texto demasiadamente extenso, e respeitando o espaço que me é facultado neste jornal, focarei a minha reflexão no papel (imprescindível) dos pais e encarregados de educação (E.E.) no prosseguimento de estudos e na formação dos seus educandos.

É incontestável que a escola e os professores devem adaptar-se às novas realidades sociais, culturais e económicas. É, de igual modo, indiscutível que estes devem ter uma maior aproximação à comunidade local e, consequentemente, aos pais e E.E..

As orientações a nível de política educativa — perfeitamente discutíveis — têm vindo a convergir para esta aproximação. No entanto, e face a estas vicissitudes, a participação dos pais e E.E. no quotidiano escolar dos seus filhos é, salvo raras excepções, praticamente nula. É caso para perguntar se serão assim tantos os motivos ou razões (plausíveis) que levem estes a menosprezarem aquilo que, do meu ponto de vista, é a principal razão de existência de um pai e/ou de uma mãe: os filhos.

Comentando alguns estudos efectuados em alguns países, incluindo o nosso, sobre a participação dos pais na vida escolar dos seus filhos, Ramiro Marques (1990) apresenta, entre outros, um dado interessante e elucidativo desta problemática: “Quando as famílias participam na vida das escolas, quando os pais acompanham e ajudam o trabalho dos filhos, estes têm melhores resultados do que os colegas com o mesmo background, mas cujos os pais se mantêm afastados da escola”3. Isto demonstra, mais uma vez, a importância e a necessidade dos pais viverem de perto o dia a dia dos seus filhos, de forma a lhes favorecer um crescimento saudável, prevenindo e evitando situações que possam prejudicar o seu rendimento escolar e a sua vida social. Quando tal não acontece, os filhos sentem-se, por vezes, desconsiderados, podendo isto causar-lhes diversos comportamentos, que tenham repercussões negativas no seu aproveitamento escolar e na sua relação com colegas e professores/educadores. Esta é, aliás, uma infeliz realidade que se constata.

À excepção de alguns casos, relativos a determinadas famílias (com fracos rendimentos, deficientes condições de habitabilidade, etc.), é profundo o desinteresse que alguns pais manifestam pela vida escolar dos seus filhos. Mais absurdo e lamentável se torna quando é sabido que estes têm disponibilidade (mas pouca vontade!) para se deslocarem à escola, de forma a tomar conhecimento da situação escolar dos seus educandos, e eventualmente poderem dar informações preciosas para o rendimento destes. Há casos crónicos em que os pais apenas aparecem no dia das matrículas, isto quando não enviam uma outra pessoa mandatada para o efeito!

Agora observemos a questão através de um outro ponto de vista. Se por um lado (e na generalidade dos casos) a ausência dos pais e E.E. na escola é por demais evidente, por outro, são frequentes os casos em que a participação destes se limita à (legítima ou ilegítima) contestação das notas atribuídas aos seus educandos. E se porventura alguns desses pais tem formação académica, portanto, um curso superior, ei-los a contestarem as avaliações, as metodologias, os professores, a escola, o padre, etc., ameaçando que, dado o conhecimento(?) que têm da legislação e de alguns procedimentos, tudo farão para complicar a vida do professor, caso as suas reivindicações não forem atendidas.

Num artigo sobre violência escolar, publicado na revista Visão, Margarida Carvalho comenta o comportamento de alguns alunos que, a este propósito — e quando fazem questão de salientar o estatuto dos pais — consideram (de forma irónica ou ingénua) que “Ser filho de licenciado é (...) «ser filho de alguém que sabe como tramar os professores»”4.

É por estas e por outras que, por vezes, se cria um clima de suspeição e de tensão entre pais/E.E. e professores, e ainda entre aqueles e a própria escola.

Na minha óptica, o melhor caminho (ou pelo menos, o mais coerente) está na corresponsabilização que deverá existir entre os mais directos responsáveis na educação dos filhos, repito: os pais e professores/educadores — sendo os primeiros, por razões genealógicas e afectivas, os principais interessados.

Há que consciencializar a sociedade em geral de que a educação é uma tarefa de todos nós, que deve ser partilhada e da responsabilidade dos diferentes agentes e instituições, sejam eles pais, professores, educadores, auxiliares da acção educativa; sejam elas autarquias, imprensa, organizações não governamentais, governo, etc.


Notas:
1 JESUS, Saul (1996). Influência dos Professores sobre os Alunos. Colecção Cadernos Pedagógicos. N.º 34. Porto: Edições Asa, p. 27.
2 LOURENÇO, Orlando (1993). Crianças Para o Amanhã. Colecção Ciências da Educação, N.º 10. Porto: Porto Editora, p. 17.
3 MARQUES, Ramiro (1990). A Escola e os Pais: Como Colaborar?. Colecção Educação Hoje. Lisboa: Texto Editora, p. 9.
4 CARVALHO, Ana (2000). Lições Perigosas. In Revista Visão, N.º 378, 8 a 14 de Junho, pp. 94–104.

 
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