Viajar enriquece o espirito, faz libertar a mente, aliena-nos das preocupações
que nos rodeiam. Viajar proporciona-nos reflexão, tomar contacto com outras culturas, conhecer novos ideais e
até a nós mesmos.
Viajar por paisagens recônditas, exóticas, cada uma capaz de inspirar histórias
de mil e uma noites, mas tal como nos contos que inspiram, existem sempre mais personagens.
Estou agora a lembrar-me duma história que ocorreu (em finais de Fevereiro, ou seria
inícios de Março?...) numa destas grandes viagem no concelho apadrinhado pela águia.
A caminho do imponente Minheu, tagarelando sobre umas e outras com o Tobias, recordávamos
episódios fantásticos dos tempos em que ali fazíamos grandes acampamentos, à noite em
volta da fogueira contávamos e bebíamos ao som de melódicas guitarradas.
A páginas tantas o Tobias pergunta-me:
— Ó Cazé... atão e aquele parainte do Hitler que é Presidainte da
Áustria?
Claro que, com tão simples mote, a conversa prolongou-se por horas e horas, mas como muita
tinta tem corrido acerca da ascensão ao poder da extrema-direita na Áustria, e eu estou farto de
disparatar, falar, ouvir falar, ler sobre este assunto, desisto e recuso dissertar sobre tal assunto!
Pensemos em corpos... nus (não passemos à luxúria...) a luz a incidir no corpo, a
sombra, o brilho e a penumbra. Dentro deste corpo existem coisas valiosas, existem ideias, todas elas de
inestimável valor.
As ideias provocam ideias, novas e variadas, mas tal como na selecção das espécies,
umas sobrevivem, e até evoluem, outras não. Das ideias que sobrevivem, umas são consideradas boas,
outras são consideradas más. Mas em que se baseiam os critérios que separam as que poderão
ser boas das que poderão ser más? (correntes da história sobre as quais adaptamos o nosso modo de
vida...).
O ser humano caracteriza-se pela sua diversidade, física e intelectual por isso é
possível que seja difícil estabelecer critérios de pensamento. Tudo isto é muito vago mas
vai encontrar um meio termo na tolerância.
Um pensamento é inofensivo e mutável, surge do nada e revoluciona tudo, mas não
estaremos a ser intolerantes quando não aceitamos a forma de pensar de um outro ser humano? Falamos de
intolerância sempre que um negro é agredido, falamos de intolerância sempre que um cigano é
excluído, é intolerância quando vemos naquela pessoa um assassino, e simplesmente temos lá
um cidadão turco.
Mas voltemos aos corpos... (sim... os nus!) estes têm acção, executam (parou!
Não é nada disso...); o corpo é, tal como as ideias, uma essência importante.
As acções de cada indivíduo devem ser analisadas e questionadas dentro dos
parâmetros pelos quais se rege a sociedade e saber os efeitos que provocará nessa sociedade fazendo-a
evoluir ou regredir.
Excluindo este direito de execução, perde-se aqui a hipótese de fazer uma
análise correcta das acções do indivíduo, pois unicamente temos uma ideia do seu perfil
rotulado pelo senso comum (senso comum?????? E esses gajos sabem tudo?).
Seria correcto, prender o negro, para este não roubar; prender o cigano, para este não
vender droga; prender o turco, para que este não mate ninguém? Novas formas de intolerância se
sobrepõem aquelas contra as quais tanto se luta.
Quando um grupo não é tolerado tende a evoluir como uma comunidade isolada, ou seja,
dentro dos ideais que regem essa mesma comunidade; assim vai crescendo, até que se torna forte, embora
ninguém se tenha apercebido do seu poder, pois todos "os de bem", os deixaram de parte, e não
os confrontaram com valores humanos, foram intolerantes com o choque ideológico, condenaram ideias, sem haver
acções... quando as comunidades não se conhecem, temem-se...
E que acontecerá a seguir? (pá! Não sei... e o problema é esse...)
A propósito... alguém falou em Joerg Haider?