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um jornal? uma revista?
edição n.º 12 apartado 51 anónimo  

editorial

o jeito 1

o jeito 2

falar barato

torre dos coléricos

crónica de viagem 1

crónica de viagem 2

património

entrevista

etnografia

gato das botas

perfil

reportagem 1

reportagem 2

questionário

ensaio 1

ensaio 2

visão dupla

anacrónicas 1

anacrónicas 2

anacrónicas 3

poesia 1

poesia 2

apartado 51

b. d.


Colaboradores neste número: Agapito Laranjeira, Anabela Pinto, Anabela Ribeiro, António Cabral, Carlos “Cazé” Dias, Elza Garcia, Fernando Gouveia, Gil Silva, Jorge Rodrigues, José Ferreira Borges, Luís C. Teixeira, Luís D'Almada, Luís Roque, Luísa Albino, Luísa Costa, Manuel Guimarães, Maria Filomena, Paulo Leitão, Pedro Martins Colaço, Pitchu, Rui Duarte, Troglodýtes Trogloditikós, Vítor Nogueira.

[N. R. No EITO FORA não costumamos publicar textos não assinados. Abrimos esta excepção dado o interesse do tema. Não podemos, no entanto, deixar de lamentar o anonimato.]

Aprender a ensinar


Com a publicidade dada ultimamente pelo jornal [Semanário] TRANSMONTANO, tive curiosidade em conhecer de perto o jornal que Vª. Exa. dirige e os assuntos nele tratados, pois como transmontano que sou gosto de saber o que por cá se publica.

Foi na leitura do seu nº11 e na rubrica "Escrivaninha" num artigo assinado por Rui Duarte e intitulado "Mudam-se os tempos não se mudam as vontades" que, como professor que sou, me indignou a falta de consciência profissional evidenciada pelo facto de o artigo não inovar, mas apenas se limitar a criticar uma linha de actuação tão legitima como a que eventualmente o articulista segue.

Desenvolve o autor um conjunto de ideias a meu ver contraditórias, pois renegar práticas, excluir conteúdos programáticos e aceitá-los de novo ao sabor do momento da escrita, só por mero complexo de inferioridade ou uma forte razão de afirmação os poderei entender.

Presumo que o colega tem trabalhado ou trabalha em escolas onde os colegas da área não possuem os requisitos necessários à profissão que desempenham ou neles existem graves lacunas de formação, porque ser-se retrógrado no exercício implica não só ter voltado as práticas ligadas à escola tradicional como não contribuir para criar os necessários desequilíbrios imprescindíveis no desenvolvimento do aluno.

Que dizer do menosprezo a que vota o desenho geométrico? Acaso conhece com rigor os programas do 3º ciclo para os quais, como afirma, se sente com legitimidade para opinar? Será aquele enteado da Educação Visual?

Olhando o passado, desde o grego Menecmo (séc. IV a.C.), passando por Apolónio (séc. III a.C.), Desargues, Piero della Francesca, Monge e tantos outros até aos nossos dias, vemos que o desenho geométrico os ocupou no sentido de contribuírem para a resolução de alguns problemas ligados à matemática, arquitectura, engenharia e à própria geometria descritiva, colocando-o num lugar de destaque para poder ser considerado anacrónico e desajustado à realidade actual, porque é a partir dele que o aluno baseia toda a sua capacidade criadora e imaginativa partindo do que é concreto e conhecido para o abstracto e subjectivo, porque, como dizia Cezanne, "Rapazes, o truque está em reduzir a forma dos objectos à forma de um cubo, de um cilindro e de uma esfera", e isto porque, se constantemente recorremos às «formas básicas» na construção dos nossos trabalhos, é porque elas se revelam de um valor prático indiscutível. Analisemos a estrutura de qualquer objecto que se encontra à nossa volta. Verificaremos que todas elas nasceram de uma esfera, de um cubo ou de um cilindro. E, teoricamente, se soubermos desenhar essas três figuras, saberemos desenhar tudo, pois é indiscutível que os conhecimentos teóricos oferecem ao aluno uma base em que se apoiar para que as primeiras tentativas e posteriores rectificações correspondam a um raciocínio lógico.

Naturalmente que nunca poderemos perder de vista a componente artística já que ela possibilita a quem a realiza uma ampla liberdade de figuração e uma apreciável subjectividade na representação, deixando ao Criador a generosidade da imaginação.

Para terminar, e em jeito de reflexão, por ser aquele que se encontra mais à mão, que dizer da obra do reconhecido pintor Flaviense Nadir Afonso e do seu processo criativo, baseado no conhecimento profundo dos traçados geométricos? Não terá a sua obra criatividade?


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