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apartado 51
caricatura
Colaboradores neste número:
Agapito Laranjeira, Albertino Sousa, Anabela Ribeiro, Carlos “Cazé”
Dias, Duarte Carvalho, Elza Garcia, Fernando Gouveia, Gil Silva (Giló), Jorge Rodrigues,
José Ferreira Borges, Luís C. Teixeira, Luís D'Almada, Luísa Costa,
Manuel Guimarães, Maria dos Remédios, Paulo Mourão, Pedro Martins
Colaço, Rui Duarte, Troglodýtes Trogloditikós, Vítor Lamas.
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ilustração de Paulo Araújo

Albertino Sousa segundo Paulo Araújo
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Educação Cívica
Foi para mim uma grata surpresa ver de novo os estudantes do Ensino Secundário na rua a lutar pelos seus direitos, fazendo-me lembrar os velhos tempos em que frequentei o Liceu Camilo Castelo Branco em Vila Real, na segunda metade da década de 70, em pleno período pós revolucionário. Nessa altura a luta era quase diária e punha “exageradamente” em causa tudo o que tivesse sido instituído como norma, desde as questões simples ligadas à funcionalidade da comunidade escolar, até às questões mais sérias como os exames ou o regime de faltas. Terá sido exagerado, sem dúvida, mas foi nesse caldo revolucionário que se formaram, e bem, muitas consciências livres que hoje ocupam lugares de relevo da nossa comunidade, incluindo na área da educação.
O clima (mais frio) que se sentiu há dias em Vila Pouca de Aguiar e que a televisão mostrou a toda a Região, não atingiu tal dimensão, uma vez que o que estava aí em causa, era apenas a reivindicação do direito à satisfação de uma necessidade básica (conforto), mas serviu para dar substância a uma atitude inteiramente nova da parte desta geração de estudantes, que é a da defesa activa dos seus direitos e da afirmação da sua cidadania.
Não há dúvida também, de que os apagados líderes associativos das últimas décadas, que transformaram as associações de estudantes em comissões de festas para organizar bailaricos, estão a dar lugar a uma nova casta de jovens mais aguerridos, mais conscientes do seu lugar na comunidade e do embrincamento político dos seus problemas. Fico satisfeito por poder observar este renascimento do espírito estudantil e espero que ele se traduza não apenas na contestação, mas também na afirmação positiva de vontades e ideias.
Lamentavelmente a nossa escola “democrática” ainda subestima o ensino para a cidadania, apesar de consagrado na Lei de Bases do Sistema Educativo. Mesmo depois de ter sido anunciado pela Comissão de Reforma do Sistema Educativo, a introdução nos currículos dos Ensinos Básico e Secundário, de uma disciplina de Educação Cívica, o que veio a verificar-se foi uma reforma das propostas de reforma, deixando tudo na mesma. Não é de bom senso que a Educação Cívica possa ser colocada aos nossos alunos, como uma opção à Religião e Moral Católicas ou de qualquer outra confissão religiosa. A Educação Cívica só pode ser colocada como opção à falta dela e é urgente que o seja. |
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