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O JEITO

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Colaboradores neste número: Agapito Laranjeira, Albertino Sousa, Anabela Ribeiro, Carlos “Cazé” Dias, Duarte Carvalho, Elza Garcia, Fernando Gouveia, Gil Silva (Giló), Jorge Rodrigues, José Ferreira Borges, Luís C. Teixeira, Luís D'Almada, Luísa Costa, Manuel Guimarães, Maria dos Remédios, Paulo Mourão, Pedro Martins Colaço, Rui Duarte, Troglodýtes Trogloditikós, Vítor Lamas.

ilustração de Paulo Araújo
ilustração de Paulo Araújo

Feira do Fumeiro e outras mezinhas


Com a proibição dos touros de morte em Barrancos o governou optou por matar dois coelhos com uma só cajadada, ou seja: decretou também o fim da matança do porco em terras barrosãs. (Consta que a Sociedade protectora dos Animais reagiu mal à primeira parte da frase anterior, mas encarou de bom ânimo a segunda parte.)

A reacção dos promotores da Feira do Fumeiro de Montalegre a esta inesperada medida governamental foi enérgica e carregada de um místico simbolismo: decidiram fundir aquela feira com o Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes. “O Jeito” soube em segunda mão que o protocolo será assinado em casa do Reverendo Padre Lourenço Fontes. Na cerimónia que terá lugar, marcando uma forte (e única) oposição à medida da “civilização lisboeta”, estarão presentes, os presidentes das Câmaras Municipais de Montalegre e Boticas, a Maya e o seu tarot, o professor Karma, o Mago Merlin, a Bruxa Min e outras bruxas que abundam cá no burgo. (E, já que se trata de oposição, deverá também aparecer Eurico Figueiredo e os 300.000 potenciais líderes do PSD.)

No final do ritual protocolar será servido um lauto jantar. A ementa ao dispor dos comensais é constituída por coxas de rã gratinadas, acompanhadas de rodelas de salamandra na púcara, rissóis de patas de galinha e caganitas de lebre na brasa. Tudo regado com vinho dos mortos de Boticas da adega de Padre Fontes. A sobremesa será servida depois da meia-noite, ao segundo cantar do galo, constando de baba de lesma com teias de aranha em castelo. Para quem não gostar de doces, será servido um apetitoso excremento de morcego genuinamente barrosão.

Segundo alguns rumores, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, em defesa das tradições transmontanas, à semelhança do que foi feito em Montalegre, estão já a pensar fundir a Mostra Terras de Aguiar e a Feira do Linho. Não vá o diabo tece-las. (“O Jeito” soube em segunda mão — como novo e em suaves prestações —, que a Câmara de Vila Pouca, mesmo que não se concretize a referida fusão, planeia, pela parte que lhe toca, mandar fundir a Mostra Terras de Aguiar já este ano.) Por nós, que se funda!

 
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