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um jornal? uma revista?
edição n.º 11 editorial rui ângelo araújo  

editorial

o jeito 1

o jeito 2

o jeito 3

o jeito 4

opinião 1

opinião 2

opinião 3

opinião 4

entrevista 1

entrevista 2

património

reportagem

torre dos coléricos

transmont. online

anacrónicas 1

anacrónicas 2

anacrónicas 3

ensaio 1

ensaio 2

poesia 1

poesia 2

apartado 51

caricatura


Colaboradores neste número: Agapito Laranjeira, Albertino Sousa, Anabela Ribeiro, Carlos “Cazé” Dias, Duarte Carvalho, Elza Garcia, Fernando Gouveia, Gil Silva (Giló), Jorge Rodrigues, José Ferreira Borges, Luís C. Teixeira, Luís D'Almada, Luísa Costa, Manuel Guimarães, Maria dos Remédios, Paulo Mourão, Pedro Martins Colaço, Rui Duarte, Troglodýtes Trogloditikós, Vítor Lamas.

capa da edição n.º 11 (janeiro/fevereiro de 2000) [montagem sobre ilustração de Elza Garcia]
capa da edição n.º 11
(janeiro/fevereiro de 2000)
[montagem sobre ilustração
de Elza Garcia]


O EITO FORA INICIA NESTA EDIÇÃO DUAS COLABORAÇÕES.

1. O Semanário TRANSMONTANO é o único jornal que importa a Trás-os-Montes. É o único que se distancia do provincianismo, do bairrismo bacoco, da mediocridade e do revivalismo atrofiador.
Depois de toda a simpatia imerecida que tem dispensado a este execrável Jornal de Vilarelho, ainda disponibiliza espaço nas suas páginas para que os dislates do EITO possuam uma alternativa ao seu antro reciclado. Nunca poderemos agradecer suficientemente.

2. A NON! Cultura e Intervenção, originária de Coimbra, publica-se exclusivamente online. Desenvolve «um espaço independente de informação, de crítica e de criação. É seu propósito observar o mundo de uma forma activa e permanente, funcionando como instrumento de polémica e de debate dentro de uma opinião democrática, múltipla e contraditória, aberta a diferentes culturas.» É altamente aconselhável a sua leitura. Nós fazemo-lo.

«Não é o problema de quem está amordaçado, mas é o problema de quem é mudo.»


O que é triste não é que o presidente da RTP diga que não se pode dar o “Citizen Kane” a uma audiência cujos índices culturais são dos mais baixos da Europa — triste é que semelhante afirmação não provoque o mínimo alvoroço. Triste é que a “audiência” — o povo português — possa ser a confirmação (pouco) viva da estupidez que está subjacente àquelas palavras e não se inquiete com isso.

Mais grave do que a televisão pública ceder aos desejos mais primários duma população acrítica, estruturalmente diminuída, é a bonomia com que isso é aceite. Em nome das audiências, das maiorias perversamente democráticas, duma lógica de almocreve pós-moderno (a do mercado) e de outras razões menos confessáveis, dá-se pão e circo ao povo — e o povo rejubila, ululante.

É assim a sociedade portuguesa. Nada se exija do povo! Não se lhe dê desafios (excepto os do futebol), que isso pode-lhe fazer mal à cabecinha! (Pode-lhe abrir horizontes e mostrar a farsa em que vive...)

É deprimente ver como o povo português cede ao vácuo intelectual que o atrofia; é desolador observar como os portugueses se realizam no mais efémero dos saberes, e como, em nome desta colectiva inanimidade se constrói uma sociedade de comprazimento do boçal.

O que alimenta a confrangedora mediania reinante? A necessidade igualitária dos medíocres? O triunfo do ditado «em terra de cegos quem tem um olho é rei»?

Por menos mirabolantes que possam ser as teorias sobre a necessidade que os dirigentes têm de uma sociedade mantida nas trevas, nenhuma explica a inépcia do cidadão no meio deste lodo. Esta forma “habitual” de viver em alheamento não é mantida à custa de censuras, de posturas orgulhosamente sós... Este não é o Estado Novo, embora o novo estado das coisas pouco difira daquela época obscura. A diferença talvez resida na forma activa como os cidadãos participam na construção do logro.

Em Trás-os-Montes a regra não encontra excepção. Provavelmente reforça-se. A frase que dá título a este editorial (retirada da excelente entrevista de Paulo Vaz de Carvalho) pode conter em si a resposta às inquietações aqui enunciadas. Habituados a bradar “aqui d’el-rei que estamos amordaçados”, ainda não descobrimos que as tradicionais mordaças caíram há muito tempo. O que temos agora não são mordaças, mas limitações a que só o nosso incomensurável conformismo, a nossa inconfessável apatia e a nossa vergonhosa cedência à estupidez permitem existência prolífera. Actualmente, nada nos obriga à mediocridade — no entanto promovê-mo-la.

Escorreitos de nascença, a voz tolda-se-nos sem explicações científicas. Aguarda-se o definitivo milagre de Fátima que, mais do que restituir-nos a fala, nos demonstre as razões da nossa mudez.


ruiaaraujo@periferica.org

'Andarilho', símbolo do EITO FORA

 
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