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| um jornal? uma revista? | |||
| edição n.º 11 | anacrónicas [3] | maria dos remédios | |
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anacrónicas 3
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Luísa Costa, Maria dos Remédios e Manuel Guimarães peroram, atrasados, sobre o milénio. Anacrónicos, portanto. É o fim do mundo. |
Milénio [3]
Alimentar a enfadonha polémica sobre a mudança de milénio não faz parte das minhas intenções. Para mim, o acto de diariamente desenhar, no quadro preto, bem redondinhos, os três zeros comandados por um dois imponente, encanta-me. A verdadeira magia está justamente aí, nem que seja para reforçar a saborosa vingança contra o imperialismo romano, causador da mais global e comum discussão da humanidade. Dar-me-ia um prazer enorme assistir à forma como eles resolveriam o quebra-cabeças que a falta do zero provocaria. Enfim, o que nos salvou foi terem aparecido os mouros!...
Com esta confusão que faz de nós uns dependentes de teorias despropositadas, vejo-me agora incapaz de me situar — já estou no novo milénio ou deambulo ainda no velho? Para não deitar mais achas para a fogueira, cerro os olhos e, envolta na minha confortável manta, descanso o corpo gelado.
Desfilam na minha mente batalhões de seres perfeitos, todos iguais, milimetricamente iguais, horrivelmente iguais, altos, loiros, sãos, como fora determinado no acto da sua concepção. Tudo é perfeito, como de um perfeito quadrilátero se tratasse. Tudo é monótono...
Os minutos, os anos, os séculos avançam, cadenciados, sem quebra de ritmo, sem desvios, sem hesitações...
O sol já não faz brilhar o feldspato das calçadas porque a densa nuvem o retrai. Apressa-se o amadurecimento dos frutos porque a terra é já uma imensa estufa onde tudo é tecnologicamente concebido, vedando o acesso ao acaso, à intempérie, ao sentimento...
Em que milénio estou? |
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transmontano sem preconceitos |
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