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| um jornal? uma revista? | |||
| edição n.º 11 | anacrónicas [1] | luísa costa | |
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anacrónicas 1
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Luísa Costa, Maria dos Remédios e Manuel Guimarães peroram, atrasados, sobre o milénio. Anacrónicos, portanto. É o fim do mundo. |
Milénio [1]
Zzzzzzzzbbbummmmmm! E foram mil. Desta foram mil. Caramba que mil é muito. Mil anos com meses, dias, horas, minutos e segundos lá dentro dá para fazer e desfazer civilizações inteiras. Então isto é uma coisa histórica. Dizem. Quando eu tinha quinze anos, vi no Porto uma exposição que só se realiza de cem em cem anos. Era uma exposição de pintura, também metia escultura, uma coisa assim, que a minha memória é fraca. Mas lembro-me das contas que fiz na altura. Estou eu aqui a ver esta treta e só daqui a cem anos é que fazem outra. Ora daqui a cem anos eu tenho 115. Não tenho porque já não estou cá. Senti-me esmagada. E eram apenas cem anos.
E o bug, e o novo milénio e os factos do milénio, e as figuras do milénio, e as descobertas do milénio, e a literatura do milénio, e a música do milénio e as obras do milénio todas iguais e todas diferentes...
Estou farta disto. Era o natal e a passagem de ano. Agora acrescente-se a passagem do milénio que por acaso é só daqui a uma ano, mas a gente comemora já porque é mais giro. Vamos festejar. Olarira... la lá olarila... lé: hossana hossana que vamos subir às alturas. E quem não festejar não é da malta.
E se fossem todos às trutas?
Juro que gostaria de desenvolver este tema. Mas não me apetece. Eu quero lá saber do milénio! Por acaso a minha vida vai mudar? Por acaso as listas de espera dos hospitais, os transportes, o ensino, etc., etc., vão mudar? Por acaso, o facto de começarmos a escrever datas que começam por 2 e qualquer coisa vai alterar a rotina desta vida? Ora, não me macem com o novo milénio. O milénio faz-me moralista e preocupada com problemas sociais, eu que só me interesso... O que é que me interessa? Boa pergunta! Só me interessa... Não sei. Neste momento interessa-me saber o que me interessa. Vou reflectir. Chegou o momento de parar e perguntar-me:
— Afinal, ó comum mortal, o que te interessa?
Vou reflectir. Suspeito que não me interessa nada. É mau ou bom? Sinto a mente encaracolada de perguntas. |
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transmontano sem preconceitos |
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