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Colaboradores neste número:
Agapito Laranjeira, Albertino Sousa, A. Gouveia, A. Ktsoyan, Anabela Pinto,
Anabela Ribeiro, António Capim, Eliane, Elza Garcia, Eugénio Branco, Fernando
Gouveia, José Ferreira Borges, Luísa Albino, Luísa Costa, Luísa
Santos, Luís C. Teixeira, Manuel Chaves. Manuel Guimarães, Maria dos Remédios,
Paulo Leitão, Rui Duarte, Troglodýtes Troglodýtikós, Vítor
Lamas.
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O texto ao lado devia ser
objecto de censura. É injusto, exagerado, parcial e até violento. Demonstra
arrogância, culto do Eu e desdém. E tem sexo, no fim. Devia ser proibido. Mas
não foi. Portanto, não leia — faça como costuma!*
* As nossas desculpas aqueles que não se identificam com o leitor comum
do EITO FORA. |
O EITO que eu enjeito
O cidadão comum não tem vagar para o EITO FORA.
Lamentável, mas compreensível.
No entanto, (surpresa!), há pessoas que compram o EITO FORA! Fica
bem, é sinal de diferença. Por vezes, ainda que com desdém, passam os
olhos pelos títulos (é verdade!). E se lêem algum texto sentem-se logo
uns cosmopolitas, uns intelectuais. Quando, num acesso violento de erudição,
lêem mais do que um texto, tornam-se loucos perigosos à espera de uma leucotomia
pré-frontal (fica-nos bem relembrar o nobel Egas Moniz!). Mas nem neste estado de
insanidade lhes chega a coragem para umas linhas críticas ao jornal que odeiam.
Os leitores odeiam o EITO FORA, é claro! Que outro sentimento
poderia provocar este jornal? Amor? Só se fosse à primeira vista — a
única que a maioria lhe dispensa. Para haver um amor profundo teria que ser
correspondido. E o EITO não corresponde às expectativas do leitor. O leitor
não se revê nele, como se revê por exemplo na lista telefónica.
Nesta basta ser assinante, no EITO não. E ninguém gosta dum jornal regional
onde as notícias não sejam, na pior das hipóteses, sobre — o vizinho
do lado.
É, o EITO não escolhe os textos por grau de vizinhança,
mas, subjectivamente, pela qualidade que lhes encontra. Ou não. E depois, não
tem pejo nenhum em publicar mais do que um texto do mesmo autor, só porque — pasme-se!
— são sobre assuntos diferentes! É ridículo!
E não é que o EITO levou a sério as queixas das
pessoas acerca do défice cultural em Trás-os-Montes? Então, em vez da
confirmação de boatos a que um jornal regional devia estar obrigado, publica
entrevistas a escritores, a padres, ao delegado da cultura, aos tipos do teatro, a maestros
da orquestra (ainda bem que já não está cá!). Publica poesia,
ensaios (nem sequer são os do rancho) e até crónicas que ninguém
percebe do que falam. Enfim, o EITO não tem “Jeito” (só teve uma vez, e foi a
única coisa que deixou saudades).
Há pessoas que lhe têm tanto ódio que seriam capazes
de escrever uma carta a desancá-lo — se não tivessem medo de dar erros
ortográficos. Que, de resto, o EITO também dá, mas como escreve tanta
asneira e de maneira tão complicada, o leitor já nem sabe se foi de
propósito ou não.
O pior que o EITO faz é aquilo que não faz. Ou seja, não
publica textos de aguiarenses. E tem a distinta lata de apresentar como desculpa — o facto
dos aguiarenses não escreverem! Os leitores não estão na
disposição de admitir tamanha afronta!
Mas o EITO FORA reconhece alguns dos defeitos que lhe apontam. Não
é falsa modéstia. Tanto assim que, numa inédita interactividade com os
leitores, pretendemos ajudá-los nas críticas que lhe podem dirigir. Apresentamos
a seguir uma lista de trocadilhos possíveis com o nome do pasquim de modo a que
possam ornamentar as conversas de café após a saída de cada
edição. Temos esperança que elas se tornem cartas para o Apartado 51.
Mais: como prova de boa vontade, damos o exemplo de algumas frases onde os trocadilhos podem
ser usados. Divirtam-se e façam — sexo (cá está).
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Exemplos:
“Um jornal destes, eu deito fora”
“Este jornal em minha casa não fica, vai p’ra fora!”
“Foi feito agora e já está no lixo!”
“Cada novo número não tem jeito, piora.”
“Ao distribuidor do EITO, só lhe digo uma coisa: Ei, tu! Fora!”
“Um sujeito cora de indignação, quando lê aquela porcaria!”
“Ei, s’tôra, posso rasgar este jornal?”
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