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Colaboradores neste número:
Agapito Laranjeira, Albertino Sousa, A. Gouveia, A. Ktsoyan, Anabela Pinto,
Anabela Ribeiro, António Capim, Eliane, Elza Garcia, Eugénio Branco, Fernando
Gouveia, José Ferreira Borges, Luísa Albino, Luísa Costa, Luísa
Santos, Luís C. Teixeira, Manuel Chaves. Manuel Guimarães, Maria dos Remédios,
Paulo Leitão, Rui Duarte, Troglodýtes Troglodýtikós, Vítor
Lamas.
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ilustração de Paulo Araújo
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Porque hoje não há poema
Procuremos o ténue trilho das metáforas...
Trouxe comigo a caneta, o silêncio, o papel
E, dentre os meus confidentes predilectos,
Os mais disponíveis e os menos indiscretos.
Tardam as metáforas, não dão sinais de vida...
Não restam rastos ao abandono neste chão
Nem rostos dissimulados nesse horizonte
Nem atidos escondidos nas proximidades...
Visto o disfarce de experimentado detective
E parto
Em busca de qualquer coisa que me reste
Da ideia que tive.
Palavras adiante,
Reflectindo-se no providencial envidraçado duma montra,
Vislumbro vestígios do que tinha em mente
Quando vos trouxe até aqui.
Ora — por motivos igualmente providenciais
Que, podendo, concorrem vivos de propósito —
Tiremos estes versos p'ra vos lembrar
Que parece que me esqueci de trazer connosco também
A acuidade sensorial na ponta da pena.
Assim sendo,
Desculpem,
Mas — dado que deste modo não posso
Ser fiel sequer a mim mesmo,
Tanto menos a qualquer sentimento vosso —
Hoje não há poema
P'ra ninguém!
Talvez amanhã,
Se todos os ausentes vierem e eu vos trouxer
De novo ao local deste crime,
Encontremos o culpado que me acuse de tudo isto...
E talvez então venha um poema qualquer
Dizer mansamente que espera
Que quanto hoje faltou amanhã e sempre se estime!
Desisto,
Vou-me deitar!
Bocejam já as palavras na quimera
De encontrar aquelas metáforas que desesperam
Na nuvem cinzenta
Que chora o que eu quisera
Aproveitar dessa chuva fértil
Que me acrescenta...
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