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Colaboradores neste número:
Agapito Laranjeira, Albertino Sousa, A. Gouveia, A. Ktsoyan, Anabela Pinto,
Anabela Ribeiro, António Capim, Eliane, Elza Garcia, Eugénio Branco, Fernando
Gouveia, José Ferreira Borges, Luísa Albino, Luísa Costa, Luísa
Santos, Luís C. Teixeira, Manuel Chaves. Manuel Guimarães, Maria dos Remédios,
Paulo Leitão, Rui Duarte, Troglodýtes Troglodýtikós, Vítor
Lamas.
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Caricatura de Paulo Araújo
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Epístola aberta de S. Miguel ao
Presidente da Junta
de Freguesia de Tresminas
S. Miguel
Departamento de Colheitas
Céu
12 de Novembro 1999
Presidente da Junta de Freguesia de Tresminas, meu paroquiano:
É com imensa alegria que te escrevo esta carta, embora com algumas
hesitações, pois não é todos os dias que encontramos aí,
na imensa balbúrdia desse reino, alguém que se destaque pela sabedoria na
condução do seu rebanho de eleitores. Não estranharás, portanto,
que antes de honrar alguém com uma música celestial, nos tenhamos previamente
certificado do verdadeiro valor do destinatário.
Surge esta missiva na sequência de um programa que criei, de acordo
com as minhas incumbências de Santo Padroeiro, no sentido de honrar as maiores
cabeças da minha paróquia, divulgando a sua inteligência, a sua capacidade,
o seu empenho e a sua obra. Quando há obra, naturalmente. Tenho que afirmar que
estamos maravilhados, aqui no Céu, com a forma como tens gerido o capital
político, como tens sabido usar a tua sabedoria a bem da ignorância do rebanho
eleitoral. E ainda estamos mais maravilhados com a generosidade que tens demonstrado por
alturas de eleições autárquicas, distribuindo magníficos
frasquinhos de mel da tua própria colheita. Já há muito tempo que
não víamos um político tão generoso.
Mas a tua generosidade, ao contrário da de outros políticos,
dura para além das épocas eleitorais. Tu honras a tua tradição
de benfazejo em qualquer piqueno ajuntamento na tua freguesia.
Tenho, no entanto, uma observação a fazer, que tem a ver com
os métodos de distribuição da dádiva. Talvez não saibas,
mas a tua maravilhosa iguaria não tem chegado a todos os lados, como certamente
desejarias. Proponho-te que, para a próxima vez (que esperamos esteja para breve),
comeces a distribuição por aqueles que te são mais adversos. Talvez se
lhes adoce a boca, e se evitem assim chatices como aquela que resultou da afixação
do comunicado assinado por um conhecido herege conterrâneo teu. "Faz o bem e não
olhes a quem!".
Aqui onde nos encontramos, tudo vemos e tudo sabemos, e é com prazer
que registamos todas as acções humanitárias. Temos também
registado no nosso livro de apontamentos a imensa solidariedade que manifestas para com os
teus familiares e amigos. Também aqui se aplica o mandamento citado atrás e
que não é demais repetir: "Faz o bem e não olhes a quem".
Termino com um apelo: continua assim que vais longe.
Recebe a minha benção e fica-te com a graça de Deus.
P.S. A propósito do mel: para a próxima
não te esqueças de mim. É que aqui no meu altar só chega, por
altura da missa, o cheiro a incenso e, no fim da mesma o cheiro a cera queimada. Mas do mel,
nem o cheiro! E tu sabes bem, meu beatíssimo paroquiano, que quem mais dá
mais amigo é do santo!
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