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edição n.º 10 editorial manuel guimarães  

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Colaboradores neste número: Agapito Laranjeira, Albertino Sousa, A. Gouveia, A. Ktsoyan, Anabela Pinto, Anabela Ribeiro, António Capim, Eliane, Elza Garcia, Eugénio Branco, Fernando Gouveia, José Ferreira Borges, Luísa Albino, Luísa Costa, Luísa Santos, Luís C. Teixeira, Manuel Chaves, Manuel Guimarães, Maria dos Remédios, Paulo Leitão, Rui Duarte, Troglodýtes Troglodýtikós, Vítor Lamas.

Manuel Guimarães segundo Paulo Araújo
Manuel Guimarães
segundo Paulo Araújo

(Confidencial)


Afinal isto é um país de oportunistas, chulos, prostitutos, ladrões, que se atropelam enganchados uns nos outros. Onde o que importa é sangrar o parceiro, afacalhar as ideias, atropelar o tempo, esperar que ele passe. Terra sem brio, sem identidade, amorfa, americana. Que se lixem os outros. O que importa é vender cultura, seja ela qual for. Enquanto o sistema precisa, alimenta, quando não, é deixá-lo estar, que há-de cair de podre.

Dinheiro puxa dinheiro, que o mundo é apenas económico, a grande diferença entre um valor, entre o quadro que vale milhões e o outro que não se vendeu. O que interessa é o valor, não o que seja arte. Arte não passa de uma coisa que já ninguém quer saber o que é, mas apenas quanto vale.

Se houver um crepúsculo desta bestialidade fedorenta dá vontade de pensar no apocalipse, ver arder tudo no fogo dos infernos, e pensar que, até aí, os oportunistas, chulos e vinho verde, estão em vantagem por isso mesmo, são chulos, prostitutos e vinho verde.

Porque a lei protege-os. A lei existe para os proteger. O senado romano não fez leis para todos, isso é que era bom, fizeram leis para se protegerem de todos. Ainda são as mesmas, meus senhores, o princípio ainda é o mesmo, mas ainda mais subtil. Hoje fazem-se fortunas com isso, porque uma das leis é essa, fazer dinheiro. A grande lei. FAZ DINHEIRO OU MORRE.


guimaraes@portugalmail.pt

 
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